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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205496
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2024
Cargo
Adm ( )

Uma constante na doce relação entre os colunistas e seus leitores é que, na exigente opinião destes, todo colunista é um amnésico crônico – ao tratar de qualquer assunto, sempre deixa de citar alguém ou alguma coisa. Eles têm razão. Vide os comentários que começam por “Só se esqueceu de…” ou “Faltou dizer que…”. E, para vergonha do colunista, seguem-se os exemplos do que faltou ou foi esquecido.

 

Meu consolo é que nem sempre é por esquecimento. As colunas têm limite de tamanho – a que você está lendo não pode passar de 1 880 caracteres – e não permitem que se esgote o assunto. Às vezes, o colunista se vê diante de duas citações e só tem espaço para uma.

 

Daí tento aproveitar o espaço ao máximo, concentrando as ideias em poucas palavras, usando palavras mais curtas e apagando aquelas que se revelam redundantes. Qualquer advérbio de modo, por exemplo, é totalmente inútil. Se não acredita, corte o “totalmente” desta frase e veja se ela perde em sentido. Radicalizando a cirurgia, corte também o “por exemplo”, e verá que o sentido continua intacto. Com a extração dessas palavras ganham-se 20 caracteres, que podem ser necessários no caso de se ter de escrever “otorrinolaringologia”.

 

Em coluna recente, falei de como o Brasil tem mais faculdades de Direito do que a soma de todas no mundo, assim como somos imbatíveis em farmácias, agências de banco, supermercados, shoppings e lojas de colchões. […] Os leitores concordaram, mas disseram que faltou muita coisa.

 

E citaram: influencers, igrejas evangélicas, sites de apostas, botequins, motoqueiros, bocas de botox, academias de ginástica, gente tatuada, de mochila às costas, de boné ao contrário, de celular ao nariz. É verdade, faltou tudo isso. Mas, como não existe memória absoluta, desconfio que continua faltando alguém ou alguma coisa.

(Ruy Castro. Faltou dizer que. Disponível em: https://www.academia.org.br/artigos/faltou-dizer-que. 18.05.2024. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão seguinte.   É correto afirmar que o cronista
  1. Ajulga ofensivas e gratuitas as reiteradas críticas dos leitores ao conteúdo dos textos que publica.
  2. Bimagina existirem escritores que, diferentemente dele, não se esquecem de fatos relevantes.
  3. Clembra que colunistas enfrentam em seu trabalho um limite espacial para os textos que redigem.
  4. Dmenciona o erro de criticar a existência de uma enorme quantidade de cursos de Direito no Brasil.
  5. Econsidera que deve desculpas aos leitores por causa das recorrentes lacunas existentes em seus textos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — lembra que colunistas enfrentam em seu trabalho um limite espacial para os textos que redigem.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: o limite espacial das colunas

Gabarito: letra C. O cronista afirma que os colunistas enfrentam um limite espacial para os textos que redigem, como se lê no 2º parágrafo: "As colunas têm limite de tamanho – a que você está lendo não pode passar de 1 880 caracteres – e não permitem que se esgote o assunto." A alternativa C é a única que parafraseia fielmente essa passagem, sem acrescentar, restringir ou contradizer o que o texto diz.

O comando e o método

O enunciado pede "É correto afirmar que o cronista" — trata-se de uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve ser uma paráfrase (reescritura fiel) de uma informação explícita no texto, sem deduções ou acréscimos. O método é simples: localizar a passagem que sustenta cada alternativa e verificar se ela diz exatamente o que a alternativa afirma. Qualquer alternativa que exija "completar" o texto com informação de fora está errada por definição.

O texto e a tese

O cronista Ruy Castro discute a relação entre colunistas e leitores: os leitores sempre apontam lacunas nos textos, e o autor explica que nem sempre é por esquecimento — há um limite de tamanho (1 880 caracteres) que impede esgotar o assunto. Ele então descreve sua estratégia de "enxugar" o texto (cortar advérbios, palavras redundantes) para aproveitar o espaço, e ilustra com a coluna sobre faculdades de Direito, em que os leitores citaram muitas coisas que faltaram. A tese central é: as lacunas decorrem do limite espacial, não de amnésia.

A técnica que decide

A alternativa C é a única que não extrapola o texto. Ela afirma que o cronista "lembra que colunistas enfrentam em seu trabalho um limite espacial para os textos que redigem" — exatamente o que está escrito no 2º parágrafo. As demais alternativas cometem erros típicos de interpretação:

  • A (julga ofensivas as críticas): o texto diz que os leitores "têm razão" — não há juízo de ofensa.

  • B (imagina escritores que não se esquecem): o texto diz que "não existe memória absoluta" — o autor não imagina tal escritor.

  • D (menciona erro de criticar cursos de Direito): o texto apenas relata que o Brasil tem mais faculdades de Direito que o mundo todo; não há crítica a essa existência.

  • E (considera que deve desculpas): o texto não menciona pedido de desculpas; o autor apenas explica o limite espacial.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o cronista "julga ofensivas e gratuitas as reiteradas críticas dos leitores". O texto diz o oposto: "Eles têm razão" (1º parágrafo). O autor concorda com os leitores, não os considera ofensivos. A alternativa contradiz o texto ao inverter o juízo do autor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o cronista "imagina existirem escritores que, diferentemente dele, não se esquecem de fatos relevantes". O texto diz: "como não existe memória absoluta, desconfio que continua faltando alguém ou alguma coisa" (último parágrafo). O autor nega a existência de memória absoluta — logo, não imagina escritores que não se esquecem. A alternativa extrapola ao inventar uma ideia que o texto refuta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o cronista "lembra que colunistas enfrentam em seu trabalho um limite espacial para os textos que redigem". O texto diz, no 2º parágrafo:

"As colunas têm limite de tamanho – a que você está lendo não pode passar de 1 880 caracteres – e não permitem que se esgote o assunto."

A alternativa é uma paráfrase fiel: "limite espacial" = "limite de tamanho"; "colunistas enfrentam em seu trabalho" = "as colunas têm"; "textos que redigem" = "a que você está lendo". Não há acréscimo, restrição ou contradição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o cronista "menciona o erro de criticar a existência de uma enorme quantidade de cursos de Direito no Brasil". O texto diz: "falei de como o Brasil tem mais faculdades de Direito do que a soma de todas no mundo" (4º parágrafo). O autor relata o fato, mas não o critica nem menciona erro em criticá-lo. A alternativa extrapola ao acrescentar um juízo de valor que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o cronista "considera que deve desculpas aos leitores por causa das recorrentes lacunas existentes em seus textos". O texto não menciona pedido de desculpas; o autor apenas explica o limite espacial como causa das lacunas (2º parágrafo). A alternativa extrapola ao inventar um sentimento de culpa que não está expresso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — alternativas que parecem plausíveis (como A e E) mas acrescentam juízos ("ofensivas", "desculpas") que o texto não contém. A correta é a que parafraseia uma passagem literal.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a passagem que sustenta cada alternativa. Se a alternativa exigir "completar" o texto com algo que não está escrito, ela está errada.

Gabarito: letra C — a única inteiramente sustentada pelo texto, sem extrapolação, restrição ou contradição.

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