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Questão de Português — Denotação e Conotação — VUNESP 2024

PortuguêsDenotação e Conotação
Código
vu205638
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Lins
Ano
2024
Cargo
Dir Esc ( )
Creio, logo é!


    Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções. Se uma previsão falha, em vez de abandonarmos a crença, buscamos explicações, muitas vezes, irracionais para justificar ou atenuar o erro e alimentar a crença na previsão. É como desenhar o alvo em torno da flecha e acreditar na pontaria do arqueiro.

    É comum tomarmos decisões baseadas em preferências inconsistentes, com consequências reais, simplesmente por rejeitarmos informações e evidências contrárias às nossas crenças. O autoengano é uma forma de proteger a autoestima e evitar o confronto com a possibilidade de que nossas certezas estejam erradas.

    Quando temos uma opinião positiva sobre uma questão, buscamos mensagens positivas a respeito de tal fato; quando a visão é negativa, buscamos mensagens negativas sobre a questão. De maneira tendenciosa, escolhemos informações ou desinformações consistentes com as nossas ideologias.

   A formação ou modificação de uma opinião envolve reestruturação cognitiva, um processo de aprendizagem. Todos nós temos alguma dificuldade em reconhecer nossos erros e reconfigurar nossas ideias. Não é tranquilo desconstruir concepções antigas, porém reafirmadas, o tempo todo, na contemporaneidade, por força dos grupos aos quais pertencemos.

    Temos a percepção equivocada de que apenas as nossas crenças são úteis ou corretas. Torturamos os fatos e as evidências contrárias até que eles confessem o que pretendemos.

    Mas tudo isso é muito antigo. “Uma vez que o entendimento de um homem se baseia em algo, seja porque é uma crença já aceita ou porque o agrada, isso atrai tudo a sua volta para apoiar e concordar com a opinião adotada. Mesmo que um número maior de evidências contrárias seja encontrado, ele as ignora ou desconsidera, ou faz distinções sutis para rejeitá-las, preservando a autoridade de suas primeiras concepções” (Bacon, 1620).


(Mara Lúcia Madureira. Painel de ideias. Diário da Região, 28.03.2024. Adaptado) 
Leia o texto para responder à questão     É correto afirmar que a passagem do quinto parágrafo – Torturamos os fatos e as evidências contrárias até que eles confessem o que pretendemos. – é caracterizada pelo emprego de palavras em sentido
  1. Afigurado, expressando a ideia de que a realidade precisa ser cruel para que o homem confesse suas crenças.
  2. Bfigurado, expressando a ideia de que, preso a suas crenças, o homem força a realidade a moldar-se a elas.
  3. Cpróprio, expressando a ideia de que os acontecimentos que contrariam o homem são torturantes para ele.
  4. Dpróprio, expressando a ideia de que o que contraria o homem precisa ser dito, mesmo que sob coação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — figurado, expressando a ideia de que, preso a suas crenças, o homem força a realidade a moldar-se a elas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Denotação e Conotação: a metáfora da tortura dos fatos

Gabarito: letra B. A passagem do quinto parágrafo emprega palavras em sentido figurado (conotativo), e a alternativa B é a única que captura corretamente o efeito de sentido: preso a suas crenças, o homem força a realidade a moldar-se a elas. A metáfora de "torturar" os fatos até que "confessem" o que se pretende expressa, de forma figurada, a ideia de que o sujeito manipula as evidências para que se ajustem às suas convicções — exatamente o que o texto afirma no parágrafo anterior: "Temos a percepção equivocada de que apenas as nossas crenças são úteis ou corretas."

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique o sentido das palavras na passagem citada: se próprio (denotativo) ou figurado (conotativo). Isso muda completamente a resolução: não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer o recurso expressivo — a metáfora — e, em seguida, compreender o que ela significa no contexto. A banca não pergunta apenas "é figurado ou próprio?", mas também "o que essa figuração expressa?". Portanto, são dois testes: (1) classificar o sentido; (2) decodificar a metáfora.

O texto e a passagem-chave

O texto argumenta que o ser humano, preso às próprias crenças, reinterpreta os fatos para confirmá-las, em vez de abandoná-las diante de evidências contrárias. A passagem do quinto parágrafo é a síntese metafórica dessa tese:

"Torturamos os fatos e as evidências contrárias até que eles confessem o que pretendemos."

