Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205668
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Lins
Ano
2024
Cargo
Mer ( )
Vizinha
Vizinha, me dá um pouco da tua sopa me deixa partilhar o azeite e as batatas da tua ceia estou tão triste.
A esta hora da noite vocês são ao redor da mesa uma família e o vapor da sopa embaça os óculos do homem e as crianças riem.
Sei muito bem das tuas dificuldades que o dinheiro é pouco e a paixão já se acabou porém, vizinha, tua sopa cheira bem, teus filhos estão crescendo, tens um canário e rosas e não sabes de nada; abre a porta, vizinha, e me admite no seio dessa coisa que um dia eu supus acabada que eu detesto e desejo e não compreendo.
Por favor, por favor, deixa-me entrar, vizinha. Estou tão triste.
Leia o poema a seguir para responder à questão A partir da leitura do poema, é correto afirmar que
Aa tristeza do eu-lírico tem a ver com sua vontade de ter uma família.
Ba vizinha chama com frequência a poeta para partilhar a sopa.
Co pedido da poeta é prontamente atendido pela vizinha.
Da sopa da vizinha costuma impressionar os outros vizinhos também.
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GabaritoA — a tristeza do eu-lírico tem a ver com sua vontade de ter uma família.
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A tristeza do eu-lírico e o desejo de pertencer a uma família
Gabarito: letra A. A tristeza do eu-lírico está diretamente ligada à sua vontade de ter uma família, como se lê no poema: o eu-lírico observa a cena familiar da vizinha — "vocês são ao redor da mesa uma família" — e pede: "abre a porta, vizinha, e me admite no seio dessa coisa". A alternativa A é a única que o texto sustenta: a tristeza nasce da exclusão do eu-lírico em relação àquela vida familiar que ele "detesta e desejo e não compreendo".
O comando pede uma compreensão do poema: "é correto afirmar que". Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma ideia que o texto apresenta, sem exigir deduções além das pistas. Não se trata de inferir algo não dito, mas de reconhecer o que o eu-lírico expressa diretamente.
O poema é um apelo dramático: o eu-lírico, triste, pede à vizinha que o deixe entrar e partilhar da sopa e da vida familiar. A cena descrita — a família à mesa, o vapor embaçando os óculos, as crianças rindo — é o objeto do desejo. O eu-lírico reconhece as dificuldades da vizinha ("o dinheiro é pouco e a paixão já se acabou"), mas ainda assim quer participar daquilo que "um dia eu supus acabada". A tristeza, portanto, não é por falta de comida, mas por exclusão afetiva: ele quer pertencer àquela família.
A técnica central aqui é não extrapolar: cada alternativa deve ser testada perguntando "o texto autoriza isto?". A alternativa A é autorizada pelo trecho em que o eu-lírico descreve a família da vizinha e pede para ser admitido "no seio dessa coisa". As demais alternativas ou acrescentam informações que o texto não traz (B, C, D) ou contradizem o que está escrito (C).
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife as palavras-chave do enunciado ("é correto afirmar") e busque a paráfrase exata no texto. Desconfie de alternativas que introduzem detalhes novos — elas costumam ser extrapolações.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que "a tristeza do eu-lírico tem a ver com sua vontade de ter uma família". Isso está diretamente sustentado no poema. O eu-lírico descreve a cena familiar da vizinha com detalhes que revelam desejo e admiração:
"vocês são ao redor da mesa uma família e o vapor da sopa embaça os óculos do homem e as crianças riem"
E, logo depois, faz o pedido que revela sua carência afetiva:
"abre a porta, vizinha, e me admite no seio dessa coisa que um dia eu supus acabada que eu detesto e desejo e não compreendo"
A expressão "no seio dessa coisa" refere-se à vida familiar que ele observa. A tristeza, portanto, não é por fome, mas por exclusão — ele quer pertencer àquela família. A alternativa A é uma paráfrase fiel dessa ideia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que "a vizinha chama com frequência a poeta para partilhar a sopa". O texto não diz isso. O eu-lírico é quem pede: "me deixa partilhar o azeite e as batatas da tua ceia". Não há nenhuma menção a convites anteriores da vizinha. A alternativa extrapola — acrescenta uma informação que não está no poema.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que "o pedido da poeta é prontamente atendido pela vizinha". O texto não mostra a resposta da vizinha. O poema termina com o pedido repetido: "Por favor, por favor, deixa-me entrar, vizinha. Estou tão triste." Não há nenhuma indicação de que a porta foi aberta. A alternativa contradiz o texto, pois inventa um desfecho que não ocorre.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que "a sopa da vizinha costuma impressionar os outros vizinhos também". O texto não menciona outros vizinhos nem a reação deles. A sopa é descrita apenas pelo eu-lírico, que elogia seu cheiro: "tua sopa cheira bem". A alternativa extrapola — generaliza uma impressão individual para um grupo que não aparece no poema.
Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra A. As demais ou acrescentam informações ausentes (B, D) ou contradizem o que está escrito (C). Ao resolver, pergunte sempre: "o texto autoriza esta afirmação?" — se precisar completar com o que não está dito, a alternativa está errada.