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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205602
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Catanduva
Ano
2024
Cargo
GCM ( )

Antipatizo com trocadilhos, mas não pude evitar a pérola que dá título a esta crônica. Conheci a expressão “literacura” através do professor Silvio Volpato, de Parobé, e agora o comentário de um leitor me fez colocá-la em uso. Disse o rapaz que não entende a razão de nos mobilizarmos pelo setor livreiro do Rio Grande do Sul quando há categorias mais importantes a socorrer, como hospitais. É o mesmo assunto, caro leitor. Se, na sua mesa de cabeceira, ao lado da cama, há remédios para colesterol, pressão alta e ansiolíticos que ajudam a pegar no sono, coloque também um livro, pois uma hora você terá que acordar. Não há saúde mental, espiritual e mesmo física que prescinda da literatura.

 

Livro combate a arrogância, um dos males do século. O leitor tem acesso aos sofrimentos dos personagens, se identifica com suas dores e percebe que é tão miserável quanto. Menos um nariz em pé no mundo.

 

Livro é perfeito contra o narcisismo, outra praga moderna. O leitor é capturado pela história de uma escravizada ou pela biografia de um atleta, e claro que cairá no delírio de julgar sua própria história mais interessante, mas, pelo menos por meia hora, se manterá focado na leitura em vez de tagarelar sobre si mesmo. Aliás, livro protege contra calos nas cordas vocais. Bendito hábito silencioso!

 

Vivemos uma pandemia de depressão, que tem atacado jovens sem perspectiva, com a moral em baixa, já que a tecnologia os instiga a se comparar com um monte de boçais comunicativos. A vacina se chama literatura, que os reconecta com seus valores, preenche a alma em vez dos lábios e resgata a autoconfiança, salvando-os de sucumbirem a amostragens superficiais de popularidade.

 

Portanto, doem livros para bibliotecas arrasadas pelas enchentes do sul, comprem livros das editoras gaúchas que ficaram com o estoque submerso e ajudem a manter a cabeça dos gaúchos à tona.

 

(Martha Medeiros. Literacura. https://oglobo.globo.com, 23.06.2024. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão     A partir das colocações feitas pela autora em seu texto, é correto afirmar que
  1. Aa crítica feita por um leitor demonstra que os brasileiros são caridosos e não aceitam que alguns sofram enquanto outros são auxiliados sem necessitarem de ajuda.
  2. Ba leitura de um livro exige que as pessoas em volta do leitor se mantenham em silêncio, o que as beneficia, pois aprendem a falar só quando necessário.
  3. Co convite feito para doação de livros aos atingidos pelas enchentes serve para reerguer economicamente as livrarias gaúchas.
  4. Da necessidade de comparação com o outro pode ser curada pela arte literária por ter esta última efeitos mais profundos que a tecnologia.
  5. Eo uso que ela faz de uma palavra que não existe (“literacura”) se deu pela necessidade de homenagear um professor, que foi desafiado por um leitor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a necessidade de comparação com o outro pode ser curada pela arte literária por ter esta última efeitos mais profundos que a tecnologia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto: a literatura como cura da comparação

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única inteiramente sustentada pelo texto: a autora afirma que a literatura "reconecta [os jovens] com seus valores, preenche a alma em vez dos lábios e resgata a autoconfiança", curando a necessidade de comparação instigada pela tecnologia. As demais alternativas ou extrapolam o que está escrito, ou contradizem o texto, ou tangenciam o tema central.

O comando pede que se identifique uma afirmação correta a partir das colocações da autora — ou seja, uma paráfrase fiel de uma ideia defendida no texto, sem acréscimos de fora. A resposta deve ser encontrada por recorrência (informação explícita reescrita com outras palavras), não por inferência livre. Vamos ver o que o texto diz e testar cada alternativa.

O texto é uma crônica argumentativa de Martha Medeiros. A tese central é que a literatura é essencial para a saúde mental e espiritual, combatendo males modernos como arrogância, narcisismo e depressão. O movimento argumentativo: (1) responde a um leitor que questiona a mobilização pelo setor livreiro; (2) defende que livro é remédio contra arrogância e narcisismo; (3) afirma que a literatura é a "vacina" contra a depressão, que tem como causa a comparação instigada pela tecnologia; (4) conclui com um apelo à doação de livros.