Aqui, "torturar" e "confessar" são usados em sentido figurado: fatos e evidências não são pessoas que podem ser torturadas ou que confessam sob coação. O autor transfere, por metáfora, a ideia de coerção física para o campo do raciocínio: o sujeito "força" os fatos, manipula-os, até que eles "digam" o que ele quer ouvir — ou seja, até que se ajustem às suas crenças. É a mesma imagem do parágrafo anterior: "É como desenhar o alvo em torno da flecha e acreditar na pontaria do arqueiro."

A técnica que decide

A distinção central é entre denotação (sentido literal, dicionarizado, independente do contexto) e conotação (sentido figurado, que depende do contexto e das associações simbólicas). No trecho, "torturar" e "confessar" não podem ser lidos literalmente — fatos não têm corpo para sentir dor nem boca para falar. O sentido é metafórico: a violência física é usada como imagem para descrever a manipulação cognitiva. A alternativa correta precisa, portanto, (a) reconhecer o sentido figurado e (b) explicar a metáfora de forma fiel ao texto: o homem força a realidade a se moldar às suas crenças.

Sentido das palavras
  • 1Denotação (próprio)
    • Literal, dicionarizado
    • Independe do contexto
  • 2Conotação (figurado)
    • Metafórico, simbólico
    • Depende do contexto
  • 3Metáfora da tortura
    • Quem age: o homem
      • Tortura os fatos
      • Força a realidade
    • Resultado
      • Fatos "confessam"
      • Moldam-se às crenças
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"figurado, expressando a ideia de que a realidade precisa ser cruel para que o homem confesse suas crenças."

A alternativa acerta ao classificar o sentido como figurado, mas inverte a direção da metáfora. No texto, quem "confessa" são os fatos (forçados pelo homem), não o homem. A ideia de que "a realidade precisa ser cruel" é uma extrapolação: o texto não diz que a realidade é cruel, nem que o homem confessa algo. O erro está em trocar o sujeito da ação e acrescentar uma opinião (a crueldade da realidade) que não está no texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"figurado, expressando a ideia de que, preso a suas crenças, o homem força a realidade a moldar-se a elas."

Esta é a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto. O sentido é figurado (metáfora da tortura) e a explicação é fiel: o homem, preso às crenças, "tortura" os fatos — ou seja, força a realidade a se moldar às suas convicções. Isso está explícito no texto: "reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções" e "Torturamos os fatos e as evidências contrárias até que eles confessem o que pretendemos." A metáfora expressa exatamente a manipulação da realidade para que ela confirme as crenças.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"próprio, expressando a ideia de que os acontecimentos que contrariam o homem são torturantes para ele."

A alternativa erra ao classificar o sentido como próprio (denotativo). "Torturar" e "confessar" não estão em sentido literal — fatos não podem ser torturados nem confessar. Além disso, a interpretação está invertida: no texto, o homem tortura os fatos, não o contrário. A alternativa contradiz o texto ao afirmar que os acontecimentos são torturantes para o homem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"próprio, expressando a ideia de que o que contraria o homem precisa ser dito, mesmo que sob coação."

Assim como a C, erra ao classificar o sentido como próprio. A metáfora é evidente. Além disso, a interpretação é uma extrapolação: o texto não fala em "dizer a verdade sob coação" — fala em forçar os fatos a confirmarem as crenças. A ideia de "coação" é usada de forma literal, quando no texto é figurada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura a classificação (figurado/próprio) com a interpretação da metáfora. As alternativas C e D erram na classificação; a A acerta na classificação, mas inverte o sujeito da ação (quem tortura e quem confessa). A correta é a única que acerta as duas coisas.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar sentido figurado, pergunte: "isso pode acontecer literalmente?" Fatos não sentem dor, não confessam — logo, é metáfora. Depois, decodifique a imagem: quem age sobre quem? No texto, o homem age sobre os fatos.

Gabarito: letra B. A questão ensina que conotação é o sentido que depende do contexto e das associações simbólicas — e que, para acertar, é preciso tanto reconhecer a figura quanto explicar o que ela significa no texto, sem inverter papéis nem acrescentar ideias de fora.

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