Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2024
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
vu205530
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
Esc ( )
Aliança de delinquentes
Após a visita do ditador Kim Jong-un à Rússia em 2023, Vladimir Putin retribuiu a gentileza e viajou, pela primeira vez em 24 anos, à Coreia do Norte. Os frutos imediatos são mais munição para Moscou em troca de um arremedo de legitimidade para o tirano mais isolado do mundo. Há mais coisas no escambo. Os dois anunciaram uma “parceria estratégica ampla”, cujos detalhes são desconhecidos. Mas, apesar das declarações de Putin sobre os laços históricos dos dois países e das juras de Kim por um “relacionamento inquebrantável de companheiros de armas”, a profundidade dessa parceria tem limites, e China e Coreia do Sul não deixarão de enfatizá-los.
Uma das poucas coisas que Pyongyang* tem em abundância são granadas e mísseis a granel para municiar a guerra de atrito da Rússia na Ucrânia. Moscou expandiu as exportações de combustíveis e alimentos à Coreia do Norte, que ademais serve a Putin como laboratório para testar mecanismos para burlar sanções e sabotar instituições multilaterais. O risco maior e mais opaco é a transferência de tecnologias militares russas ligadas a satélites, submarinos, foguetes hipersônicos e, sobretudo, arsenais nucleares.
À China interessa o prolongamento da guerra na Europa, mas não sua escalada; interessa a sustentação do regime de Kim, mas não seu empoderamento; interessa o confronto com o Ocidente, mas não a percepção de que ela compõe um “bloco” ou “eixo” com Rússia e Coreia do Norte.
Nem por isso o Ocidente pode negligenciar a necessidade de fortalecer parcerias no Pacífico e explorar as dissensões entre os “amigos” autocratas. Os dois parecem cada vez mais desesperados, isolados e acuados. Mas tudo isso os torna mais, não menos perigosos.
Considere as passagens do texto. • … a profundidade dessa parceria tem limites… • À China interessa o prolongamento da guerra na Europa […]; interessa a sustentação do regime de Kim… • …mas não a percepção de que ela compõe um “bloco” ou “eixo” com Rússia e Coreia do Norte. Em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal, as passagens permitem, respectivamente, as reescritas:
ADevem haver limites para a profundidade dessa parceria. / Interessam à China o prolongamento da guerra na Europa e a sustentação do regime de Kim. / Mas não a percepção de que Rússia, Coreia do Norte e ela compõe um “bloco” ou “eixo”.
BDeve existir limites para a profundidade dessa parceria. / O prolongamento da guerra na Europa e a sustentação do regime de Kim interessam à China. / Mas não a percepção de que compõem um “bloco” ou “eixo” Rússia, Coreia do Norte e ela.
CExistem limites para a profundidade dessa parceria. / Interessa à China o prolongamento da guerra na Europa e a sustentação do regime de Kim. / Mas não a percepção de que Rússia, Coreia do Norte e ela compõem um “bloco” ou “eixo”.
DHá limites para a profundidade dessa parceria. / O prolongamento da guerra na Europa e a sustentação do regime de Kim interessa à China. / Mas não a percepção de que compõe um “bloco” ou “eixo” Rússia, Coreia do Norte e ela.
EHão de haver limites para a profundidade dessa parceria. / Interessam à China o prolongamento da guerra na Europa e a sustentação do regime de Kim. / Mas não a percepção de que Rússia, Coreia do Norte e ela compõe um “bloco” ou “eixo”.
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GabaritoC — Existem limites para a profundidade dessa parceria. / Interessa à China o prolongamento da guerra na Europa e a sustentação do regime de Kim. / Mas não a percepção de que Rússia, Coreia do Norte e ela compõem um “bloco” ou “eixo”.
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Concordância verbal em reescritas: o verbo e seu sujeito
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que respeita, nas três reescritas, a concordância verbal exigida pela norma-padrão: na primeira, o verbo existir concorda com o sujeito limites (plural); na segunda, o verbo interessar concorda com o núcleo mais próximo do sujeito composto posposto (prolongamento, singular); na terceira, o verbo compor concorda com o sujeito composto Rússia, Coreia do Norte e ela (plural). As demais alternativas erram ao usar haver impessoal com plural indevido, ao flexionar o verbo no singular com sujeito composto anteposto, ou ao empregar compõe com sujeito plural.
O comando: reescrita sem alterar o sentido
A questão pede que você reescreva as passagens do texto em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal. Isso significa que você deve avaliar cada reescrita como uma nova frase, verificando se o verbo está corretamente flexionado em relação ao seu sujeito. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar regras de concordância verbal — e a banca mistura três casos clássicos: verbo haver impessoal, sujeito composto posposto e sujeito composto anteposto.
O texto: as passagens e seus sujeitos
As três passagens do texto são:
"… a profundidade dessa parceria tem limites…"
Aqui, o sujeito é a profundidade dessa parceria (singular), e o verbo tem concorda com ele. A reescrita deve manter o sentido de existência de limites.