A alternativa D condensa exatamente o terceiro parágrafo: a tecnologia instiga a comparação ("a tecnologia os instiga a se comparar com um monte de boçais comunicativos"), e a literatura cura isso ("A vacina se chama literatura, que os reconecta com seus valores, preenche a alma em vez dos lábios e resgata a autoconfiança"). A expressão "efeitos mais profundos que a tecnologia" é uma paráfrase de "preenche a alma em vez dos lábios" — a literatura age na alma, enquanto a tecnologia age na superfície (lábios, tagarelice).

A técnica para resolver: para cada alternativa, pergunte "onde o texto autoriza isto?". Se a resposta exigir acrescentar informação de fora, a alternativa está errada por extrapolação. Se inverter o sentido do texto, está errada por contradição. Se falar de assunto apenas correlato, está errada por fuga ao tema.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com fatos plausíveis do mundo real (caridade dos brasileiros, silêncio dos leitores, reerguimento econômico) que o texto não afirma. A única alternativa que se ancora em uma passagem literal é a D.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "a crítica feita por um leitor demonstra que os brasileiros são caridosos e não aceitam que alguns sofram enquanto outros são auxiliados sem necessitarem de ajuda". O texto apenas relata a crítica do leitor: "não entende a razão de nos mobilizarmos pelo setor livreiro do Rio Grande do Sul quando há categorias mais importantes a socorrer, como hospitais". A autora responde que é o mesmo assunto, mas não há nenhuma afirmação sobre a caridade dos brasileiros nem sobre "não aceitar que alguns sofram". Isso é extrapolação: acrescenta um juízo sobre o caráter nacional que o texto não externa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "a leitura de um livro exige que as pessoas em volta do leitor se mantenham em silêncio, o que as beneficia, pois aprendem a falar só quando necessário". O texto diz que o livro "protege contra calos nas cordas vocais" e que é um "Bendito hábito silencioso!", mas isso se refere ao leitor, não às pessoas ao redor. Não há nada sobre "exigir silêncio dos outros" nem sobre "aprender a falar só quando necessário". A alternativa extrapola ao inventar uma exigência e um benefício para terceiros que o texto não menciona.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "o convite feito para doação de livros aos atingidos pelas enchentes serve para reerguer economicamente as livrarias gaúchas". O texto pede: "doem livros para bibliotecas arrasadas pelas enchentes do sul, comprem livros das editoras gaúchas que ficaram com o estoque submerso e ajudem a manter a cabeça dos gaúchos à tona". O objetivo explícito é "manter a cabeça dos gaúchos à tona" — ou seja, a saúde mental, não o reerguimento econômico. A alternativa restringe o alcance do pedido (que é sobre a cabeça, não sobre o bolso) e extrapola ao atribuir uma finalidade econômica que o texto não declara.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que "a necessidade de comparação com o outro pode ser curada pela arte literária por ter esta última efeitos mais profundos que a tecnologia". O texto diz:

"Vivemos uma pandemia de depressão, que tem atacado jovens sem perspectiva, com a moral em baixa, já que a tecnologia os instiga a se comparar com um monte de boçais comunicativos. A vacina se chama literatura, que os reconecta com seus valores, preenche a alma em vez dos lábios e resgata a autoconfiança, salvando-os de sucumbirem a amostragens superficiais de popularidade."

A passagem autoriza cada elemento da alternativa: a tecnologia instiga a comparação ("os instiga a se comparar"); a literatura cura ("A vacina se chama literatura"); e a literatura tem efeitos mais profundos ("preenche a alma em vez dos lábios" — alma é mais profundo que lábios/tagarelice). É uma paráfrase fiel, sem acréscimos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "o uso que ela faz de uma palavra que não existe ('literacura') se deu pela necessidade de homenagear um professor, que foi desafiado por um leitor". O texto diz: "Conheci a expressão 'literacura' através do professor Silvio Volpato, de Parobé, e agora o comentário de um leitor me fez colocá-la em uso". A autora conheceu a expressão com o professor e a colocou em uso por causa do comentário do leitor. Não há "necessidade de homenagear" — isso é extrapolação de uma intenção que o texto não declara. Além disso, quem foi desafiado foi a autora (pelo comentário), não o professor.

Conclusão: a questão testa a capacidade de distinguir o que o texto afirma do que o candidato imagina que ele afirma. A alternativa D é a única que se ancora em uma passagem literal, reescrita com outras palavras. As demais ou extrapolam (A, B, E), ou restringem o alcance (C).

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando — "a partir das colocações feitas pela autora" pede recorrência (paráfrase do que está escrito), não inferência livre. Desconfie de alternativas que soam verdadeiras no mundo real (caridade, silêncio, economia) mas não estão no texto.

Gabarito: letra D

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