Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — VUNESP 2024
Português›Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
vu205516
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2024
Cargo
Alun Of ( )
SONETO VIII
Pede o desejo, dama, que vos veja,
Não entende o que pede, está enganado.
É este amor tão fino e tão delgado1,
Que quem o tem não sabe o que deseja.
Não há cousa a qual natural seja
Que não queira perpétuo seu estado,
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja2.
Mas este puro afeito3 em mim se dana,
Que como a grave4 pedra tem por arte
O centro desejar da natureza.
Assi5 o pensamento (pela parte
Que vai tomar de mim, terrestre, humana)
Foi, senhora, pedir esta baixeza.
(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)
1 delgado: delicado.
2 sobejar: sobrar, ter em excesso.
3 afeito: afeto, sentimento.
4 grave: pesada.
5 assi: assim.
Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão. “Que como a grave pedra tem por arte O centro desejar da natureza.” Em ordem direta, esses versos assumem a seguinte forma:
AComo a pedra grave tem que desejar o centro por arte da natureza.
BQue a grave pedra, por natureza, tem como desejar o centro da arte.
CO centro da arte tem que desejar a pedra grave como por natureza.
DO centro grave da pedra tem, por arte, que desejar como a natureza.
EComo por arte da natureza, o centro tem que desejar a pedra grave.
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GabaritoA — Como a pedra grave tem que desejar o centro por arte da natureza.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescritura em ordem direta: a sintaxe do soneto
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que reorganiza os versos "Que como a grave pedra tem por arte / O centro desejar da natureza" em ordem direta (sujeito + verbo + complemento) sem alterar o sentido e sem inverter os papéis sintáticos. A passagem original, em ordem indireta, diz que a pedra pesada tem, por natureza/arte, o desejo de buscar o centro; a reescrita correta mantém "a pedra grave" como sujeito de "tem" e "desejar o centro" como objeto, exatamente como a letra A faz.
"Que como a grave pedra tem por arte / O centro desejar da natureza."
A questão pede uma reescritura — não uma interpretação livre, mas uma reorganização sintática que preserve o sentido e a estrutura lógica. O comando "em ordem direta" indica que devemos colocar os termos na sequência canônica: sujeito → verbo → complemento, eliminando as inversões poéticas (hipérbatos) típicas de Camões.
A técnica que decide: identifique o sujeito e o verbo da oração. No trecho, o verbo é "tem" (3ª pessoa do singular). Quem tem? "A grave pedra" — é o sujeito. O que ela tem? "desejar o centro" — é o objeto direto (uma oração substantiva reduzida de infinitivo). O adjunto adverbial "por arte" (= por natureza, naturalmente) modifica o verbo. Assim, a ordem direta é: "A pedra grave tem, por arte, desejar o centro" — ou, com o adjunto deslocado, "Como a pedra grave tem que desejar o centro por arte da natureza" (a letra A).
A armadilha central: a banca inverte os papéis sintáticos nas distratoras, fazendo o "centro" virar sujeito ou objeto de forma equivocada. Em várias alternativas, o "centro" passa a ser o sujeito de "desejar" ou o objeto de "tem", o que contradiz o texto — no original, quem deseja é a pedra, não o centro. Além disso, algumas trocam "arte" por "natureza" ou embaralham os complementos, extrapolando o que está escrito.
Ordem direta (sujeito → verbo → complemento): Sujeito: "a grave pedra"; Verbo: "tem"; Objeto: "desejar o centro"; Adjunto: "por arte" (= por natureza); Preserva papéis sintáticos; Inverte sujeito/objeto (distratoras)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A letra A reescreve corretamente: "Como a pedra grave tem que desejar o centro por arte da natureza." Aqui, "a pedra grave" é o sujeito de "tem", "desejar o centro" é o objeto direto, e "por arte da natureza" é o adjunto adverbial. A ordem é direta (sujeito + verbo + complemento) e o sentido é preservado: a pedra pesada, por natureza, deseja o centro. A única diferença é a inserção da preposição "que" antes do infinitivo, que é uma variação aceitável (equivale a "tem o desejo de"), e a explicitação de "da natureza" como complemento de "arte", que já estava implícito no original ("por arte" = por natureza).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Que a grave pedra, por natureza, tem como desejar o centro da arte." Aqui, "como desejar" muda o sentido: no original, a pedra tem o desejo (objeto), não tem um modo de desejar. Além disso, "o centro da arte" inverte a relação: no texto, o centro é o objeto do desejo, não um complemento de "arte". A alternativa troca o sentido e restringe o alcance do verbo "tem".
Alternativa C — ❌ Incorreta
"O centro da arte tem que desejar a pedra grave como por natureza." Aqui, o sujeito vira "o centro" e o objeto vira "a pedra grave" — exatamente o inverso do original. No texto, quem deseja é a pedra, não o centro. A alternativa contradiz o texto ao inverter os papéis sintáticos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"O centro grave da pedra tem, por arte, que desejar como a natureza." Novamente, o sujeito é "o centro" (e ainda "grave da pedra", o que é um absurdo semântico), e "como a natureza" é um adjunto comparativo que não existe no original. A alternativa extrapola ao acrescentar uma comparação e inverte o sujeito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Como por arte da natureza, o centro tem que desejar a pedra grave." Aqui, "o centro" é o sujeito de "tem" e "a pedra grave" é o objeto — novamente invertido. Além disso, "como por arte da natureza" é um adjunto deslocado que não corresponde à estrutura original. A alternativa contradiz o texto ao trocar os papéis.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão sintática típica da poesia: em vez de "a pedra deseja o centro", ela oferece "o centro deseja a pedra" em várias roupagens. Identifique sempre o sujeito e o verbo antes de reescrever.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "ordem direta", sublinhe o verbo e pergunte: quem pratica a ação? Esse é o sujeito. Depois, o que recebe a ação? Esse é o objeto. A alternativa que mantiver essa relação é a correta.
Conclusão: a reescrita em ordem direta exige preservar os papéis sintáticos do original. A única alternativa que mantém "a pedra grave" como sujeito e "desejar o centro" como objeto é a letra A — as demais invertem ou extrapolam o sentido.