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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu205490
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2024
Cargo
Fis CC ( )

Nos anos 1960, entre os cem alunos da minha turma na faculdade, apenas 15 eram mulheres. Quando nos formávamos, as especialidades que as acolhiam eram pediatria, ginecologia, obstetrícia e a clínica médica. Pouquíssimas ousavam candidatar-se à residência de cirurgia, ambiente competitivo, não sem razão considerado tóxico para mulheres.

 

Com o aumento progressivo do número de futuras médicas nas faculdades, lentamente, como costuma ocorrer quando há uma classe que, em princípio, rejeita mudanças, essas barreiras têm sido removidas. Não como dádiva dos homens, mas pela determinação feminina.

 

Anos atrás, o grupo do pesquisador Christopher Walls, em Ontário, no Canadá, relatou que pacientes operados por cirurgiãs tiveram uma pequena, mas significativa, redução da mortalidade nos 30 dias após a cirurgia, menos complicações e menor risco de reinternações nesse período. Em outro estudo, o grupo encontrou risco mais alto de complicações em pacientes do sexo feminino, quando operadas por homens.

 

É possível que as cirurgiãs atuais sejam mais jovens e atualizadas do que os médicos mais velhos, homens na maioria? Ou que obedeçam com mais rigor as recomendações preconizadas pelos consensos de especialistas das sociedades médicas? Ou que sejam mais estudiosas do que os homens?

 

Pode ser, também, que a sensibilidade afetiva feminina reforce a empatia com os pacientes, que se traduzirá em comunicação mais clara, maior dedicação e disponibilidade para as consultas e os chamados fora de hora, que atormentam a vida profissional.

 

No ano 2000, existiam 219 mil médicos em nosso país. De lá para cá, a população aumentou 27%, enquanto o número de médicos mais do que duplicou. Hoje, somos 562 mil, com participação crescente das mulheres. A profissão está cada vez mais feminina, para o bem de todos.

(Drauzio Varella. A profissão de cirurgiã está cada vez mais femin

ina, para o bem de todos. www1.folha.uol.com.br, 10.01.2024. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão seguinte.

 

Considere o trecho do 1º parágrafo:

 

• Quando nos formávamos, as especialidades que as acolhiam eram pediatria, ginecologia, obstetrícia e a clínica médica. Pouquíssimas ousavam candidatar-se à residência de cirurgia, ambiente competitivo, não sem razão considerado tóxico para mulheres.

 

As expressões destacadas podem ser substituídas, mantendo-se a norma-padrão e o sentido, respectivamente, por:

  1. Anos graduávamos, as recebiam, atreviam-se a concorrer
  2. Bdiplomávamo-nos, aceitavam-lhes, se determinavam a aspirar
  3. Cdavam-nos o canudo, refugiavam-as, arriscavam-se a desejar
  4. Dnos titulávamos, lhes abrigavam, se dispunham a pleitear
  5. Ecapacitávamos-nos, admitiam-as, decidiam inscrever- se
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GabaritoA — nos graduávamos, as recebiam, atreviam-se a concorrer

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de Frases: substituição de expressões sem alterar o sentido

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que substitui as três expressões destacadas — "nos formávamos", "as acolhiam" e "ousavam candidatar-se" — por equivalentes que preservam o sentido original e obedecem à norma-padrão: "nos graduávamos", "as recebiam" e "atreviam-se a concorrer". A questão testa a capacidade de reconhecer sinônimos contextuais e de manter a correção gramatical (especialmente a regência e a colocação pronominal) ao reescrever um trecho.

O comando pede uma reescritura — ou seja, a substituição de palavras ou trechos por outros que mantenham o sentido e a norma-padrão. Isso exige atenção a três frentes: (1) o significado da expressão original no contexto; (2) a regência do verbo (quem rege o quê); e (3) a colocação pronominal (posição do pronome átono). A banca não quer apenas sinônimos soltos; quer equivalência semântica E correção sintática.

No trecho do 1º parágrafo, o autor narra sua época de faculdade: "Quando nos formávamos, as especialidades que as acolhiam eram pediatria, ginecologia, obstetrícia e a clínica médica. Pouquíssimas ousavam candidatar-se à residência de cirurgia". O pronome "as" retoma "mulheres" (as futuras médicas), e "ousavam candidatar-se" expressa a ideia de ter coragem de concorrer. A substituição correta precisa manter esses referentes e esses sentidos.

A técnica decisiva é testar cada alternativa em três níveis: semântico (o sentido bate?), sintático (a regência e a colocação pronominal estão corretas?) e estilístico (a expressão é adequada ao registro formal?). Vamos aplicar isso a cada uma.

Substituição de expressões
  • 1Critérios de análise
    • Semântico (sentido no contexto)
    • Sintático (regência e colocação pronominal)
    • Estilístico (registro formal)
  • 2Erros comuns
    • Troca de regência (aceitar/abrigar + lhes)
    • Troca de sentido (refugiar ≠ acolher; decidir ≠ ousar)
    • Registro inadequado (dar o canudo)
  • 3Técnica de teste
    • Testar cada alternativa nos 3 níveis
    • Verificar pronome
      • objeto direto (as) vs indireto (lhes)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A substitui corretamente as três expressões:

  • "nos formávamos" → "nos graduávamos": ambos significam concluir o curso superior. "Graduar-se" é sinônimo formal de "formar-se" no contexto acadêmico.

