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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2024

PortuguêsConjunção
Código
vu205478
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Monte Alto
Ano
2024
Cargo
ASTI ( )

Compreendo perfeitamente o pintor Raimundo Nogueira. Ele, a mais bem-humorada e a mais cordial de todas as criaturas que conheço, cortou relações há alguns anos com um sujeito. Fez deste o seu único inimigo, negando-lhe cumprimento. E andou certo, a meu ver. O indivíduo em apreço, naquela época ainda em muito boas relações com o Raimundo, era dono duma churrascaria em Ipanema e dum terreno que desejava vender. O pintor se interessou pelo lote e foi vê-lo; no dia seguinte levou a família e, mal chegou ao lugar, ficou indignado e voltou: o proprietário do lote mandara derrubar uma frondosa mangueira que tinha lá. Na churrascaria, houve o seguinte diálogo:

 

Raimundo: – E a árvore? E a mangueira?

 

Dono: – Mandei cortar.

 

Raimundo: – Por quê, rapaz? Por quê?

 

Dono: – Acho que os pretendentes podem ver melhor o terreno sem a árvore.

 

Raimundo: – Ah, é assim, não é? Então, é favor não falar mais comigo.

 

Foi-se embora; desde então, quando passa defronte da churrascaria, Raimundo vira o rosto. Há entre churrasqueiro e pintor uma árvore morta.

 

Não sei com quem brigar, a quem virar o rosto. Mas cortaram também a amendoeira que existia debaixo da minha janela, no quintal ao lado. Era uma das maiores e das mais bonitas amendoeiras do Rio. Foi abaixo, para ceder lugar a uma garagem. Ora, seu tronco era longo, portanto, seria a coisa mais simples do mundo fazer um buraco no teto da garagem para o tronco passar, antes de se abrir em galhos e folhas no alto. A ideia não ocorreu ao proprietário do edifício que se constrói e que julgou ainda mais simples pôr a árvore no chão. Trata-se duma alma irmã à do churrasqueiro. Um sujeito que não merece o meu respeito ou a minha confiança. Assim, em meu nome, no do pintor Raimundo Nogueira e de todas as pessoas que gostam de árvores, eu o mando para o diabo que o carregue.

(Paulo Mendes Campos. Árvores. Disponível em: https://cronicabrasileira.

org.br/cronicas/19359/arvores. Acesso em 23.05.2024. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão a seguir.

 

No trecho do 8o parágrafo – … seu tronco era longo, portanto, seria a coisa mais simples do mundo fazer um buraco no teto da garagem… –, o vocábulo destacado pode ser substituído, sem prejuízo do sentido original, por:

  1. Apois
  2. Bmas
  3. Cembora
  4. Dcomo
  5. Elogo
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Conjunção conclusiva: o valor de "portanto" no texto

Gabarito: letra E. O vocábulo "portanto" no trecho do 8º parágrafo estabelece uma relação de conclusão entre a informação anterior (o tronco era longo) e a consequência lógica (seria simples fazer um buraco no teto). A única alternativa que preserva exatamente esse sentido é "logo", também uma conjunção coordenativa conclusiva. Como se lê no trecho:

"...seu tronco era longo, portanto, seria a coisa mais simples do mundo fazer um buraco no teto da garagem..."

A ideia é: porque o tronco era longo, conclui-se que seria simples fazer um buraco no teto. "Logo" substitui "portanto" sem qualquer prejuízo de sentido, mantendo a relação de conclusão.

O comando da questão

O enunciado pede uma substituição sem prejuízo do sentido original. Isso significa que a alternativa correta deve ser sinônima do conectivo destacado, preservando a relação lógica que ele estabelece entre as orações. Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer o valor semântico de uma conjunção coordenativa. A banca testa se você conhece as conjunções conclusivas e consegue identificar seus equivalentes.

O texto e o trecho em análise

O texto é uma crônica de Paulo Mendes Campos sobre a derrubada de árvores. No 8º parágrafo, o autor lamenta a derrubada de uma amendoeira para a construção de uma garagem. O trecho destacado apresenta um argumento: como o tronco era longo, seria fácil fazer um buraco no teto da garagem para o tronco passar. A relação entre as duas orações é de causa e consequência, e o conectivo "portanto" marca essa consequência lógica.

A técnica: reconhecer o valor das conjunções coordenativas

As conjunções coordenativas ligam orações independentes e podem expressar diferentes relações: adição, oposição, alternância, conclusão e explicação. No caso, "portanto" é uma conjunção coordenativa conclusiva, que introduz uma conclusão ou consequência do que foi dito antes. Outras conclusivas: logo, pois (deslocado), por conseguinte, por isso, assim, então.

Para resolver, basta substituir mentalmente o conectivo por cada alternativa e verificar se a relação lógica se mantém. A única que funciona é "logo".

1Conclusivas
portanto
logo
pois (deslocado)
por conseguinte
2Adversativas
mas
porém
3Concessivas
embora
ainda que
4Causais
porque
como
Conjunções coordenativas
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Conjunções coordenativas: Conclusivas (portanto, logo, pois (deslocado), por conseguinte); Adversativas (mas, porém); Concessivas (embora, ainda que); Causais (porque, como)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Pois" pode ser conclusivo quando vem depois do verbo (ex.: "Estudou, passou, pois."), mas no trecho ele seria interpretado como explicativo (equivalente a "porque"), o que mudaria o sentido: "seria simples fazer um buraco no teto porque o tronco era longo" — isso inverte a relação de causa e consequência. No texto, a conclusão é que seria simples, e a causa é o tronco longo. Portanto, "pois" não preserva o sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Mas" é uma conjunção adversativa, que expressa oposição ou quebra de expectativa. No trecho, não há oposição entre as ideias; há uma relação de causa e consequência. Substituir por "mas" criaria um sentido de contraste inexistente: "seu tronco era longo, mas seria simples..." — isso não faz sentido no contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Embora" é uma conjunção concessiva, que introduz uma ideia que se contrapõe à principal, mas sem impedi-la. No trecho, não há concessão; a informação do tronco longo é a causa da conclusão, não uma ressalva. "Embora" exigiria o verbo no subjuntivo ("embora fosse longo") e mudaria completamente o sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Como" pode ser causal (equivalente a "porque") ou conformativo (equivalente a "conforme"). No trecho, "como" seria interpretado como causal: "como o tronco era longo, seria simples..." — isso até faz sentido, mas a relação é de causa, não de conclusão. O conectivo original "portanto" marca a conclusão, não a causa. Portanto, "como" não é equivalente.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Logo" é uma conjunção coordenativa conclusiva, exatamente como "portanto". Substituindo: "seu tronco era longo, logo, seria a coisa mais simples do mundo fazer um buraco no teto da garagem" — a relação de conclusão é mantida integralmente. É a única alternativa que preserva o sentido original.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece "pois" e "como" porque ambos podem ter valor de causa, mas o trecho exige uma conclusão, não uma causa. Fique atento ao valor exato do conectivo no contexto.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de substituição de conectivo, identifique primeiro a relação lógica entre as orações (causa, conclusão, oposição, etc.) e depois procure a alternativa que pertença à mesma classe e tenha o mesmo valor.

Gabarito: letra E

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