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Questão de Português — Variações da Linguagem: Não Verbal, Regional, Histórica, Contextual. Neologismos e Estrangeirismos — VUNESP 2024

PortuguêsVariações da Linguagem: Não Verbal, Regional, Histórica, Contextual. Neologismos e Estrangeirismos
Código
vu205550
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2024
Cargo
V - - Vest ( )

Fogo-fátuo é o nome pelo qual se conhece o Mboi-tatá, que em nhengatu significa “cobra de fogo”. Ele é um ser visajento1, brilhante, que para os Maraguá, e especialmente para os habitantes do rio Urariá, se apresenta como uma luz que pinga, como se fosse uma vela.

 

Certa vez, um rapaz de uma aldeia saiu para ir a uma festa na aldeia vizinha. Muito interessado nas moças, ele demorou muito e acabou voltando depois da meia-noite. Como não havia levado lamparina para alumiar o caminho, foi andando aos tropeções pelo cacoal2 de uns dois quilômetros que separava as duas aldeias. Sempre é perigoso andar por dentro do cacoal, pois a luz do luar não atravessa as árvores, e muitas vezes há cobras venenosas, como a surukuku, a mais temida da região.

 

O rapaz vinha o tempo todo olhando para trás, torcendo para que viesse alguém com uma lamparina. Mas não vinha ninguém, e ele continuava andando, sempre com muito medo de ser picado por alguma cobra. De repente ele avistou uma luz muito ao longe e resolveu esperar, achando que fosse alguém da aldeia que vinha na sua direção. Quando a luz se aproximou, ele chamou:

 

— Olá, amigo, quem é você?

 

Só que ninguém respondeu. O rapaz recomeçou a andar, bem devagarinho, e meio cismado tornou a falar:

 

— Olá, amigo, está indo para a aldeia?

 

Mais uma vez, ninguém respondeu.

 

Muito desconfiado, o rapaz acelerou o passo. A luz se tornou mais forte e, pingando como uma vela, foi se aproximando mais depressa. O rapaz não quis ver mais nada. Saiu correndo, tropeçando no meio da escuridão, caindo e se levantando, com a luz misteriosa sempre atrás dele, tentando alcançá-lo.

 

Cansado de tanto correr, quase entregando os pontos, ele acabou deixando a escuridão do cacoal e avistou a aldeia logo à sua frente. Não deu nem para chegar em casa. Passou como um relâmpago pelo meio dos cachorros que latiam e se jogou contra a porta do primeiro tapiry3 que encontrou. Com o tranco, arrebentou a esteira de japá4 e caiu para dentro. O dono da casa acordou assustado, ouviu a história do rapaz e os dois saíram juntos para o terreiro. A luz estranha tinha sido atacada pelos cachorros, e eles ainda a viram se afastando e voltando a entrar no cacoal.

 

No dia seguinte a aldeia toda ficou sabendo do caso, e nunca mais ninguém teve coragem de passar por aquele cacoal à noite.

 

(Yaguarê Yamã. Murũgawa:

mitos, contos e fábulas do povo Maraguá, 2007.)

 

1 ser visajento (ou visagento): ser sobrenatural.

2 cacoal: aglomerado de cacaueiros.

3 tapiry: choupana que serve de abrigo.

4 japá: esteira de palha para cobrir ou servir de porta.

Para responder à questão, leia o conto indígena “Mboi-tatá ou Fogo-fátuo”, história contada por Yaguareçá Sukuyê e escrita por Yaguarê Yamã.     Observa-se o emprego de uma expressão própria da linguagem coloquial no seguinte trecho do conto:
  1. A“A luz se tornou mais forte e, pingando como uma vela, foi se aproximando mais depressa” (8º parágrafo).
  2. B“O dono da casa acordou assustado, ouviu a história do rapaz e os dois saíram juntos para o terreiro” (9º parágrafo).
  3. C“Certa vez, um rapaz de uma aldeia saiu para ir a uma festa na aldeia vizinha” (2º parágrafo).
  4. D“ele continuava andando, sempre com muito medo de ser picado por alguma cobra” (3º parágrafo).
  5. E“Cansado de tanto correr, quase entregando os pontos, ele acabou deixando a escuridão do cacoal” (9º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “Cansado de tanto correr, quase entregando os pontos, ele acabou deixando a escuridão do cacoal” (9º parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Linguagem coloquial: identificando a expressão informal no conto

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que apresenta uma expressão própria da linguagem coloquial: "quase entregando os pontos". Essa expressão é uma locução idiomática típica da fala cotidiana, usada para indicar que alguém está prestes a desistir, a ceder. As demais alternativas trazem construções formais ou literárias, sem marcas de coloquialidade.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique o trecho em que há "emprego de uma expressão própria da linguagem coloquial". Isso significa que você deve procurar uma expressão idiomática, uma gíria ou uma construção típica da fala informal, e não apenas uma frase com sentido figurado ou com vocabulário simples. A banca quer que você reconheça o registro coloquial em meio a um texto narrativo que, em sua maior parte, usa linguagem formal e literária.

O texto e a localização da resposta

O conto narra a fuga de um rapaz assustado por uma luz misteriosa. No 9º parágrafo, lemos:

"Cansado de tanto correr, quase entregando os pontos, ele acabou deixando a escuridão do cacoal e avistou a aldeia logo à sua frente."

A expressão "entregar os pontos" é uma expressão idiomática da língua portuguesa, usada coloquialmente para significar "desistir", "render-se", "ceder". No contexto, o rapaz está exausto, quase desistindo de correr. Essa expressão não é típica da norma culta formal; ela pertence ao registro informal, ao vocabulário cotidiano. Por isso, é a única alternativa que atende ao comando.

Por que as outras alternativas não são coloquiais?

  • A) "pingando como uma vela" — é uma comparação (símile), com sentido figurado, mas não é uma expressão coloquial; é uma construção literária.

  • B) "acordou assustado" — linguagem formal, descritiva, sem marcas de informalidade.

  • C) "Certa vez" — expressão formal típica de abertura de narrativa, não coloquial.

  • D) "com muito medo" — linguagem formal, sem coloquialismo.

A técnica para resolver

Quando a questão pede "expressão coloquial", procure por:

  • Expressões idiomáticas (ex.: "entregar os pontos", "bater as botas", "ficar a ver navios");

  • Gírias (ex.: "mó legal", "tá ligado");

  • Reduções (ex.: "pra", "tá", "cê");

  • Palavrões ou expressões populares.

As demais alternativas podem ter sentido figurado, mas isso não as torna coloquiais. O coloquial é uma questão de registro, não de figura de linguagem.

Conclusão

A única alternativa que apresenta uma expressão genuinamente coloquial é a E, com "quase entregando os pontos". As demais são formais ou literárias. Portanto, Gabarito: letra E.

1Expressões idiomáticas
"Entregar os pontos"
"Bater as botas"
"Ficar a ver navios"
2Gírias
"Mó legal"
"Tá ligado"
3Reduções
"Pra"
"Tá"
"Cê"
4Não é coloquial
Comparação (símile)
Sentido figurado
Vocabulário simples
Linguagem coloquial
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Linguagem coloquial: Expressões idiomáticas ("Entregar os pontos", "Bater as botas", "Ficar a ver navios"); Gírias ("Mó legal", "Tá ligado"); Reduções ("Pra", "Tá", "Cê"); Não é coloquial (Comparação (símile), Sentido figurado, Vocabulário simples)
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Ao identificar coloquialismo, pergunte: "Essa expressão seria usada em uma redação formal?" Se não, é provável que seja coloquial.

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