Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2024
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
vu205643
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Lins
Ano
2024
Cargo
Dir Esc ( )
Creio, logo é!
Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções. Se uma previsão falha, em vez de abandonarmos
a crença, buscamos explicações, muitas vezes, irracionais
para justificar ou atenuar o erro e alimentar a crença na previsão. É como desenhar o alvo em torno da flecha e acreditar
na pontaria do arqueiro.
É comum tomarmos decisões baseadas em preferências
inconsistentes, com consequências reais, simplesmente por
rejeitarmos informações e evidências contrárias às nossas
crenças. O autoengano é uma forma de proteger a autoestima e evitar o confronto com a possibilidade de que nossas
certezas estejam erradas.
Quando temos uma opinião positiva sobre uma questão,
buscamos mensagens positivas a respeito de tal fato; quando
a visão é negativa, buscamos mensagens negativas sobre a
questão. De maneira tendenciosa, escolhemos informações
ou desinformações consistentes com as nossas ideologias.
A formação ou modificação de uma opinião envolve reestruturação cognitiva, um processo de aprendizagem. Todos
nós temos alguma dificuldade em reconhecer nossos erros
e reconfigurar nossas ideias. Não é tranquilo desconstruir
concepções antigas, porém reafirmadas, o tempo todo, na
contemporaneidade, por força dos grupos aos quais pertencemos.
Temos a percepção equivocada de que apenas as nossas crenças são úteis ou corretas. Torturamos os fatos e as
evidências contrárias até que eles confessem o que pretendemos.
Mas tudo isso é muito antigo. “Uma vez que o entendimento de um homem se baseia em algo, seja porque é uma
crença já aceita ou porque o agrada, isso atrai tudo a sua
volta para apoiar e concordar com a opinião adotada. Mesmo
que um número maior de evidências contrárias seja encontrado, ele as ignora ou desconsidera, ou faz distinções sutis
para rejeitá-las, preservando a autoridade de suas primeiras
concepções” (Bacon, 1620).
(Mara Lúcia Madureira. Painel de ideias.
Diário da Região, 28.03.2024. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão A alternativa contendo adaptação do original redigida de acordo com a norma-padrão de concordância é:
ATratam-se de concepções antigas, porém reafirmadas, na contemporaneidade, por grupos que tem convicções arraigadas fazem anos.
BQuando há conflitos de informações com crenças, reinterpretam-se os fatos de acordo com convicções.
CSe, feito uma previsão, ela falha, em vez de abandonar a crença, a pessoa busca explicações irracionais que a sustente.
DÉ comum existir decisões baseadas em preferências inconsistentes, com consequências reais, simplesmente por se rejeitar informações.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Quando há conflitos de informações com crenças, reinterpretam-se os fatos de acordo com convicções.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Concordância verbal e nominal: a norma-padrão na reescrita
Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que respeita integralmente a norma-padrão de concordância: o verbo "reinterpretam-se" concorda com o sujeito paciente "os fatos" (plural), e o verbo "há" fica no singular por ser impessoal (verbo haver no sentido de existir). Como se lê no texto-base: "Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções" — a reescrita mantém o sentido e ajusta a forma à norma culta.
A questão pede uma adaptação do original redigida de acordo com a norma-padrão de concordância. Isso significa que a alternativa deve reescrever uma ideia do texto sem violar as regras de concordância verbal (verbo × sujeito) e nominal (adjetivo/pronome × substantivo). O comando não pede interpretação nem inferência: pede correção gramatical aplicada a uma paráfrase. Portanto, o método é: para cada alternativa, identifique o sujeito de cada verbo e confira se a flexão está adequada; confira também se os determinantes concordam com seus núcleos.
O texto-base trata do autoengano e da tendência humana de reinterpretar fatos para sustentar crenças. A alternativa B parafraseia o primeiro parágrafo: "Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções". A reescrita "Quando há conflitos de informações com crenças, reinterpretam-se os fatos de acordo com convicções" mantém a ideia central e aplica corretamente a voz passiva sintética com o verbo no plural, concordando com "os fatos".