  • "as acolhiam" → "as recebiam": o pronome "as" retoma "mulheres" (objeto direto), e "receber" é sinônimo de "acolher" no sentido de admitir, aceitar. A regência é preservada: "as especialidades as recebiam" (verbo transitivo direto + pronome oblíquo átono "as").

  • "ousavam candidatar-se" → "atreviam-se a concorrer": "ousar" e "atrever-se" são sinônimos (ter coragem); "candidatar-se a" e "concorrer a" também são equivalentes (disputar uma vaga). A regência é mantida: "atreviam-se a concorrer" (verbo "atrever-se" exige a preposição "a" + verbo no infinitivo).

A colocação pronominal está correta: "nos graduávamos" (ênclise em verbo no início da oração) e "as recebiam" (próclise após pronome relativo "que"). Nenhum erro de norma-padrão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

  • "diplomávamo-nos": embora "diplomar-se" seja sinônimo de "formar-se", a forma "diplomávamo-nos" é estranha e pouco usual; além disso, a mesóclise "diplomávamo-nos" é inadequada (não há futuro do presente nem do pretérito). O correto seria "diplomávamo-nos"? Não — a forma verbal "diplomávamos" já contém a desinência de 1ª pessoa do plural; o pronome "nos" deveria vir em ênclise: "diplomávamo-nos" é aceitável, mas a construção é artificial.

  • "aceitavam-lhes": erro de regência. O verbo "aceitar" é transitivo direto (aceitar algo/alguém), não transitivo indireto. O pronome correto seria "as" (objeto direto), não "lhes" (objeto indireto). "Aceitavam-lhes" está gramaticalmente incorreto.

  • "se determinavam a aspirar": "aspirar" no sentido de "almejar" exige a preposição "a" (aspirar a algo), mas "determinavam-se a aspirar" é uma construção confusa e não preserva o sentido de "ousar" (ter coragem). "Determinar-se" significa "decidir-se", não "atrever-se".

Erro: troca de regência ("aceitavam-lhes") e troca de sentido ("determinavam-se" ≠ "ousavam").

Alternativa C — ❌ Incorreta

  • "davam-nos o canudo": expressão coloquial, inadequada ao registro formal do texto. Além disso, "dar o canudo" é uma metáfora informal para "formar-se", o que foge à norma-padrão exigida.

  • "refugiavam-as": "refugiar" significa "abrigar, proteger", não "acolher" no sentido de "admitir em uma especialidade". Há uma troca de sentido: o texto diz que as especialidades "acolhiam" as mulheres (admitiam-nas), não que as "refugiavam" (protegiam-nas).

  • "arriscavam-se a desejar": "arriscar-se a" significa "expor-se a perigo", e "desejar" não é sinônimo de "candidatar-se". O sentido original é "ter coragem de concorrer", não "arriscar-se a querer".

Erro: troca de sentido ("refugiar" ≠ "acolher"; "desejar" ≠ "candidatar-se") e registro inadequado ("dar o canudo").

Alternativa D — ❌ Incorreta

  • "nos titulávamos": "titular-se" é um neologismo pouco usado; o verbo "titular" não é sinônimo comum de "formar-se" no contexto acadêmico. A forma correta seria "obtínhamos o título", não "nos titulávamos".

  • "lhes abrigavam": erro de regência. "Abrigar" é transitivo direto (abrigar alguém), não indireto. O pronome correto seria "as", não "lhes". Além disso, "abrigar" tem sentido de "proteger", não de "acolher" no sentido de "admitir em uma especialidade".

  • "se dispunham a pleitear": "dispor-se a" significa "estar pronto para", e "pleitear" significa "requerer, solicitar". Embora "pleitear" seja próximo de "candidatar-se", "dispor-se a" não preserva o sentido de "ousar" (ter coragem). O texto diz que pouquíssimas "ousavam" (tinham coragem), não que "se dispunham" (estavam prontas).

Erro: troca de regência ("lhes abrigavam") e troca de sentido ("dispor-se" ≠ "ousar").

Alternativa E — ❌ Incorreta

  • "capacitávamos-nos": "capacitar-se" significa "tornar-se capaz", não "formar-se" no sentido de concluir o curso. Há uma troca de sentido: o texto diz que se formavam (concluíam o curso), não que se capacitavam (tornavam-se aptos).

  • "admitiam-as": embora "admitir" seja sinônimo de "acolher" no sentido de "aceitar", a construção "admitiam-as" está correta, mas o problema está nas outras substituições.

  • "decidiam inscrever-se": "decidir" significa "resolver", não "ousar" (ter coragem). O texto diz que pouquíssimas "ousavam" (tinham coragem de) candidatar-se, não que "decidiam" (resolviam) inscrever-se. Há uma troca de sentido.

Erro: troca de sentido ("capacitar-se" ≠ "formar-se"; "decidir" ≠ "ousar").

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sinônimos contextuais e sinônimos absolutos. "Acolher" e "receber" são sinônimos no contexto (admitir), mas "abrigar" e "refugiar" têm sentido de "proteger", não de "admitir". Além disso, a banca testa a regência: "aceitar" e "abrigar" são transitivos diretos (exigem "as", não "lhes").

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir expressões, teste cada uma em três níveis: (1) o sentido no contexto; (2) a regência do verbo; (3) a colocação pronominal. Se qualquer um falhar, a alternativa está errada.

Gabarito: letra A.

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