Pode ser o fim de um romance, as saudades de uma pessoa querida, uma melancolia sem razão aparente, uma crise
ou a simples despedida de uma gripe. O fato é que, sentindo
uma mistura de tristeza e desamparo, vem, do nada, aquela
vontade de tomar a sopa que a mãe fazia, saborear o bolo
de cenoura que se levava de lanche para a escola ou comer
aquela barra de chocolate que há tanto tempo não fazia mais
parte de uma dieta.
Esses alimentos que a alma, mais do que o corpo, parece
exigir em dados momentos é a chamada comida que conforta. São pratos, iguarias ou guloseimas que trazem aconchego e bem-estar emocional. Às vezes, evocam memórias
preciosas, outras vezes nos presenteiam com um sabor que
anda faltando em nossas vidas. A canja de galinha que anima
o doente, a taça transbordante de sorvete que nos faz esquecer, ainda que momentaneamente, as decepções da vida. E
a deliciosa combinação de pão com mortadela e guaraná que
nos leva de volta à infância – tudo isso é comida que conforta,
comida carregada de sentimentos.
As massas são comidas que confortam clássicas, assim
como os pães: alguém consegue ficar triste diante de um pãozinho fresquinho com manteiga ou uma travessa de espaguete com molho de manjericão e tomate fresco? E é bom lembrar: comida que conforta que se preze não economiza em
carboidrato, gordura, açúcar e calorias. Comida que conforta
tem que ser gostosa e o que é gostoso sempre vem acompanhado de calorias. Por isso conforta, nutre a alma. Mistura
sabor de verdade com memórias e sentimentos.
(Leila Ferreira. Viver não dói. São Paulo: Globo, 2013. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão Assinale a alternativa em que o emprego do acento indicativo de crase obedece à norma-padrão da língua portuguesa.
AEles foram à uma nova cantina italiana para experimentar as massas.
BNo próximo mês, o restaurante abrirá de terça-feira à domingo.
CEles preferem que o almoço seja servido às 14 horas.
DO cliente recusou à lasanha, alegando que o sabor estava estranho.
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GabaritoC — Eles preferem que o almoço seja servido às 14 horas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crase: o acento grave na fusão da preposição "a" com o artigo "a"
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que o acento grave é obrigatório, pois ocorre a fusão da preposição "a" (exigida pela locução "servido a") com o artigo definido "as" que antecede o numeral "14 horas". Nas demais, o acento é indevido: em A, antes de numeral indefinido "uma"; em B, antes de palavra masculina "domingo"; em D, o verbo "recusar" é transitivo direto e não exige preposição.
A questão cobra a regra de ouro da crase: o acento grave só ocorre quando há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a/as" (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos). Para saber se há crase, o método é simples: troque a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o", não há. Aplicando esse teste às alternativas, apenas a C passa.
O comando e o método
O enunciado pede a alternativa em que o emprego do acento indicativo de crase obedece à norma-padrão. Isso significa que devemos analisar cada frase isoladamente, verificando se a crase é obrigatória, facultativa ou proibida. A banca não quer que você interprete o texto; quer que você aplique a regra gramatical. O texto-base serve apenas como contexto temático — a resposta está na gramática, não no conteúdo.
O teste do "ao" é o mais confiável: substitua o termo feminino por um masculino. Se a construção pedir "ao", a crase é obrigatória; se pedir apenas "o", é proibida. Veja:
"servido às 14 horas" → "servido ao meio-dia" (aparece "ao", logo há crase).
"foi à uma cantina" → "foi ao um restaurante" (não faz sentido, logo não há crase).
Crase (fusão a + a): Requisitos (Preposição "a" (regência), Artigo feminino "a/as"); Teste do "ao" (Troca por masculino → "ao" = crase, Troca por masculino → só "o" = sem crase); Casos proibidos (Antes de palavra masculina, Antes de artigo indefinido "uma", Verbo sem preposição (transitivo direto)); Caso obrigatório (Locução adverbial de tempo (às 14h))
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Eles foram à uma nova cantina italiana para experimentar as massas."
Erro: crase antes de artigo indefinido. A palavra "uma" é um artigo indefinido, que não admite a fusão com a preposição. O correto é "foram a uma nova cantina" — sem acento. A banca tenta seduzir o candidato com a palavra feminina "cantina", mas o artigo indefinido bloqueia a crase. Tipo de erro: generalização indevida (aplicar a regra de crase antes de palavra feminina sem verificar o artigo).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"No próximo mês, o restaurante abrirá de terça-feira à domingo."
Erro: crase antes de palavra masculina. "Domingo" é substantivo masculino, e a crase nunca ocorre antes de palavras masculinas. O correto é "de terça-feira a domingo" — sem acento. A banca explora a confusão com a locução "de... a...", que indica período, mas a regra é clara: sem artigo feminino, sem crase. Tipo de erro: troca de conceito (confundir a preposição "a" com crase).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Eles preferem que o almoço seja servido às 14 horas."
Correta: crase obrigatória em locução adverbial de tempo. A expressão "às 14 horas" é uma locução adverbial de tempo formada pela preposição "a" + artigo "as". O verbo "servir" pede a preposição "a" (servir a alguém/algo), e o numeral "14 horas" exige o artigo "as". A fusão "a + as = às" é obrigatória. O teste do "ao" confirma: "servido ao meio-dia" — aparece "ao", logo há crase. Esta é a única alternativa inteiramente correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"O cliente recusou à lasanha, alegando que o sabor estava estranho."
Erro: crase com verbo transitivo direto. O verbo "recusar" é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. O complemento "a lasanha" é objeto direto, sem preposição. O correto é "recusou a lasanha" — sem acento. A banca tenta confundir com verbos que pedem preposição (como "assistir a"), mas "recusar" não pede. Tipo de erro: contradiz a regência verbal (atribuir preposição a um verbo que não exige).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a preposição "a" e a crase. Em todas as erradas, há uma palavra feminina que seduz o candidato, mas falta o artigo definido ou a preposição. O teste do "ao" elimina todas.
PEGA ESSA DICA!
Antes de marcar, faça o teste do "ao". Se a troca por palavra masculina gerar "ao", há crase; se gerar apenas "o", não há. Esse teste resolve 90% das questões de crase.
Gabarito: letra C. A crase é um fenômeno de fusão que exige a presença simultânea da preposição "a" e do artigo feminino "a". A alternativa C é a única que apresenta essa fusão de forma correta, em uma locução adverbial de tempo. As demais erram por falta de preposição, por artigo indefinido ou por palavra masculina.