Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções. Se uma previsão falha, em vez de abandonarmos
a crença, buscamos explicações, muitas vezes, irracionais
para justificar ou atenuar o erro e alimentar a crença na previsão. É como desenhar o alvo em torno da flecha e acreditar
na pontaria do arqueiro.
É comum tomarmos decisões baseadas em preferências
inconsistentes, com consequências reais, simplesmente por
rejeitarmos informações e evidências contrárias às nossas
crenças. O autoengano é uma forma de proteger a autoestima e evitar o confronto com a possibilidade de que nossas
certezas estejam erradas.
Quando temos uma opinião positiva sobre uma questão,
buscamos mensagens positivas a respeito de tal fato; quando
a visão é negativa, buscamos mensagens negativas sobre a
questão. De maneira tendenciosa, escolhemos informações
ou desinformações consistentes com as nossas ideologias.
A formação ou modificação de uma opinião envolve reestruturação cognitiva, um processo de aprendizagem. Todos
nós temos alguma dificuldade em reconhecer nossos erros
e reconfigurar nossas ideias. Não é tranquilo desconstruir
concepções antigas, porém reafirmadas, o tempo todo, na
contemporaneidade, por força dos grupos aos quais pertencemos.
Temos a percepção equivocada de que apenas as nossas crenças são úteis ou corretas. Torturamos os fatos e as
evidências contrárias até que eles confessem o que pretendemos.
Mas tudo isso é muito antigo. “Uma vez que o entendimento de um homem se baseia em algo, seja porque é uma
crença já aceita ou porque o agrada, isso atrai tudo a sua
volta para apoiar e concordar com a opinião adotada. Mesmo
que um número maior de evidências contrárias seja encontrado, ele as ignora ou desconsidera, ou faz distinções sutis
para rejeitá-las, preservando a autoridade de suas primeiras
concepções” (Bacon, 1620).
(Mara Lúcia Madureira. Painel de ideias.
Diário da Região, 28.03.2024. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão Observe o emprego do ponto e vírgula na seguinte passagem do terceiro parágrafo. Quando temos uma opinião positiva sobre uma questão, buscamos mensagens positivas a respeito de tal fato; quando a visão é negativa, buscamos mensagens negativas sobre a questão. Assinale a alternativa em que esse sinal de pontuação está empregado segundo a regra adotada na passagem.
AChegou-se às seguintes conclusões: a proposta é inconsistente, por ser excessivamente onerosa; não há necessidade de reformas no laboratório, no momento.
BAos servidores compete garantir a segurança dentro das instalações da escola; comunicar, sem demora, irregularidades e prevenir danos ao patrimônio.
CPretende-se instalar avisos nos locais de grande circulação; contudo, será preciso associar a isso uma campanha de conscientização dos usuários.
DSe pretendemos pacificar os ânimos, devemos conter as críticas; se a ideia é acirrá-los, vamos deixar que os ataques verbais continuem.
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GabaritoD — Se pretendemos pacificar os ânimos, devemos conter as críticas; se a ideia é acirrá-los, vamos deixar que os ataques verbais continuem.
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Ponto e vírgula: separando orações coordenadas assindéticas
Gabarito: letra D. A alternativa D reproduz exatamente a regra empregada na passagem do texto: o ponto e vírgula separa orações coordenadas assindéticas (sem conjunção) que apresentam estrutura paralela — no texto, "Quando temos uma opinião positiva...; quando a visão é negativa..."; na alternativa, "Se pretendemos pacificar...; se a ideia é acirrá-los...". As demais alternativas usam o sinal com outra função (enumeração, separação de termos, antes de conjunção adversativa), o que as torna incorretas.
O comando da questão
A questão pede que você observe o emprego do ponto e vírgula na passagem do terceiro parágrafo e assinale a alternativa em que o sinal está empregado segundo a mesma regra. Isso significa que você não deve apenas saber o que é ponto e vírgula, mas identificar a função específica que ele exerce naquele contexto e encontrar a alternativa que repete essa função. É uma questão de aplicação de regra — o comando "segundo a regra adotada na passagem" exige que você compare estruturas, não que decore definições.
