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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205480
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Monte Alto
Ano
2024
Cargo
ASTI ( )

Agora, os pequenos sinais estão em toda parte. Artifícios inteligentes tomam decisões no lugar das pessoas de carne e osso. No trânsito, quem resolve se você vai virar à esquerda ou à direita é um algoritmo, que lhe dá ordens pela tela eletrônica. Por um sistema parecido, o taxista fica sabendo qual será o passageiro e em que endereço deve apanhá-lo. Ninguém escapa. Às vezes mais, às vezes menos, todo mundo segue a batuta de programas informatizados que dirigem a rotina das populações conectadas. O batimento cardíaco dos anônimos, o tráfego aéreo, as ebulições das bolsas de valores, a sensação de que gostam ou não gostam da gente: tudo passa pelos dígitos. O que antes gostávamos de chamar de “livre-arbítrio” se reduziu, enfim, ao arbítrio das máquinas.

 

Sinais, muitos sinais. O eleitorado se apoia em filminhos da internet para escolher em quem votar. Muita mentira passa por aí, já sabemos. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anuncia que sua maior preocupação é conter a disseminação daquelas cenas perfeitas, irretocavelmente verossímeis, em que um candidato, na frente das câmeras, diz, com todas as sílabas escandidas, uma frase que jamais pronunciou – tudo obra da cibernética. Esse tipo de truque maligno grassou nas eleições da vizinha Argentina, e já se anteveem complicações do lado de cá da fronteira.

 

Na imprensa de todos os continentes, as redações decretam normas de conduta para regular o uso de ferramentas de inteligência artificial por seus profissionais. As chances de sucesso são exíguas. A inteligência artificial soterra a atividade jornalística sem deixar a ninguém um tempinho que seja para respirar. Cada vez mais ela nos regula, sem ser regulada por nós.

 

Agora, esses pequenos sinais que estão em toda parte nos mostram que foi posto um limite virtual – apenas virtual, por enquanto – para a aventura humana sobre a Terra. A cada dia, o humano perde relevância. O humano, depreciadamente humano, deixa de ser protagonista do seu próprio destino. Pobre humano. O único evento no qual ainda exerce um papel de relevo é o aquecimento global, na sua tragédia final, o antropoceno. Fora isso, sobrou-lhe um bico de coadjuvante.

(Eugênio Bucci. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/ eugenio-bucci/alem-do-humano/. Acesso em 25.05.2024. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão.   De acordo com o texto, é correto afirmar que
  1. Aa maioria das pessoas toma decisões livremente, sem se deixar influenciar pelo que as máquinas lhe sinalizam.
  2. Bos trabalhadores que mais costumam utilizar a inteligência artificial em sua rotina são os motoristas profissionais.
  3. Cno mundo todo a imprensa tem procurado impedir que jornalistas utilizem recursos de inteligência artificial para realizar seu trabalho.
  4. Dos seres humanos, com o auxílio da inteligência artificial, têm ainda a chance de frear o processo de aquecimento global.
  5. Eo cotidiano das pessoas vem sendo influenciado, em diferentes áreas e graus, pela inteligência artificial e suas ferramentas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — o cotidiano das pessoas vem sendo influenciado, em diferentes áreas e graus, pela inteligência artificial e suas ferramentas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: a onipresença da inteligência artificial no cotidiano

Gabarito: letra E. O texto afirma, de forma explícita e recorrente, que o cotidiano das pessoas vem sendo influenciado, em diferentes áreas e graus, pela inteligência artificial e suas ferramentas. Isso se lê já no primeiro parágrafo: "todo mundo segue a batuta de programas informatizados que dirigem a rotina das populações conectadas" e, mais adiante, "Cada vez mais ela nos regula, sem ser regulada por nós". A alternativa E é uma paráfrase fiel dessa ideia central, sem acrescentar nada que o texto não diga.

O comando pede "de acordo com o texto" — ou seja, trata-se de uma questão de compreensão (recorrência), não de interpretação/inferência. A resposta deve estar explícita no texto, bastando localizá-la e reconhecê-la reescrita com outras palavras. Não se pode deduzir, completar com conhecimento de mundo ou acrescentar opinião: a alternativa correta é a que parafraseia o que está escrito.

O texto, de Eugênio Bucci, tem uma tese clara: a inteligência artificial já domina a rotina das pessoas, em todas as áreas — trânsito, trabalho, eleições, imprensa — e o ser humano perdeu o protagonismo. O autor enumera exemplos (algoritmos no trânsito, taxistas, eleições, redações) para sustentar essa tese. A alternativa E capta exatamente esse movimento: "o cotidiano das pessoas vem sendo influenciado, em diferentes áreas e graus, pela inteligência artificial e suas ferramentas".

