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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205620
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Lins
Ano
2024
Cargo
Ag Adm ( )

O maçarico

 

Naqueles longes tempos, ele era vítima de um cirurgião- -dentista que, de repente do outro lado da sala de café, da outra extremidade do bonde, da calçada oposta, lançava intempestivamente o seu vozeirão:

 

– Como vai a poesia?

 

Todas as cabeças que se achavam de permeio1 voltavam- se então para o Poeta. O Poeta, nu, desmascarado, em meio à multidão! Para evitar esses atentados ao pudor, ele afinal descobriu um meio de fazer a pergunta antes que o outro a fizesse. Mal avistava o dentista, e antes que o mesmo erguesse as trombetas da sua voz, que não soavam propriamente como as trombetas da Fama, mas como as cornetas fanhas da Difamação, bradava o alvissareiro Poeta:

 

– Como vai o maçarico?

 

As cabeças de permeio voltavam-se então escandalizadas ou irônicas para o cirurgião-dentista. Não porque fosse uma vergonha utilizar esse útil instrumento, mas porque maçarico era mesmo uma palavra muito engraçada, uma palavra que rimava com a dança do sarapico-pico-pico e com surubico. O resultado de tudo isso foi que os papéis se inverteram: o dentista pegou medo do poeta.

 

(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013) 1 permeio: no meio

Leia o texto para responder à questão     Na história, o Poeta é vítima do cirurgião-dentista porque este
  1. Aqueria ouvir novas poesias e aquele era tímido para recitá-las ao público.
  2. Bsofria nos atendimentos que aquele lhe prestava como profissional.
  3. Cexpunha a presença daquele em público, normalmente o constrangendo.
  4. Ddenunciava que aquele estava nu, e a multidão repudiava a falta de pudor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — expunha a presença daquele em público, normalmente o constrangendo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O Poeta, o dentista e a exposição pública

Gabarito: letra C. O Poeta é vítima do cirurgião-dentista porque este expõe a presença daquele em público, normalmente o constrangendo. A passagem que decide está no início do texto: o dentista "lançava intempestivamente o seu vozeirão" com a pergunta "Como vai a poesia?", fazendo com que "todas as cabeças que se achavam de permeio voltavam-se então para o Poeta", deixando-o "nu, desmascarado, em meio à multidão". A alternativa C é a única paráfrase fiel desse constrangimento público.

O comando pede uma questão de compreensão/recorrência: "o Poeta é vítima do cirurgião-dentista porque este...". Isso significa que a resposta está explícita no texto, apenas reescrita com outras palavras (paráfrase). Não se trata de inferir algo nas entrelinhas, mas de localizar a informação que o autor registrou diretamente. A banca quer que você identifique a causa do sofrimento do Poeta, e essa causa está narrada logo no primeiro parágrafo.

O texto de Mario Quintana narra uma pequena história: o dentista, ao ver o Poeta em locais públicos, gritava "Como vai a poesia?", atraindo a atenção de todos para ele. O Poeta se sentia exposto, "nu, desmascarado", um "atentado ao pudor". Para se defender, ele inverteu o jogo: passou a gritar "Como vai o maçarico?", uma palavra engraçada que fazia as cabeças se voltarem para o dentista, que "pegou medo do poeta". O núcleo da questão é entender que a "violência" inicial do dentista era expor o Poeta publicamente, e não qualquer outra coisa.

A técnica para resolver é simples: grife no texto as palavras que indicam a causa (o que o dentista fazia) e compare com cada alternativa, perguntando: "isto está escrito, ou é uma dedução minha?". A alternativa correta será aquela que reescreve com outras palavras exatamente o que o texto diz, sem acrescentar nada. As erradas, em geral, extrapolam (vão além do texto) ou interpretam literalmente uma expressão figurada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o sentido literal e o figurado. As alternativas B e D interpretam "nu" e "desmascarado" de forma concreta (como se o Poeta estivesse fisicamente sem roupa), quando o texto usa essas palavras em sentido metafórico para indicar exposição e constrangimento. Fique atento: "nu" aqui significa "sem proteção, visível a todos", não "sem roupas".

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que usam palavras absolutas ("sempre", "nunca", "todos") ou que acrescentam detalhes que não estão no texto. A resposta certa é a mais fiel ao que está escrito, mesmo que pareça menos "interessante".

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o Poeta era vítima porque o dentista "queria ouvir novas poesias e aquele era tímido para recitá-las ao público". Nada disso está no texto. O dentista não demonstra interesse por poesia; ele apenas usa a pergunta como forma de chamar atenção para o Poeta. Além disso, o texto não diz que o Poeta era tímido — ele se sentia exposto, mas não há menção a timidez. Essa alternativa extrapola o texto, inventando motivações e características que não aparecem.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que o Poeta sofria "nos atendimentos que aquele lhe prestava como profissional". O texto não menciona nenhum atendimento odontológico. O dentista aparece apenas como alguém que grita em locais públicos, não como profissional atendendo o Poeta. Essa alternativa tangencia o tema, usando o fato de o personagem ser dentista para inventar uma relação profissional que não existe na narrativa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa C é a única que parafraseia fielmente o texto. Veja a passagem decisiva:

"lançava intempestivamente o seu vozeirão: – Como vai a poesia? Todas as cabeças que se achavam de permeio voltavam-se então para o Poeta. O Poeta, nu, desmascarado, em meio à multidão!"

O dentista expõe a presença do Poeta em público (gritando a pergunta, fazendo todos olharem para ele) e isso normalmente o constrange ("atentados ao pudor", "nu, desmascarado"). A alternativa usa palavras diferentes, mas o sentido é exatamente o mesmo. É uma paráfrase perfeita.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o dentista "denunciava que aquele estava nu, e a multidão repudiava a falta de pudor". O texto usa "nu" e "desmascarado" em sentido figurado — o Poeta se sentia exposto, não estava literalmente sem roupa. Além disso, o texto não diz que a multidão "repudiava" o Poeta; as cabeças se voltavam "escandalizadas ou irônicas", o que é diferente de repudiar. Essa alternativa interpreta literalmente uma metáfora e exagera a reação da multidão.

Conclusão: a questão é de compreensão, e a resposta está explícita no texto. A alternativa C é a única que reescreve com outras palavras o que o dentista fazia: expor o Poeta em público, constrangendo-o. As demais ou extrapolam (A), tangenciam (B) ou interpretam literalmente uma expressão figurada (D).

Gabarito: letra C.

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