A regra em jogo
O ponto e vírgula, como você sabe, marca uma pausa maior que a vírgula e menor que o ponto. Entre seus usos, destaca-se o de separar orações coordenadas assindéticas — ou seja, orações que não vêm unidas por conjunção (como "e", "mas", "portanto") — especialmente quando já há vírgulas internas ou quando as orações têm certa extensão. No trecho do texto:
"Quando temos uma opinião positiva sobre uma questão, buscamos mensagens positivas a respeito de tal fato; quando a visão é negativa, buscamos mensagens negativas sobre a questão."
Temos duas orações coordenadas assindéticas, ambas iniciadas por "quando" (estrutura paralela), e o ponto e vírgula as separa. Não há conjunção entre elas; a relação é de paralelismo — a segunda oração espelha a primeira, apenas invertendo o sinal (positiva/negativa).
A técnica de resolução
Para resolver, você deve testar cada alternativa perguntando: "o ponto e vírgula aqui separa orações coordenadas assindéticas com estrutura paralela?" Se a alternativa usar o sinal para outra finalidade (enumeração, separação de termos, antes de conjunção), ela está errada. Vamos analisar cada uma.
Alternativa
Uso do ponto e vírgula
Separa orações coordenadas assindéticas com paralelismo?
A
Separa itens de enumeração introduzida por dois-pontos
Não
B
Separa termos (verbos no infinitivo) de uma enumeração
Não
C
Separa orações antes da conjunção adversativa "contudo"
Não
D
Separa orações coordenadas assindéticas com estrutura paralela ("Se...; se...")
Sim
E
Separa orações antes da conjunção adversativa "no entanto"
Não
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Chegou-se às seguintes conclusões: a proposta é inconsistente, por ser excessivamente onerosa; não há necessidade de reformas no laboratório, no momento."
Aqui o ponto e vírgula separa itens de uma enumeração introduzida pelos dois-pontos ("as seguintes conclusões:"). Não há orações coordenadas assindéticas com paralelismo; há uma lista de conclusões. A função é diferente da do texto. Erro: uso do ponto e vírgula em enumeração, não em separação de orações paralelas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Aos servidores compete garantir a segurança dentro das instalações da escola; comunicar, sem demora, irregularidades e prevenir danos ao patrimônio."
O ponto e vírgula aqui separa termos de uma enumeração (verbos no infinitivo: "garantir", "comunicar", "prevenir") que funcionam como objetos do verbo "compete". Não são orações completas com sujeito próprio; são apenas verbos coordenados. A função é de separar itens de uma lista, não de separar orações. Erro: uso em enumeração de termos, não em orações coordenadas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Pretende-se instalar avisos nos locais de grande circulação; contudo, será preciso associar a isso uma campanha de conscientização dos usuários."
Aqui o ponto e vírgula aparece antes da conjunção adversativa "contudo". Embora seja um uso possível do ponto e vírgula (separar orações coordenadas com conjunção deslocada ou enfática), não é o mesmo uso do texto, em que não há conjunção alguma — as orações são assindéticas. A presença de "contudo" quebra o paralelismo e a ausência de conjunção. Erro: uso com conjunção adversativa, diferente do texto (sem conjunção).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Se pretendemos pacificar os ânimos, devemos conter as críticas; se a ideia é acirrá-los, vamos deixar que os ataques verbais continuem."
Perfeita. Temos duas orações coordenadas assindéticas, ambas iniciadas por "se" (estrutura paralela), separadas pelo ponto e vírgula. Não há conjunção entre elas; a relação é de paralelismo, exatamente como no texto. A estrutura é idêntica: "Se... , ...; se... , ...". Correta: reproduz a regra do texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"O projeto foi aprovado; no entanto, a execução depende de novos recursos."
Assim como a C, esta alternativa usa o ponto e vírgula antes de uma conjunção adversativa ("no entanto"). Não é o uso do texto, que separa orações assindéticas sem conjunção. Erro: uso com conjunção adversativa, diferente do texto.
Conclusão
A banca testa se você reconhece a função específica do ponto e vírgula em separar orações coordenadas assindéticas com estrutura paralela. A alternativa D é a única que repete essa estrutura. As demais usam o sinal em enumeração ou antes de conjunção adversativa, o que as torna incorretas.
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de pontuação, identifique primeiro a função do sinal no texto-base (separar orações? enumerar? isolar?) e depois procure a alternativa que repita essa função, não apenas o sinal. Desconfie de alternativas que usam o ponto e vírgula antes de conjunções como "contudo" ou "no entanto" — a menos que o texto-base também o faça.