A técnica que decide esta questão é simples: teste cada alternativa perguntando: o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora? As alternativas A, B, C e D cometem, cada uma, um erro clássico do catálogo — extrapolação, restrição indevida, opinião embutida ou contradição com a tese. A única que se sustenta inteiramente no texto é a E, porque ela apenas reescreve com outras palavras o que o autor afirma do início ao fim.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "de acordo com o texto", grife as palavras absolutas ("todos", "sempre", "apenas", "maioria") — elas quase sempre denunciam a extrapolação. A correta costuma ser a mais "moderada", que respeita o alcance exato do que foi dito.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "a maioria das pessoas toma decisões livremente, sem se deixar influenciar pelo que as máquinas lhe sinalizam". Isso contradiz frontalmente o texto. O autor diz o oposto: "Ninguém escapa. Às vezes mais, às vezes menos, todo mundo segue a batuta de programas informatizados". A palavra "ninguém" e a expressão "todo mundo" mostram que, para o autor, não há decisão livre da influência das máquinas. A alternativa inverte a tese central — é um caso de contradição com o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que "os trabalhadores que mais costumam utilizar a inteligência artificial em sua rotina são os motoristas profissionais". O texto menciona motoristas (taxista, motorista de aplicativo) como um exemplo entre muitos, mas não afirma que sejam os que "mais" utilizam. Há uma restrição indevida: o texto fala de "todo mundo", de "populações conectadas", de várias áreas (trânsito, bolsas, imprensa, eleições). A alternativa restringe o alcance a uma categoria específica e ainda acrescenta o superlativo "mais", que não está em lugar nenhum. Erro de generalização/restrição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "no mundo todo a imprensa tem procurado impedir que jornalistas utilizem recursos de inteligência artificial". O texto diz: "Na imprensa de todos os continentes, as redações decretam normas de conduta para regular o uso de ferramentas de inteligência artificial por seus profissionais". Repare: "regular" não é "impedir". Regular significa estabelecer regras, limites, condutas — não proibir o uso. A alternativa troca o verbo "regular" por "impedir", alterando o sentido. Além disso, o texto diz que "as chances de sucesso são exíguas", ou seja, o autor duvida que essas normas funcionem — o que enfraquece ainda mais a ideia de "impedir". Erro de troca de vocábulo (contradição sutil).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "os seres humanos, com o auxílio da inteligência artificial, têm ainda a chance de frear o processo de aquecimento global". O texto menciona o aquecimento global, mas não diz que a IA ajuda a freá-lo. Pelo contrário: o autor diz que o humano "deixa de ser protagonista do seu próprio destino" e que o único papel de relevo que lhe resta é "o aquecimento global, na sua tragédia final, o antropoceno" — ou seja, o humano é causa do problema, não solução. A alternativa extrapola completamente: inventa uma relação de causa e efeito que não existe no texto. Erro de extrapolação.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que "o cotidiano das pessoas vem sendo influenciado, em diferentes áreas e graus, pela inteligência artificial e suas ferramentas". Isso é uma paráfrase fiel da tese do texto. Veja as passagens que sustentam:

"Ninguém escapa. Às vezes mais, às vezes menos, todo mundo segue a batuta de programas informatizados que dirigem a rotina das populações conectadas."

"Cada vez mais ela nos regula, sem ser regulada por nós."

A expressão "às vezes mais, às vezes menos" corresponde a "em diferentes graus"; "todo mundo" corresponde a "as pessoas"; "dirigem a rotina" corresponde a "influenciado o cotidiano"; e os exemplos (trânsito, bolsas, imprensa, eleições) correspondem a "diferentes áreas". A alternativa não acrescenta nada de fora — apenas reescreve o que o autor disse. É a única inteiramente sustentada pelo texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com fatos plausíveis (motoristas, imprensa, aquecimento global) que não estão no texto. A correta é sempre a que parafraseia a ideia central, sem inventar detalhes.

Conclusão: a questão cobra compreensão (informação explícita). A alternativa E é a única que reescreve a tese do autor sem distorcê-la. As demais ou contradizem o texto (A), restringem indevidamente (B), trocam o sentido de um verbo (C) ou extrapolam com uma relação inexistente (D).

Gabarito: letra E

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