Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2024

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu205494
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2024
Cargo
Fis CC ( )

Extraviei-me pela cidade na tarde de sábado e então me deixei bobear um pouco pela Cinelândia. Foi certamente uma lembrança antiga que me fez sentar na Brasileira; e, quando o garçom veio e perguntou o que eu desejava, foi um rapaz de 15 anos que disse dentro de mim: “waffles com mel”.

E disse meio assustado, como quem se resolve a fazer uma loucura.

 

Não sei por que, para aquele estudante de 15 anos, que dispunha apenas de 50 mil réis mensais para suas pequenas despesas, waffles com mel ficou sendo o símbolo do desperdício; era uma pequena loucura a que se aventurava raramente, sabendo que iria desequilibrar seu orçamento.

 

Talvez viesse do nome inglês o prestígio dos waffles.

E me lembro de ter encontrado na Cinelândia uma jovem rica de minha terra; aventurei-me, num gesto insensato, a convidá-la a entrar numa confeitaria e, depois de lhe ofertar, como um nababo1, waffles com mel (lembro até hoje seus dentes brancos e finos), levei minha loucura até as últimas consequências, depois de meia hora de conversa, para prendê-la na mesa (a tia esperava numa porta de cinema), de fazer questão absoluta que ela provasse uma Banana Real2! Era um insensato, o moço Braga.

(Rubem Braga. Cinelândia. Manchete, 15.05.1954. Adaptado)

1 nababo: indivíduo muito rico que ostenta grande luxo.

2 banana real: sobremesa ou lanche que consiste de fatias de bananas cortadas ao comprido, cobertas por bolas de sorvete e guarnecidas com caldas, frutas, castanhas moídas etc.

Leia o Texto para responder à questão.   Assinale a alternativa em que a frase com informações do texto está em conformidade com a norma-padrão de regência verbal e nominal.
  1. AA exemplo de alguém que se prontifica em cometer uma maluquice, pediu a iguaria ao garçom.
  2. BO doce simbolizava um desperdício para o jovem que tinha somente a 50 mil réis mensais.
  3. CO narrador não esquece de um encontro com uma jovem, a quem convidou entrar na confeitaria.
  4. DDificilmente o jovem se arriscava a pedir waffles com mel, pois isso interferiria no seu controle financeiro.
  5. EO jovem precisava, segundo o narrador, de qualquer modo saborear a uma Banana Real.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Dificilmente o jovem se arriscava a pedir waffles com mel, pois isso interferiria no seu controle financeiro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal e nominal: a norma-padrão na prática

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que todas as regências estão corretas: "se arriscava a pedir" (verbo arriscar-se rege a preposição a + verbo no infinitivo) e "interferiria no seu controle financeiro" (verbo interferir rege a preposição em). As demais alternativas apresentam desvios de regência, como se verá na análise de cada uma.

O comando pede que se assinale a frase "em conformidade com a norma-padrão de regência verbal e nominal". Isso significa que a questão não é de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada ao texto: é preciso verificar se as regências dos verbos e nomes estão de acordo com a norma culta. A técnica é testar cada alternativa perguntando: qual é a regência do verbo/nome em destaque e ela está correta?

O texto narra a lembrança do narrador sobre sua juventude, quando pedia waffles com mel na confeitaria Brasileira, na Cinelândia. O trecho-chave para a questão é o que descreve o ato de pedir a iguaria:

"e, quando o garçom veio e perguntou o que eu desejava, foi um rapaz de 15 anos que disse dentro de mim: 'waffles com mel'."

A partir dessa passagem, as alternativas reescrevem a cena com diferentes verbos, e o que se avalia é se a regência de cada um está correta.

A regência verbal trata da relação entre o verbo e seus complementos (objeto direto, objeto indireto). Cada verbo exige uma preposição específica (ou nenhuma). A regência nominal trata da relação entre um nome (substantivo, adjetivo, advérbio) e seu complemento, também regido por preposição. O erro mais comum em questões de regência é o uso de preposição indevida ou a ausência dela.

Regência verbal
  • 1Exige preposição
    • Arriscar-se a (pedir)
    • Interferir em (no controle)
    • Prontificar-se a (cometer)
    • Convidar a (entrar)
  • 2Não exige preposição
    • Ter (50 mil réis)
    • Saborear (uma Banana Real)
    • Esquecer (um encontro)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

"A exemplo de alguém que se prontifica em cometer uma maluquice, pediu a iguaria ao garçom."

O verbo prontificar-se rege a preposição a, não em. O correto é "se prontifica a cometer". A forma "prontificar-se em" é um desvio de regência verbal. O erro é de troca de preposição (regência verbal incorreta).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O doce simbolizava um desperdício para o jovem que tinha somente a 50 mil réis mensais."

O verbo ter é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. O correto é "tinha somente 50 mil réis mensais". A preposição a antes do numeral é indevida. O erro é de preposição indevida (regência verbal incorreta).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O narrador não esquece de um encontro com uma jovem, a quem convidou entrar na confeitaria."

Há dois problemas de regência aqui. Primeiro, o verbo esquecer pode ser usado como transitivo direto ("não esquece um encontro") ou como pronominal com a preposição de ("não se esquece de um encontro"). Na forma não pronominal, não se usa a preposição. Segundo, o verbo convidar rege a preposição a antes do infinitivo: "convidou a entrar". A frase "convidou entrar" omite a preposição. O erro é de dupla falha de regência (verbal).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Dificilmente o jovem se arriscava a pedir waffles com mel, pois isso interferiria no seu controle financeiro."

O verbo arriscar-se rege a preposição a + infinitivo: "se arriscava a pedir". O verbo interferir rege a preposição em: "interferiria no seu controle financeiro" (em + o = no). Ambas as regências estão corretas. A alternativa está em conformidade com a norma-padrão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"O jovem precisava, segundo o narrador, de qualquer modo saborear a uma Banana Real."

O verbo saborear é transitivo direto, não exige preposição. O correto é "saborear uma Banana Real". A preposição a antes do artigo é indevida. O erro é de preposição indevida (regência verbal incorreta).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre verbos que pedem preposição (arriscar-se a, interferir em) e verbos que não pedem (ter, saborear, convidar). A alternativa D é a única que acerta as duas regências.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de regência, identifique o verbo ou nome em destaque e pergunte: qual preposição ele exige? Se o verbo for transitivo direto, não use preposição. Se for transitivo indireto, use a preposição correta.

Gabarito: letra D — a única frase em que todas as regências verbais estão de acordo com a norma-padrão.

Link permanente: /questoes/vu205494