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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205492
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2024
Cargo
Fis CC ( )

Extraviei-me pela cidade na tarde de sábado e então me deixei bobear um pouco pela Cinelândia. Foi certamente uma lembrança antiga que me fez sentar na Brasileira; e, quando o garçom veio e perguntou o que eu desejava, foi um rapaz de 15 anos que disse dentro de mim: “waffles com mel”.

E disse meio assustado, como quem se resolve a fazer uma loucura.

 

Não sei por que, para aquele estudante de 15 anos, que dispunha apenas de 50 mil réis mensais para suas pequenas despesas, waffles com mel ficou sendo o símbolo do desperdício; era uma pequena loucura a que se aventurava raramente, sabendo que iria desequilibrar seu orçamento.

 

Talvez viesse do nome inglês o prestígio dos waffles.

E me lembro de ter encontrado na Cinelândia uma jovem rica de minha terra; aventurei-me, num gesto insensato, a convidá-la a entrar numa confeitaria e, depois de lhe ofertar, como um nababo1, waffles com mel (lembro até hoje seus dentes brancos e finos), levei minha loucura até as últimas consequências, depois de meia hora de conversa, para prendê-la na mesa (a tia esperava numa porta de cinema), de fazer questão absoluta que ela provasse uma Banana Real2! Era um insensato, o moço Braga.

(Rubem Braga. Cinelândia. Manchete, 15.05.1954. Adaptado)

1 nababo: indivíduo muito rico que ostenta grande luxo.

2 banana real: sobremesa ou lanche que consiste de fatias de bananas cortadas ao comprido, cobertas por bolas de sorvete e guarnecidas com caldas, frutas, castanhas moídas etc.

Leia o Texto para responder à questão.   Na situação relatada no texto, observa-se um narrador que
  1. Ase encontra sem rumo pela cidade, num sábado à tarde, quando conheceu uma jovem a quem cortejou.
  2. Bse recorda de uma ocasião em que, a despeito dos recursos limitados, tentou impressionar uma conterrânea sua.
  3. Cse gaba de sua condição atual, diferente da que tinha quando era jovem e que o impedia de provar doces mais requintados.
  4. Dse vale de artifícios que o faziam gastar mais dinheiro, mas que fariam com que sua tia não perdesse a paciência.
  5. Evacila ao tentar entender os motivos que o fizeram realizar um pedido na Brasileira, lugar para ele pouco significativo
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — se recorda de uma ocasião em que, a despeito dos recursos limitados, tentou impressionar uma conterrânea sua.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto narrativo: a paráfrase correta

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que parafraseia fielmente a situação central do texto: o narrador, já adulto, recorda uma ocasião da juventude em que, apesar dos recursos limitados ("50 mil réis mensais"), tentou impressionar uma conterrânea ("jovem rica de minha terra") oferecendo-lhe waffles com mel e uma Banana Real. Essa leitura é autorizada diretamente pelo trecho: "E me lembro de ter encontrado na Cinelândia uma jovem rica de minha terra; aventurei-me, num gesto insensato, a convidá-la a entrar numa confeitaria e, depois de lhe ofertar, como um nababo, waffles com mel". As demais alternativas ou extrapolam (acrescentam intenções e fatos que o texto não afirma) ou contradizem o que está escrito.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede que se observe "na situação relatada no texto" o que o narrador faz. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta deve ser uma paráfrase — uma reescritura que mantenha o sentido do texto, sem acrescentar nem suprimir informações. Não se trata de inferir algo nas entrelinhas, mas de reconhecer, entre as opções, aquela que reproduz com outras palavras o que o texto diz. Por isso, o método é: localizar a passagem que descreve a ação do narrador e comparar cada alternativa com ela, palavra por palavra, desconfiando de qualquer acréscimo.

