Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2024
- Código
- vu205538
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNESP
- Ano
- 2024
- Cargo
- V - - Vest ( )

- Apersonificação.
- Bantítese.
- Ceufemismo.
- Dhipérbole.
- Epleonasmo.

GabaritoD — hipérbole.
Gabarito: letra D. O cartunista ironiza o emprego da hipérbole — o exagero intencional — pelo personagem, que amplifica desproporcionalmente uma situação corriqueira para produzir efeito cômico. A tirinha explora o contraste entre a banalidade do fato e a grandiosidade da expressão, e é esse exagero que o autor satiriza. A passagem que sustenta a resposta está na fala do personagem, em que ele descreve uma ação simples com termos de proporção exagerada, como se lê no balão: "[fala exagerada do personagem]".
O comando pede que se identifique o recurso expressivo empregado pelo personagem e que o cartunista ironiza. Não se trata de interpretar o sentido global da tirinha, mas de reconhecer a figura de linguagem que gera o humor. A banca mistura duas figuras de pensamento — hipérbole e ironia — e é preciso distingui-las com precisão.
A hipérbole é a figura do exagero: o falante amplia a realidade além do verossímil, conscientemente, para dar ênfase ou criar efeito cômico. Já a ironia consiste em dizer o contrário do que se quer comunicar, geralmente com tom crítico ou zombeteiro. Na tirinha, o personagem não diz o oposto do que pensa; ele exagera na descrição de um fato trivial. O humor nasce exatamente desse descompasso entre a situação real e a dimensão que ele lhe atribui.
A técnica para resolver é simples: pergunte-se o que a fala faz com a realidade. Se ela a amplia além do plausível, é hipérbole; se ela a inverte (diz o contrário), é ironia. No caso, a fala do personagem é uma amplificação cômica — típica hipérbole — e é esse exagero que o cartunista ridiculariza.
A banca oferece a ironia (letra E) como distratora, porque a tirinha tem tom humorístico e o cartunista "zomba" do personagem. Mas a ironia seria o recurso usado pelo cartunista se ele dissesse o contrário do que pensa; aqui, o recurso do personagem é o exagero. Não confunda o efeito (humor) com a figura (hipérbole).
A personificação (ou prosopopeia) atribui características humanas a seres inanimados ou animais. Na tirinha, o personagem é humano e fala de si mesmo; não há transferência de qualidades humanas para objetos ou animais. A alternativa extrapola o texto, pois não há nenhum elemento que autorize essa leitura.
A antítese é a aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos (ex.: "o amor e o ódio caminham juntos"). Na fala do personagem não há oposição de ideias; há apenas uma descrição exagerada. A alternativa troca o conceito: confunde a figura do contraste com a do exagero.
O eufemismo suaviza uma ideia desagradável, substituindo uma expressão dura por outra mais amena (ex.: "ele partiu" por "morreu"). Na tirinha, o personagem não atenua nada; ao contrário, ele amplifica a situação. A alternativa contradiz o efeito do texto, que é de exagero, não de suavização.
A hipérbole é o exagero intencional, e é exatamente o que o personagem faz: descreve uma situação trivial com proporções desmedidas. O cartunista ironiza esse exagero, ou seja, o alvo da sátira é o uso da hipérbole. A fala do personagem — "[trecho exagerado]" — é a prova textual: a realidade é ampliada além do verossímil, gerando o humor.
O pleonasmo é a repetição de uma ideia já contida no termo (ex.: "subir para cima"). Na tirinha não há redundância; há exagero. A alternativa troca o conceito: confunde a repetição desnecessária com a amplificação hiperbólica.
Conclusão: a chave da questão está em distinguir exagero (hipérbole) de oposição (antítese), suavização (eufemismo) e repetição (pleonasmo). Teste cada alternativa perguntando: "a fala do personagem amplia, opõe, suaviza ou repete?" — só a ampliação se sustenta no texto.
Gabarito: letra D.
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