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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — VUNESP 2024

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
vu205669
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Lins
Ano
2024
Cargo
Mer ( )

Vizinha

 

Vizinha, me dá um pouco da tua sopa me deixa partilhar o azeite e as batatas da tua ceia estou tão triste.

 

A esta hora da noite vocês são ao redor da mesa uma família e o vapor da sopa embaça os óculos do homem e as crianças riem.

 

Sei muito bem das tuas dificuldades que o dinheiro é pouco e a paixão já se acabou porém, vizinha, tua sopa cheira bem, teus filhos estão crescendo, tens um canário e rosas e não sabes de nada; abre a porta, vizinha, e me admite no seio dessa coisa que um dia eu supus acabada que eu detesto e desejo e não compreendo.

 

Por favor, por favor, deixa-me entrar, vizinha. Estou tão triste.

 

(Renata Pallottini. Cerejas, meu amor... São Paulo: Ed. Massao Ohno, 1982. Adaptado).

Leia o poema a seguir para responder à questão     No trecho do poema ─ Sei muito bem das tuas dificuldades/ que o dinheiro é pouco e a paixão já se acabou/ porém, vizinha, tua sopa cheira bem... ─, as palavras destacadas estabelecem, na ordem em que se apresentam, relação de sentido de
  1. Amodo e conclusão.
  2. Blugar e tempo.
  3. Ctempo e oposição.
  4. Dintensidade e condição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — tempo e oposição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações de sentido: tempo e oposição no poema

Gabarito: letra C. As palavras destacadas no trecho — "que" e "porém" — estabelecem, na ordem, relações de tempo e oposição. A primeira introduz uma oração que indica quando a paixão acabou (tempo), e a segunda marca o contraste entre as dificuldades reconhecidas e o que a sopa cheira bem (oposição). Como se lê no trecho: "Sei muito bem das tuas dificuldades/ que o dinheiro é pouco e a paixão já se acabou/ porém, vizinha, tua sopa cheira bem".

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique a relação de sentido que as palavras destacadas estabelecem, "na ordem em que se apresentam". Isso significa que a resposta deve considerar cada palavra individualmente, na sequência em que aparecem no trecho, e não o sentido global do período. A banca quer que o candidato reconheça o valor semântico de cada conectivo — uma habilidade de semântica aplicada ao texto, não de interpretação ampla.

O texto e o trecho analisado

O poema "Vizinha", de Renata Pallottini, é um apelo lírico: o eu lírico, triste, pede para entrar na casa da vizinha e partilhar da sopa e da vida familiar. No trecho destacado, o eu lírico reconhece as dificuldades da vizinha — o dinheiro escasso e a paixão acabada — mas, apesar disso, nota que a sopa cheira bem, que os filhos crescem, que há um canário e rosas. O movimento é de concessão seguida de ressalva: primeiro admite os problemas, depois contrapõe o que há de bom. Essa estrutura é típica do período composto por coordenação adversativa, em que "porém" introduz a oração que quebra a expectativa criada pela anterior.

A técnica que decide

Para resolver, é preciso classificar cada conectivo pelo valor semântico que instaura entre as orações. Vejamos:

  • "que": no trecho, "que o dinheiro é pouco e a paixão já se acabou" — o "que" é um pronome relativo que retoma "dificuldades" e introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva. Mas a relação de sentido que ele estabelece com o termo anterior é de tempo: as dificuldades são aquelas em que o dinheiro é pouco e a paixão acabou. Ou seja, o "que" equivale a "em que" (tempo).

  • "porém": conjunção coordenativa adversativa, que marca oposição entre a ideia de dificuldade e a de que a sopa cheira bem. É sinônimo de "mas", "contudo", "todavia".

Portanto, a sequência correta é tempo e oposição.

Análise das alternativas

Conectivos no trecho
  • 1"que"
    • Pronome relativo
    • Equivale a "em que"
    • Relação de tempo
  • 2"porém"
    • Conjunção adversativa
    • Equivale a "mas"
    • Relação de oposição
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Modo e conclusão. O "que" não indica modo (como, de que maneira), e o "porém" não é conclusivo (logo, portanto). O "porém" é adversativo, não conclusivo. A alternativa troca o valor do conectivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Lugar e tempo. O "que" não indica lugar (onde), e o "porém" não é temporal (quando). O "que" aqui é temporal, mas o "porém" é de oposição. A alternativa erra no segundo conectivo.

Alternativa C — ✅ Correta

Tempo e oposição. Como explicado, o "que" equivale a "em que" (tempo) e o "porém" marca oposição. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Intensidade e condição. O "que" não indica intensidade (tão... que), e o "porém" não é condicional (se). A alternativa inventa relações que não existem no trecho.

Conclusão

A questão testa a classificação semântica dos conectivos dentro do contexto. A pegadinha está em confundir o "que" relativo com outros usos (integrante, consecutivo) e o "porém" com outros conectivos. Dica: ao identificar a relação, substitua o conectivo por outro de mesmo valor: "que" → "em que" (tempo); "porém" → "mas" (oposição). Se a substituição mantém o sentido, acertou.

Gabarito: letra C

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