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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205476
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Monte Alto
Ano
2024
Cargo
ASTI ( )

Compreendo perfeitamente o pintor Raimundo Nogueira. Ele, a mais bem-humorada e a mais cordial de todas as criaturas que conheço, cortou relações há alguns anos com um sujeito. Fez deste o seu único inimigo, negando-lhe cumprimento. E andou certo, a meu ver. O indivíduo em apreço, naquela época ainda em muito boas relações com o Raimundo, era dono duma churrascaria em Ipanema e dum terreno que desejava vender. O pintor se interessou pelo lote e foi vê-lo; no dia seguinte levou a família e, mal chegou ao lugar, ficou indignado e voltou: o proprietário do lote mandara derrubar uma frondosa mangueira que tinha lá. Na churrascaria, houve o seguinte diálogo:

 

Raimundo: – E a árvore? E a mangueira?

 

Dono: – Mandei cortar.

 

Raimundo: – Por quê, rapaz? Por quê?

 

Dono: – Acho que os pretendentes podem ver melhor o terreno sem a árvore.

 

Raimundo: – Ah, é assim, não é? Então, é favor não falar mais comigo.

 

Foi-se embora; desde então, quando passa defronte da churrascaria, Raimundo vira o rosto. Há entre churrasqueiro e pintor uma árvore morta.

 

Não sei com quem brigar, a quem virar o rosto. Mas cortaram também a amendoeira que existia debaixo da minha janela, no quintal ao lado. Era uma das maiores e das mais bonitas amendoeiras do Rio. Foi abaixo, para ceder lugar a uma garagem. Ora, seu tronco era longo, portanto, seria a coisa mais simples do mundo fazer um buraco no teto da garagem para o tronco passar, antes de se abrir em galhos e folhas no alto. A ideia não ocorreu ao proprietário do edifício que se constrói e que julgou ainda mais simples pôr a árvore no chão. Trata-se duma alma irmã à do churrasqueiro. Um sujeito que não merece o meu respeito ou a minha confiança. Assim, em meu nome, no do pintor Raimundo Nogueira e de todas as pessoas que gostam de árvores, eu o mando para o diabo que o carregue.

(Paulo Mendes Campos. Árvores. Disponível em: https://cronicabrasileira.

org.br/cronicas/19359/arvores. Acesso em 23.05.2024. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão a seguir.   É correto afirmar que o narrador
  1. Atinha boas relações com o vizinho que cortou a amendoeira do quintal da casa localizada ao lado da sua.
  2. Bconsidera que a pessoa que cortou a amendoeira da casa vizinha à sua é como o churrasqueiro que cortou a mangueira.
  3. Csugere que não deveria ser construída uma garagem ou qualquer outro cômodo no local em que estava a amendoeira.
  4. Dacredita que o dono da amendoeira cortada soubesse que ela era uma das árvores mais exóticas da cidade.
  5. Eaceita que as pessoas também podem ver melhor a própria janela sem a amendoeira que tapava a visão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — considera que a pessoa que cortou a amendoeira da casa vizinha à sua é como o churrasqueiro que cortou a mangueira.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto: a comparação entre o churrasqueiro e o dono da amendoeira

Gabarito: letra B. O narrador considera que a pessoa que cortou a amendoeira da casa vizinha é como o churrasqueiro que cortou a mangueira, pois ambos derrubaram árvores por motivos utilitários. Essa comparação está explícita no texto quando o narrador afirma: "Trata-se duma alma irmã à do churrasqueiro."

O comando pede uma compreensão do texto, ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma informação explícita, sem deduções ou acréscimos. A alternativa correta é a única que reproduz exatamente a comparação feita pelo narrador entre os dois personagens.

O texto narra duas situações paralelas: a do pintor Raimundo Nogueira, que rompeu relações com o dono de uma churrascaria por este ter mandado cortar uma mangueira, e a do próprio narrador, que se indigna com o corte de uma amendoeira para a construção de uma garagem. A tese do autor é a de que ambos os responsáveis pelos cortes compartilham a mesma mentalidade, que ele condena.

A técnica para resolver esta questão é identificar a relação de comparação que o narrador estabelece entre os dois casos. No segundo parágrafo, após descrever o corte da amendoeira, o narrador afirma:

"Trata-se duma alma irmã à do churrasqueiro."

Essa passagem é a chave: "alma irmã" significa que o dono do edifício que mandou cortar a amendoeira tem a mesma índole do churrasqueiro que cortou a mangueira. A alternativa B parafraseia exatamente essa ideia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação nas alternativas erradas, acrescentando informações que não estão no texto (como a qualidade das relações do narrador com o vizinho ou a opinião do dono da árvore). A correta é a única que se limita ao que está escrito.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o narrador "tinha boas relações com o vizinho que cortou a amendoeira". O texto não menciona a natureza das relações anteriores entre o narrador e o proprietário do edifício. Pelo contrário, o narrador o condena veementemente: "Um sujeito que não merece o meu respeito ou a minha confiança." A alternativa extrapola ao inventar uma relação que o texto não descreve.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia a comparação explícita do texto. O narrador, após relatar o corte da amendoeira, afirma: "Trata-se duma alma irmã à do churrasqueiro." Isso significa que ele considera o responsável pelo corte da amendoeira igual ao churrasqueiro que cortou a mangueira. A alternativa B reproduz essa ideia com outras palavras, sem acrescentar nada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa sugere que o narrador "não deveria ser construída uma garagem ou qualquer outro cômodo no local em que estava a amendoeira". O texto não faz essa sugestão. O narrador critica a forma como a árvore foi derrubada, mas não propõe a proibição da construção. Ele inclusive sugere uma solução alternativa: "seria a coisa mais simples do mundo fazer um buraco no teto da garagem para o tronco passar". A alternativa extrapola ao atribuir ao narrador uma opinião que ele não expressou.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o narrador "acredita que o dono da amendoeira cortada soubesse que ela era uma das árvores mais exóticas da cidade". O texto diz que a amendoeira era "uma das maiores e das mais bonitas amendoeiras do Rio", mas não afirma que o dono soubesse disso, nem que a árvore fosse "exótica". A alternativa contradiz o texto ao trocar "bonitas" por "exóticas" e extrapola ao afirmar o conhecimento do dono.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o narrador "aceita que as pessoas também podem ver melhor a própria janela sem a amendoeira que tapava a visão". O texto não menciona que a amendoeira tapava a visão da janela do narrador, nem que ele aceitaria o corte por esse motivo. Pelo contrário, o narrador se indigna com o corte. A alternativa extrapola ao inventar uma justificativa que não está no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora?". A correta é a única que se sustenta inteiramente no que está escrito.

Gabarito: letra B — a única alternativa que reproduz fielmente a comparação explícita entre o churrasqueiro e o dono da amendoeira, sem extrapolar, restringir ou contradizer o texto.

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