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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205592
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Catanduva
Ano
2024
Cargo
AgFiscTrib ( )

O poder grisalho

 

Um argumento falacioso ilude grupos sociais, políticos e econômicos, com a formação da falsa crença de serem as pessoas de 60 anos em diante próximas da situação de descarte quando não de plena indiferença.

 

São os idosos, no Brasil, protegidos – supostamente – por Estatuto na mira de passar por ajustes e revisões a fim de adequar a letra ao sacolejo da vida, pois duas décadas se passaram enquanto a gente do Poder Grisalho duplicou.

 

Eficazes tecnologias farmacêuticas viabilizam receitas para debelar e prevenir enfermidades, inspirando a medicina a labutar por longevidade – e não apenas, pois acompanham a alegria, o amor e, por que não, revigorantes tertúlias.

 

Já não é raro encontrarem-se casais nonagenários atendidos pela fisioterapia, mexendo músculos e mentes, visando ao bem-viver com a escadinha de bisnetos ou passeando de mãos dadas nos jardins deste novo Éden.

 

Há, no entanto, a necessidade de investimento em disciplinas calçadas no movimento e na mudança, que poderia forjar nos estabelecimentos de ensino-aprendizagem esta bem-vinda postura de respeito e admiração por longevas e longevos.

 

A cidadania não tem como orgulhar-se sem incluir a experiência dos mais velhos, como é comum nas nações indígenas e etnias ciganas, bons exemplos de cuidados extremos para serem imitados.

 

(Editorial. https://atarde.com.br/opiniao, 03.10.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão     No editorial, argumenta-se que a
  1. Aatualização do Estatuto do Idoso é desnecessária, considerando-se a qualidade de vida que eles conseguiram conquistar nas últimas duas décadas.
  2. Bexperiência dos mais velhos vem tornando-se obsoleta, porque a tecnologia farmacêutica lhes prolonga a vida, mas não permite que ela seja melhor.
  3. Cescola deve criar disciplinas para que os jovens respeitem e admirem os idosos, uma vez que estes não têm garantias legais de seus direitos sociais.
  4. Dsociedade, de modo geral, deve repensar a forma como trata os seus idosos que, atualmente, estão querendo ter mais qualidade de vida.
  5. Esaúde dos idosos, apesar dos avanços na prevenção de doenças, ainda se mostra precária, pois eles chegam aos 60 anos debilitados física e mentalmente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — sociedade, de modo geral, deve repensar a forma como trata os seus idosos que, atualmente, estão querendo ter mais qualidade de vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O poder grisalho: a tese do editorial

Gabarito: letra D. O editorial argumenta que a sociedade, de modo geral, deve repensar a forma como trata os idosos, que hoje buscam mais qualidade de vida. Essa é a tese central, construída ao longo do texto: o autor combate a "falsa crença" de que os idosos estão próximos do "descarte", mostra que eles vivem com qualidade (casais nonagenários, tecnologias farmacêuticas) e defende a inclusão da "experiência dos mais velhos" como parte da cidadania. A alternativa D é a única que sintetiza esse movimento argumentativo sem acrescentar ou distorcer informações.

O comando: compreensão da tese

O enunciado pede que se identifique o que o editorial argumenta — ou seja, qual é a tese defendida pelo autor. Isso é diferente de localizar uma informação pontual (compreensão literal) ou de deduzir algo não dito (inferência). Aqui, precisamos captar a ideia central que organiza o texto, aquilo que o autor quer defender. A tese, em um texto dissertativo-argumentativo, costuma aparecer na introdução ou na conclusão, e é retomada pelos argumentos.

O texto: tema, tese e argumentos

O tema é o envelhecimento da população brasileira e o lugar social dos idosos. A tese é a de que a sociedade precisa mudar sua postura em relação aos idosos, valorizando-os e incluindo-os, em vez de tratá-los como descartáveis. Veja como o autor constrói isso:

  • 1º parágrafo: denuncia um "argumento falacioso" que cria a "falsa crença" de que os idosos estão próximos do "descarte" ou da "indiferença".