O texto: memória e juventude

O texto é uma crônica memorialista. O narrador, já adulto, passeia pela Cinelândia e, ao pedir "waffles com mel" na Brasileira, é tomado por uma lembrança: quando tinha 15 anos, "waffles com mel" era o símbolo do desperdício para ele, que dispunha de apenas 50 mil réis mensais. A cena central é a recordação de ter convidado uma "jovem rica de minha terra" para uma confeitaria e, "como um nababo", ter-lhe oferecido waffles com mel e, depois, uma Banana Real. O tom é de nostalgia e autocrítica bem-humorada ("Era um insensato, o moço Braga"). A resposta mora exatamente nessa passagem: o narrador se recorda de um episódio em que, com recursos limitados, tentou impressionar a moça.

A técnica: paráfrase fiel × extrapolação

A armadilha central desta questão é a extrapolação: alternativas que soam plausíveis, mas que acrescentam informações que o texto não traz. Por exemplo, a letra A diz que o narrador "conheceu uma jovem a quem cortejou" — mas o texto não diz que ele a conheceu naquele momento; ele diz que se lembrou de tê-la encontrado. A letra C fala em "se gaba de sua condição atual" — o texto não menciona nenhuma condição atual do narrador, muito menos que ele se gabe dela. A letra D inventa um motivo ("fariam com que sua tia não perdesse a paciência") que não existe no texto. A letra E distorce: o narrador não "vacila ao tentar entender os motivos" — ele os explica com clareza ("Talvez viesse do nome inglês o prestígio dos waffles"). A única que se limita ao que está escrito é a B.

"E me lembro de ter encontrado na Cinelândia uma jovem rica de minha terra; aventurei-me, num gesto insensato, a convidá-la a entrar numa confeitaria e, depois de lhe ofertar, como um nababo, waffles com mel"

Esse trecho prova a letra B: o narrador se recorda ("me lembro") de uma ocasião em que, apesar dos recursos limitados ("50 mil réis mensais", "símbolo do desperdício"), tentou impressionar ("como um nababo", "gesto insensato") uma conterrânea ("jovem rica de minha terra"). Cada elemento da alternativa B encontra correspondência direta no texto.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa diz que o narrador "se encontra sem rumo pela cidade" e "conheceu uma jovem a quem cortejou". O texto diz que ele "se deixou bobear um pouco pela Cinelândia" — o que não é o mesmo que "sem rumo" — e, principalmente, não diz que ele conheceu a jovem naquele momento; ele se lembrou de tê-la encontrado. O verbo "conheceu" é um acréscimo que o texto não autoriza.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel. Como demonstrado, a alternativa reproduz com outras palavras a passagem central: "se recorda" = "me lembro"; "a despeito dos recursos limitados" = "50 mil réis mensais" e "símbolo do desperdício"; "tentou impressionar" = "como um nababo", "gesto insensato"; "conterrânea" = "jovem rica de minha terra". Nenhuma informação foi acrescentada ou suprimida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona a "condição atual" do narrador, nem que ele "se gaba" dela. A ideia de que ele agora poderia provar doces requintados é uma suposição que o leitor faz, mas que não está no texto. A alternativa projeta no narrador uma atitude que ele não expressa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que os artifícios "fariam com que sua tia não perdesse a paciência". O texto menciona a tia apenas como "a tia esperava numa porta de cinema" — não há nenhuma relação entre os gastos do narrador e a paciência da tia. A alternativa inventa uma motivação que o texto não sustenta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que o narrador "vacila ao tentar entender os motivos" do pedido. O texto, ao contrário, explica o motivo: "Talvez viesse do nome inglês o prestígio dos waffles" e "waffles com mel ficou sendo o símbolo do desperdício". Não há vacilação; há uma explicação, ainda que especulativa ("talvez"). Além disso, o lugar não é "pouco significativo" — é o cenário da lembrança.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com fatos plausíveis que o texto não traz — como "conheceu", "se gaba", "tia não perder a paciência". Teste cada alternativa perguntando: onde o texto autoriza isto?

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, sublinhe no texto os elementos que a alternativa correta deve conter (quem, o quê, quando, por quê) e confira um a um. Se a alternativa acrescentar qualquer detalhe novo, descarte.

Gabarito: letra B. A resposta é a única que permanece dentro do que o texto afirma, sem acrescentar nem contradizer nada. Memorize o critério: paráfrase correta = mesma informação, outras palavras.

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