A técnica que decide esta questão é a concordância com a partícula apassivadora "se": quando o "se" é pronome apassivador, o verbo concorda com o sujeito paciente. Em "reinterpretam-se os fatos", o sujeito é "os fatos" (plural), logo o verbo vai para o plural. Já o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e fica sempre no singular: "há conflitos". As demais alternativas erram exatamente nesses pontos — ou usam "se" como índice de indeterminação do sujeito com verbo no singular diante de sujeito plural, ou erram a concordância do verbo "ter" com sujeito plural, ou usam "feito" no lugar de "como", ou erram a concordância do verbo "existir" em locução verbal.
O gancho para resolver: teste cada alternativa perguntando: qual é o sujeito de cada verbo? O verbo está flexionado de acordo com esse sujeito? Se houver um "se" apassivador, o verbo concorda com o termo que o segue; se houver verbo impessoal (haver, fazer, haver), ele fica no singular. A alternativa que acertar todas essas relações é a correta.
Concordância verbal
1Verbo "haver" (existir)
Impessoal → sempre singular
Ex.: "há conflitos"
2Verbo "existir"
Concorda com o sujeito
Ex.: "existirem decisões"
3Partícula "se"
Apassivadora → concorda com o sujeito
Ex.: "reinterpretam-se os fatos"
Índice de indeterminação → singular
Ex.: "trata-se de"
4Verbo "fazer" (tempo)
Impessoal → sempre singular
Ex.: "faz anos"
5Concordância nominal
Particípio concorda com o substantivo
Ex.: "feita uma previsão"
Pronome relativo concorda com o antecedente
Ex.: "explicações que as sustentem"
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Tratam-se de concepções antigas, porém reafirmadas, na contemporaneidade, por grupos que tem convicções arraigadas fazem anos."
Erro duplo de concordância. Primeiro, "Tratam-se" está com o "se" como índice de indeterminação do sujeito (verbo "tratar-se de" é transitivo indireto), e nesse caso o verbo fica sempre no singular: o correto é "Trata-se de concepções antigas". Segundo, o verbo "ter" deveria concordar com o sujeito "grupos" (plural): o correto é "grupos que têm convicções arraigadas". Além disso, "fazem anos" está errado: o verbo "fazer" indicando tempo decorrido é impessoal e fica no singular — "faz anos". A alternativa contradiz a norma em três pontos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Quando há conflitos de informações com crenças, reinterpretam-se os fatos de acordo com convicções."
A alternativa está correta por dois motivos. Primeiro, o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e fica no singular: "há conflitos" está certo. Segundo, "reinterpretam-se os fatos" usa o "se" como partícula apassivadora: o sujeito é "os fatos" (plural), então o verbo vai para o plural — "reinterpretam-se". A frase mantém o sentido do texto original e respeita a norma-padrão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Se, feito uma previsão, ela falha, em vez de abandonar a crença, a pessoa busca explicações irracionais que a sustente."
Dois erros. Primeiro, "feito uma previsão" está incorreto: o correto é "feita uma previsão", pois o particípio concorda com o substantivo feminino "previsão" (concordância nominal). Segundo, o pronome relativo "que" retoma "explicações irracionais" (plural), então o verbo deve concordar no plural: o correto é "explicações irracionais que a sustentem". A alternativa erra tanto na concordância nominal quanto na verbal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"É comum existir decisões baseadas em preferências inconsistentes, com consequências reais, simplesmente por se rejeitar informações."
Erro de concordância na locução verbal "é comum existir". O verbo "existir" tem sujeito "decisões" (plural), portanto deveria flexionar no plural: o correto é "É comum existirem decisões". O verbo "existir" não é impessoal — ele concorda com seu sujeito. A alternativa restringe indevidamente a flexão, tratando "existir" como se fosse impessoal, o que contraria a norma.
Gabarito: letra B. A regra de ouro: em reescrituras, sublinhe cada verbo e pergunte "quem pratica/recebe a ação?". Se o sujeito for plural, o verbo vai para o plural; se o verbo for impessoal (haver, fazer, tempo), fica no singular. A alternativa B é a única que acerta todas as relações.
PEGA ESSA DICA!
Desconfie de "se" + verbo: se o "se" for apassivador, o verbo concorda com o sujeito que vem depois ("reinterpretam-se os fatos"); se for índice de indeterminação, fica no singular ("trata-se de"). Teste trocando por voz passiva analítica: "os fatos são reinterpretados" — o plural se confirma.