  • 2º parágrafo: menciona o Estatuto do Idoso, que precisa de ajustes porque a população idosa "duplicou" — ou seja, a realidade mudou e as leis precisam acompanhar.

  • 3º e 4º parágrafos: mostram o lado positivo: tecnologias farmacêuticas, longevidade, casais nonagenários ativos, "bem-viver".

  • 5º parágrafo: defende o investimento em "disciplinas" que ensinem "respeito e admiração" pelos idosos.

  • 6º parágrafo: conclui que "a cidadania não tem como orgulhar-se sem incluir a experiência dos mais velhos", citando indígenas e ciganos como exemplos.

A alternativa D captura exatamente esse movimento: a sociedade precisa repensar (mudar a postura) a forma como trata os idosos, que estão querendo mais qualidade de vida (como mostram os exemplos de longevidade ativa).

A técnica: testar cada alternativa contra a tese

A armadilha central desta questão é a extrapolação e a distorção por troca de vocábulo. Cada alternativa errada pega um fragmento do texto e o deforma, acrescentando uma ideia que o autor não defendeu ou invertendo o sentido. O método é: para cada alternativa, pergunte "o texto autoriza esta afirmação?" e "esta é a tese central, ou apenas um detalhe?"

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora pegar um elemento real do texto (Estatuto, tecnologia, escola, saúde) e extrapolar uma conclusão que o autor não tirou. A alternativa D é a única que não inventa nada: ela apenas resume a tese.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a atualização do Estatuto é desnecessária. O texto diz exatamente o contrário. No 2º parágrafo, o autor afirma que o Estatuto está "na mira de passar por ajustes e revisões a fim de adequar a letra ao sacolejo da vida". Ou seja, a atualização é necessária, não desnecessária. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a experiência dos mais velhos está se tornando obsoleta e que a tecnologia prolonga a vida, mas não permite que ela seja melhor. O texto diz o oposto: as tecnologias "viabilizam receitas para debelar e prevenir enfermidades" e os idosos vivem com qualidade ("casais nonagenários... visando ao bem-viver"). A alternativa contradiz o texto e ainda extrapola ao afirmar que a tecnologia não melhora a vida — ideia que não está em lugar nenhum.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a escola deve criar disciplinas porque os idosos não têm garantias legais de seus direitos. O texto defende o investimento em disciplinas para forjar "respeito e admiração" pelos idosos, mas não diz que eles não têm garantias legais. Pelo contrário, o 2º parágrafo menciona que eles são "protegidos – supostamente – por Estatuto". A alternativa extrapola ao acrescentar uma justificativa (falta de garantias) que o autor não usou.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa sintetiza a tese do editorial. O autor argumenta que a sociedade deve repensar a forma como trata os idosos, combatendo a "falsa crença" de que são descartáveis. E mostra que eles estão querendo mais qualidade de vida, como evidenciam os exemplos de longevidade ativa ("casais nonagenários... visando ao bem-viver"). A alternativa é uma paráfrase fiel da tese, sem acrescentar nem distorcer nada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a saúde dos idosos ainda se mostra precária e que eles chegam aos 60 anos debilitados. O texto não diz isso. Pelo contrário, o 3º parágrafo destaca que as tecnologias farmacêuticas "viabilizam receitas para debelar e prevenir enfermidades" e o 4º parágrafo mostra idosos ativos. A alternativa contradiz o texto e extrapola ao inventar uma precariedade que o autor não menciona.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "argumenta-se que", procure a tese — a ideia que o autor defende e que organiza todo o texto. Ela costuma estar na introdução ou na conclusão. Teste cada alternativa perguntando: "isto é o que o autor defende, ou apenas um detalhe que eu inventei?".

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a única que resume a tese do editorial sem extrapolar, contradizer ou tangenciar o texto.

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