"À China interessa o prolongamento da guerra na Europa […]; interessa a sustentação do regime de Kim…"
Nesta passagem, o verbo interessar está no singular porque o sujeito é o prolongamento da guerra na Europa (singular). A reescrita pode manter a ordem ou inverter, mas a concordância deve ser respeitada.
"…mas não a percepção de que ela compõe um “bloco” ou “eixo” com Rússia e Coreia do Norte."
Aqui, o sujeito de compõe é ela (singular), referindo-se à China. A reescrita pode explicitar o sujeito composto Rússia, Coreia do Norte e ela, exigindo o verbo no plural.
A técnica: três regras de ouro
1. Verbo HAVER impessoal: quando o verbo haver tem sentido de existir, ele é impessoal e fica sempre no singular. A locução "há de haver" também é impessoal, mas o auxiliar "hão" concorda com o sujeito da oração principal — que, nesse caso, não existe, pois a oração é sem sujeito. Portanto, "hão de haver" está errado; o correto seria "há de haver" (singular).
2. Sujeito composto posposto: quando o sujeito composto vem depois do verbo, a concordância pode ser feita com todos os núcleos (plural) ou com o núcleo mais próximo (singular). Exemplo: "Interessam à China o prolongamento e a sustentação" (plural) ou "Interessa à China o prolongamento e a sustentação" (singular, concordando com prolongamento).
3. Sujeito composto anteposto: quando o sujeito composto vem antes do verbo, a concordância é obrigatoriamente no plural. Exemplo: "Rússia, Coreia do Norte e ela compõem" (plural).
Análise das alternativas
Concordância verbal: Verbo HAVER (existir) (Impessoal → sempre singular, "Devem haver" / "Hão de haver"); Verbo EXISTIR (Pessoal → concorda com o sujeito, "Deve existir limites"); Sujeito composto posposto (Facultativo: plural ou núcleo mais próximo, "Interessam" / "Interessa"); Sujeito composto anteposto (Obrigatório plural, "compõem")
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: na primeira reescrita, "Devem haver limites" está errado. O verbo haver é impessoal e deve ficar no singular: "Deve haver limites". O auxiliar "devem" concorda com o sujeito da oração principal, que não existe (oração sem sujeito). Portanto, a forma correta é "Deve haver".
Na segunda reescrita, "Interessam à China o prolongamento e a sustentação" está correta (sujeito composto posposto, concordância no plural).
Na terceira reescrita, "Rússia, Coreia do Norte e ela compõe" está errada: o sujeito composto anteposto exige o verbo no plural (compõem).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: na primeira reescrita, "Deve existir limites" está errado. O verbo existir é pessoal e deve concordar com o sujeito limites (plural): "Devem existir limites".
Na segunda reescrita, "O prolongamento e a sustentação interessam à China" está correta (sujeito composto anteposto, verbo no plural).
Na terceira reescrita, "compõem um bloco ou eixo Rússia, Coreia do Norte e ela" está correta (sujeito composto posposto, verbo no plural).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Análise:
"Existem limites para a profundidade dessa parceria" — o verbo existir concorda com o sujeito limites (plural). ✅
"Interessa à China o prolongamento da guerra na Europa e a sustentação do regime de Kim" — o verbo interessar concorda com o núcleo mais próximo do sujeito composto posposto (prolongamento, singular). ✅
"Mas não a percepção de que Rússia, Coreia do Norte e ela compõem um “bloco” ou “eixo”" — o verbo compor concorda com o sujeito composto anteposto Rússia, Coreia do Norte e ela (plural). ✅
Todas as três reescritas respeitam a norma-padrão de concordância verbal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: na segunda reescrita, "O prolongamento e a sustentação interessa à China" está errado. O sujeito composto anteposto exige o verbo no plural: "interessam".
Na primeira reescrita, "Há limites" está correta (verbo haver impessoal no singular).
Na terceira reescrita, "compõe um bloco ou eixo Rússia, Coreia do Norte e ela" está errada: o sujeito composto posposto exige o verbo no plural (compõem).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: na primeira reescrita, "Hão de haver limites" está errado. O verbo haver é impessoal e deve ficar no singular: "Há de haver limites". O auxiliar "hão" concorda com o sujeito da oração principal, que não existe (oração sem sujeito).
Na segunda reescrita, "Interessam à China o prolongamento e a sustentação" está correta (sujeito composto posposto, concordância no plural).
Na terceira reescrita, "Rússia, Coreia do Norte e ela compõe" está errada: o sujeito composto anteposto exige o verbo no plural (compõem).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o verbo haver impessoal (sempre singular) e o verbo existir (pessoal, concorda com o sujeito). Além disso, testa a concordância com sujeito composto posposto (facultativa) e anteposto (obrigatória no plural).
PEGA ESSA DICA!
Identifique o sujeito de cada verbo antes de avaliar a concordância. Pergunte: "quem pratica a ação?" — se o sujeito for composto e estiver antes do verbo, use o plural; se estiver depois, pode concordar com o mais próximo.
Conclusão: a alternativa C é a única que acerta as três reescritas, respeitando a norma-padrão de concordância verbal. As demais erram ao usar haver impessoal com plural indevido, ao flexionar o verbo no singular com sujeito composto anteposto, ou ao empregar compõe com sujeito plural.