Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205537
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
Esc ( )
Recuemos cinco séculos no tempo. Vemos uma Europa, que então era o mundo, saída da Idade Média, possuída pela febre tão inquietante quanto bela e fértil do Renascimento, e paradoxalmente, envolta em guerras religiosas e conquistas.
Na Península Ibérica, a inquietação criadora tomou outra forma. Povos de navegadores não mais se conformavam em olhar e apenas imaginar o que haveria além do horizonte atlântico. Pagaram para ver, com risco de suas próprias vidas. Tomando o rumo oeste em pequenas embarcações, Colombo (1492) e Cabral (1500) descobriram o Novo Mundo.
Havia, no entanto, muito a descobrir. Desde o fim do século XIII, os europeus sabiam da existência do Grande Império da China, através da narrativa de Marco Polo que lá vivera cerca de 20 anos. Em seu livro, ele fazia referência ao Japão como um país fantasticamente rico, inatingido, localizado ao lado da costa chinesa. Todavia, dois séculos e meio transcorreriam antes que um europeu pisasse em território dos japoneses.
Com a chegada a Tanegashima, praticamente os portugueses completaram seus postulados, desenhos dos continentes e mares, que constituíam os primeiros mapas de navegação.
No primeiro encontro em Tanegashima, os japoneses conheceram a espingarda, que iria alterar profundamente o comportamento bélico de um povo exímio no uso da espada e do arco e flecha. Em 1546, três anos após o primeiro encontro, três naus portuguesas chegaram a Kyushu, dando início ao intercâmbio comercial com o Japão. Durante quatro décadas, até 1587 (quando chegam os espanhóis), os portugueses foram os únicos parceiros europeus no intercâmbio com o Japão.
(Aliança Cultural Brasil-Japão. Cultura Japonesa: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba. Adaptado)
No texto, identifica-se uma relação de coesão e de sentido entre as seguintes expressões:
Apovo exímio – os portugueses.
BPenínsula Ibérica – Novo Mundo.
CTanegashima – seus postulados.
Da narrativa de Marco Polo – Em seu livro.
EIdade Média – febre tão inquietante.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — a narrativa de Marco Polo – Em seu livro.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Coesão referencial: a retomada por pronome possessivo
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que as duas expressões mantêm uma relação de coesão referencial — "a narrativa de Marco Polo" é retomada por "Em seu livro", em que o possessivo seu remete a Marco Polo. Como se lê no 3º parágrafo: "os europeus sabiam da existência do Grande Império da China, através da narrativa de Marco Polo que lá vivera cerca de 20 anos. Em seu livro, ele fazia referência ao Japão...". O pronome seu é o elo coesivo que liga as duas expressões.
O comando: o que a banca pede
A questão pede que você identifique uma relação de coesão e de sentido entre duas expressões. Isso significa: qual par de expressões está ligado por um mecanismo coesivo — ou seja, uma expressão retoma a outra, evitando repetição. Não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer o fio que une as palavras no texto.
O texto: onde mora a resposta
O texto narra a chegada dos portugueses ao Japão. No 3º parágrafo, o autor fala do conhecimento europeu sobre a China e o Japão:
"os europeus sabiam da existência do Grande Império da China, através da narrativa de Marco Polo que lá vivera cerca de 20 anos. Em seu livro, ele fazia referência ao Japão como um país fantasticamente rico"
Aqui, "Em seu livro" retoma "a narrativa de Marco Polo": o possessivo seu refere-se a Marco Polo, e "livro" é sinônimo de "narrativa". É uma coesão referencial por pronome possessivo — um dos mecanismos clássicos de retomada, que evita repetir o nome próprio.
A técnica: como reconhecer a coesão referencial
Coesão referencial é o mecanismo que liga um termo a outro já mencionado (anáfora) ou que será mencionado (catáfora), usando pronomes, sinônimos, hiperônimos, etc. No par da alternativa D, o pronome possessivo seu é o elo: ele aponta para Marco Polo, e "livro" retoma "narrativa". É uma relação direta e inequívoca.
As demais alternativas falham porque os pares não têm vínculo coesivo — são apenas palavras que aparecem próximas no texto, mas sem retomada. Vejamos cada uma.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"povo exímio" refere-se aos japoneses, não aos portugueses. O texto diz: "os japoneses conheceram a espingarda, que iria alterar profundamente o comportamento bélico de um povo exímio no uso da espada e do arco e flecha". O termo "povo exímio" é uma caracterização dos japoneses, não uma retomada dos portugueses. A alternativa troca o referente — erro de troca_conceito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Península Ibérica" e "Novo Mundo" são lugares diferentes mencionados no texto, mas não há relação coesiva entre eles. A Península Ibérica é o ponto de partida dos navegadores; o Novo Mundo é o destino. São termos independentes, sem retomada. A alternativa tangencia o tema, pois fala de elementos do texto, mas sem vínculo coesivo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Tanegashima" e "seus postulados" — o possessivo "seus" refere-se aos portugueses, não a Tanegashima. O texto diz: "Com a chegada a Tanegashima, praticamente os portugueses completaram seus postulados". O pronome "seus" retoma "portugueses", não o lugar. A alternativa confunde o referente — erro de troca_conceito.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como vimos, "a narrativa de Marco Polo" é retomada por "Em seu livro". O possessivo seu refere-se a Marco Polo, e "livro" é sinônimo de "narrativa". É uma coesão referencial por pronome possessivo — o elo é claro e direto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Idade Média" e "febre tão inquietante" — a "febre" é uma metáfora para o Renascimento, não uma retomada da Idade Média. O texto diz: "saída da Idade Média, possuída pela febre tão inquietante quanto bela e fértil do Renascimento". A febre refere-se ao Renascimento, não à Idade Média. A alternativa troca o referente — erro de troca_conceito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece pares que estão no mesmo parágrafo, mas sem vínculo coesivo direto. A única com retomada real é a D, com o pronome possessivo.
PEGA ESSA DICA!
Ao procurar coesão referencial, pergunte: "qual termo retoma qual?" Se não houver pronome, sinônimo ou elipse ligando os dois, não há coesão.
Conclusão: a relação de coesão e sentido está apenas na alternativa D, em que "Em seu livro" retoma "a narrativa de Marco Polo". As demais ou trocam o referente ou não estabelecem vínculo coesivo.