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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205513
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2024
Cargo
Alun Of ( )

SONETO VIII

 

Pede o desejo, dama, que vos veja,

Não entende o que pede, está enganado.

É este amor tão fino e tão delgado1,

Que quem o tem não sabe o que deseja.

 

Não há cousa a qual natural seja

Que não queira perpétuo seu estado,

Não quer logo o desejo o desejado,

Por que não falte nunca onde sobeja2.

 

Mas este puro afeito3 em mim se dana,

Que como a grave4 pedra tem por arte

O centro desejar da natureza.

 

Assi5 o pensamento (pela parte

Que vai tomar de mim, terrestre, humana)

Foi, senhora, pedir esta baixeza.

(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)

1 delgado: delicado.

2 sobejar: sobrar, ter em excesso.

3 afeito: afeto, sentimento.

4 grave: pesada.

5 assi: assim.

Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.   Na terceira estrofe, ao comparar seu sentimento com uma pedra, o eu lírico reforça
  1. Aa inevitabilidade do amor.
  2. Ba resistência da mulher amada.
  3. Ca brutalidade do desejo.
  4. Do término do relacionamento.
  5. Eo fundamento da arte poética.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a inevitabilidade do amor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A inevitabilidade do amor na comparação com a pedra

Gabarito: letra A. Na terceira estrofe, o eu lírico compara seu sentimento a uma pedra que, por sua natureza, deseja o centro da terra — movimento inevitável, irresistível. Essa comparação reforça a inevitabilidade do amor, como se lê nos versos: "Que como a grave pedra tem por arte / O centro desejar da natureza". A pedra não escolhe cair; ela obedece a uma lei natural. Assim, o amor também não é uma escolha, mas uma força que se impõe ao eu lírico.

O comando pede que você identifique o que a comparação com a pedra reforça — ou seja, qual ideia central do poema é sublinhada por essa imagem. Não se trata de localizar uma informação explícita, mas de interpretar o efeito de sentido da metáfora. A resposta deve estar ancorada no texto, não em suposições externas.

O poema desenvolve um raciocínio sobre o desejo: ele pede para ver a dama, mas não entende o que pede (1ª estrofe); o desejo não quer o desejado, para que nunca falte (2ª estrofe); na 3ª estrofe, o eu lírico diz que seu "puro afeito" se corrompe, pois, como a pedra, tende ao centro — ou seja, à "baixeza" (4ª estrofe). A comparação com a pedra é central: a pedra cai por natureza, sem resistir; o pensamento do eu lírico, na parte terrestre e humana, também cai — pede a baixeza. Essa queda é apresentada como algo natural, inevitável, não como uma escolha consciente.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta ideia, ou ela exige acrescentar algo de fora? A alternativa correta é a que encontra eco direto nos versos; as demais ou extrapolam, ou contradizem, ou tangenciam o que está escrito.

1O que a pedra faz
Deseja o centro da terra
Lei natural, irresistível
2O que isso reforça
Amor inevitável
Não é escolha
3O que NÃO sustenta
Resistência da amada
Brutalidade do desejo
Término da relação
Arte poética
Comparação com a pedra
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Comparação com a pedra: O que a pedra faz (Deseja o centro da terra, Lei natural, irresistível); O que isso reforça (Amor inevitável, Não é escolha); O que NÃO sustenta (Resistência da amada, Brutalidade do desejo, Término da relação, Arte poética)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A comparação com a pedra reforça a inevitabilidade do amor. O texto diz:

"Que como a grave pedra tem por arte / O centro desejar da natureza."

A pedra, por ser pesada, deseja o centro da terra — isso é uma lei natural, irresistível. O eu lírico usa essa imagem para dizer que seu sentimento também é algo que não pode evitar: assim como a pedra cai, ele se deixa levar pelo desejo. A palavra "arte" aqui significa "natureza", "propriedade", ou seja, é da essência da pedra buscar o centro. Logo, o amor é apresentado como algo inevitável, que se impõe ao sujeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "resistência da mulher amada", mas o texto não menciona nenhuma resistência da dama. O poema trata do desejo do eu lírico e da natureza desse desejo; a mulher é apenas o objeto do pedido ("Pede o desejo, dama, que vos veja"). Não há qualquer referência a uma recusa ou oposição da amada. Erro: extrapolação — acrescenta informação que não está no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "brutalidade do desejo", mas a comparação com a pedra não sugere violência ou agressividade. A pedra é descrita como algo que deseja o centro por natureza, não como algo que age com brutalidade. O desejo, no poema, é apresentado como algo fino e delgado (1ª estrofe), ou seja, delicado, não brutal. Erro: troca de conceito — confunde a imagem da pedra (que cai por atração natural) com uma ideia de força bruta que o texto não sustenta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "término do relacionamento", mas o poema não menciona nenhum fim de relação. O eu lírico fala do desejo e da queda do pensamento, mas não há qualquer referência a um rompimento. Erro: extrapolação — inventa um desfecho que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "fundamento da arte poética", mas o poema não discute a poesia ou a arte de fazer versos. O texto é um soneto de amor, que trata do desejo e da natureza desse sentimento. A comparação com a pedra serve para explicar o comportamento do eu lírico, não para falar de poesia. Erro: fuga ao tema — aborda assunto que o texto não trata.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de associar "pedra" a dureza/brutalidade (alternativa C) ou a resistência (B), quando o texto enfatiza a atração natural da pedra pelo centro, ou seja, a inevitabilidade.

PEGA ESSA DICA!

Ao comparar, pergunte: o que a pedra faz no texto? Ela deseja o centro — isso é uma lei natural. O amor, então, é algo que não se pode evitar. Essa é a chave.

Gabarito: letra A — a única que encontra eco direto nos versos da terceira estrofe.

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