Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205635
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Lins
Ano
2024
Cargo
Dir Esc ( )
Creio, logo é!
Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções. Se uma previsão falha, em vez de abandonarmos
a crença, buscamos explicações, muitas vezes, irracionais
para justificar ou atenuar o erro e alimentar a crença na previsão. É como desenhar o alvo em torno da flecha e acreditar
na pontaria do arqueiro.
É comum tomarmos decisões baseadas em preferências
inconsistentes, com consequências reais, simplesmente por
rejeitarmos informações e evidências contrárias às nossas
crenças. O autoengano é uma forma de proteger a autoestima e evitar o confronto com a possibilidade de que nossas
certezas estejam erradas.
Quando temos uma opinião positiva sobre uma questão,
buscamos mensagens positivas a respeito de tal fato; quando
a visão é negativa, buscamos mensagens negativas sobre a
questão. De maneira tendenciosa, escolhemos informações
ou desinformações consistentes com as nossas ideologias.
A formação ou modificação de uma opinião envolve reestruturação cognitiva, um processo de aprendizagem. Todos
nós temos alguma dificuldade em reconhecer nossos erros
e reconfigurar nossas ideias. Não é tranquilo desconstruir
concepções antigas, porém reafirmadas, o tempo todo, na
contemporaneidade, por força dos grupos aos quais pertencemos.
Temos a percepção equivocada de que apenas as nossas crenças são úteis ou corretas. Torturamos os fatos e as
evidências contrárias até que eles confessem o que pretendemos.
Mas tudo isso é muito antigo. “Uma vez que o entendimento de um homem se baseia em algo, seja porque é uma
crença já aceita ou porque o agrada, isso atrai tudo a sua
volta para apoiar e concordar com a opinião adotada. Mesmo
que um número maior de evidências contrárias seja encontrado, ele as ignora ou desconsidera, ou faz distinções sutis
para rejeitá-las, preservando a autoridade de suas primeiras
concepções” (Bacon, 1620).
(Mara Lúcia Madureira. Painel de ideias.
Diário da Região, 28.03.2024. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão O conjunto das ideias expostas pela autora leva à conclusão de que
Aas crenças são um fator decisivo para que o indivíduo prove como os fatos são manipulados, para o convencer.
Bhá uma tendência, no mundo atual, a priorizar as previsões para explicar como os fatos podem mudar a realidade.
Cé fácil alterar os próprios pontos de vista e aceitar a opinião contrária, especialmente se mantivermos nossas crenças.
Dalimentar estereótipos em vez de aceitar evidências dos próprios equívocos é uma forma de preservar a autoestima.
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GabaritoD — alimentar estereótipos em vez de aceitar evidências dos próprios equívocos é uma forma de preservar a autoestima.
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Conclusão das ideias do texto: a tese sobre autoengano e preservação da autoestima
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que sintetiza fielmente a tese central do texto: alimentar estereótipos em vez de aceitar evidências dos próprios equívocos é uma forma de preservar a autoestima. Essa conclusão está ancorada no 2º parágrafo, quando a autora afirma que "O autoengano é uma forma de proteger a autoestima e evitar o confronto com a possibilidade de que nossas certezas estejam erradas". As demais alternativas ou extrapolam o que o texto diz, ou contradizem-no diretamente.
O comando pede que se identifique a conclusão a que o conjunto das ideias leva — ou seja, a tese do texto, aquilo que a autora defende ao longo de todos os parágrafos. Não se trata de localizar uma informação pontual (compreensão), mas de sintetizar o argumento global (interpretação). Para isso, é preciso ler o texto com propósito: captar o tema (o autoengano e a resistência a mudar de opinião), a tese (preservamos nossas crenças para proteger a autoestima) e os argumentos que a sustentam (reinterpretamos fatos, buscamos confirmação, torturamos evidências).
O texto desenvolve essa tese em três movimentos: (1) reinterpretação dos fatos — "Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções"; (2) busca seletiva de informações — "escolhemos informações ou desinformações consistentes com as nossas ideologias"; (3) dificuldade de reconhecer erros — "Todos nós temos alguma dificuldade em reconhecer nossos erros e reconfigurar nossas ideias". O 2º parágrafo, porém, é o coração da tese: liga o autoengano diretamente à proteção da autoestima.
A técnica decisiva aqui é testar cada alternativa contra o texto: a correta deve ser uma paráfrase (reescritura fiel) de uma ideia que o texto realmente sustenta, sem acrescentar nada de fora. As erradas cometem erros clássicos do catálogo: extrapolam (vão além do que o texto afirma), contradizem (invertem o sentido) ou tangenciam (falam de assunto correlato, mas não abordado).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de o candidato "completar" o texto com o próprio senso comum. A alternativa A, por exemplo, soa plausível, mas o texto não diz que as crenças servem para "provar como os fatos são manipulados" — isso é uma invenção. A correta (D) é a única que se apoia em passagem explícita.
Tese do texto
1Autoengano protege a autoestima
Reinterpreta fatos
Busca seletiva de informações
Dificuldade de reconhecer erros
2Erros das distratoras
Extrapolação (A, B, E)
Contradição (C)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto afirma que reinterpretamos os fatos de acordo com nossas crenças, mas não diz que isso serve para "provar como os fatos são manipulados" nem que tem a finalidade de "convencer" alguém. A autora descreve um mecanismo psicológico (autoengano), não uma estratégia de convencimento. A alternativa acrescenta uma finalidade que não está no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação + tangenciamento. O texto menciona previsões apenas como exemplo ("Se uma previsão falha..."), mas não afirma que há uma tendência atual a priorizar previsões para explicar como os fatos mudam a realidade. Essa ideia não aparece em nenhum parágrafo; é uma construção do examinador a partir de um detalhe isolado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O texto afirma exatamente o oposto: "Não é tranquilo desconstruir concepções antigas" e "Todos nós temos alguma dificuldade em reconhecer nossos erros". A alternativa diz que "é fácil alterar os próprios pontos de vista e aceitar a opinião contrária" — isso inverte o sentido do texto. A banca trocou o advérbio "não" por "fácil", criando uma contradição disfarçada.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Paráfrase fiel da tese. O 2º parágrafo afirma:
"O autoengano é uma forma de proteger a autoestima e evitar o confronto com a possibilidade de que nossas certezas estejam erradas."
A alternativa D reescreve essa ideia com outras palavras: "alimentar estereótipos" corresponde a manter as crenças (autoengano), "em vez de aceitar evidências dos próprios equívocos" corresponde a "evitar o confronto com a possibilidade de que nossas certezas estejam erradas", e "preservar a autoestima" é exatamente "proteger a autoestima". É uma reescritura equivalente, sem acréscimos nem supressões.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto fala de crenças, autoengano e autoestima, mas não menciona "estereótipos" nem "preconceitos". A alternativa tangencia o tema (ambos envolvem resistência a mudar de ideia), mas introduz um conceito que não está no texto. No mundo real, crenças podem gerar estereótipos, mas o texto não estabelece essa relação.
Conclusão: a questão cobra a tese do texto, e a tese está explícita no 2º parágrafo: o autoengano protege a autoestima. A alternativa D é a única que parafraseia essa ideia sem extrapolar, contradizer ou tangenciar. Gabarito: letra D.