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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205684
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Lins
Ano
2024
Cargo
Pad ( )

Pão de queijo: minha confissão

 

Nossa história de amor é longa. Desde pequena já era apaixonada por ele. Quando ia para a casa da minha avó, em Minas, ela me dizia “ele já está te esperando”, eu entrava na cozinha e lá estava ele, quentinho, na cesta. Ele, o pão de queijo. Meu amor.

 

No começo era uma loucura. Não me contentava apenas com um – mas, como em tudo nesta vida, aprendi que mesmo a paixão precisa ter uma dose, um limite. E que ter tudo sempre, em excesso, não é saudável. A verdade é que o pão de queijo nunca me abandonou. Tivemos nossas brigas, nossos momentos separados, mas eu descobri que não vivo sem ele. Se tem uma coisa à qual sou fiel é ao pão de queijo. Morro de saudades dele em viagens. “Cadê meu amor?”, penso. Porque, convenhamos, ele é insubstituível.

 

O que se iguala a um pão de queijo? Nada. Ele é único, perfeito. Em nenhum lugar do mundo existe um quitute parecido. Para um lanche da tarde, há algo melhor do que um pão de queijo? E para a ressaca? Café de trabalho com quem você não tem intimidade, café da manhã com quem você tem muita intimidade... Ele é para todos os momentos. Vai receber amigos em uma tarde de sábado, com risadas? Pãozinho de queijo. Quer chorar numa doceria depois de um trânsito horroroso? Pão de queijo. Vai assistir ao jogo de futebol com amigos? Fornada pronta e quentinha.

 

Ele até pode parecer fácil, afinal, está em todos os cantos. Das padocas mais pé sujo, passando pelos cafés de livrarias, chegando às “boulangeries boutiques” e até... em postos de gasolina. No entanto, vocês sabem. Amores sem contradições não existem. Há pães de queijo e pães de queijo. E, como em todo romance, existem altos e baixos. Às vezes, a gente enjoa dele, se irrita. Alguns são muito gordurosos, massudos. Outros não têm a dose certinha de polvilho. Não é algo fácil de fazer. Mas não adianta. É amor. Eu não consigo viver sem ele. Por isso, encerro esta crônica com um cartaz que vi uma vez, numa cidadezinha mineira. Confesso que fiquei com ciúme, mas entendi perfeitamente o que ele quis dizer.

 

“Temos pão de queijo

Tão bão, mas tão bão,

Que dá até dó de vendê.”

 

(Marilia Neustein. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em 22.3.2024. Adaptado)

Para responder à questão     Em relação ao pão de queijo, a autora declara que
  1. Aa avó lhe ensinara que comer muito poderia fazer mal.
  2. Bsempre aconteciam brigas entre amigos por causa dele.
  3. Csua paixão por ele começou bem cedo, na casa de sua avó.
  4. Dé confortante comer alguns deles quentinhos no trânsito.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — sua paixão por ele começou bem cedo, na casa de sua avó.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pão de queijo: a paixão que começou na casa da avó

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que encontra respaldo direto no texto: a autora afirma que sua paixão pelo pão de queijo começou "Desde pequena", quando ia à casa da avó em Minas, e que lá o pão de queijo a esperava quentinho. As demais alternativas ou extrapolam o que está escrito ou contradizem o texto.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede que você identifique o que a autora declara — ou seja, uma informação explícita, que está literalmente no texto. Não se trata de inferir, deduzir ou interpretar nas entrelinhas; basta localizar a passagem que corresponde à ideia apresentada. Questões de compreensão são resolvidas encontrando a paráfrase — a reescritura fiel do que está dito, sem acrescentar nada.

O texto: uma crônica de amor ao pão de queijo

A crônica é uma declaração de amor ao pão de queijo. A autora conta que, desde a infância, na casa da avó em Minas, já era apaixonada por ele. No primeiro parágrafo, ela escreve:

"Nossa história de amor é longa. Desde pequena já era apaixonada por ele. Quando ia para a casa da minha avó, em Minas, ela me dizia 'ele já está te esperando', eu entrava na cozinha e lá estava ele, quentinho, na cesta."

É exatamente essa passagem que sustenta a alternativa C: a paixão começou cedo ("desde pequena") e na casa da avó ("quando ia para a casa da minha avó"). A alternativa C é uma paráfrase perfeita desse trecho.

A técnica: teste cada alternativa perguntando "onde o texto autoriza isto?"

A armadilha central desta questão é a extrapolação: a banca oferece afirmações que parecem plausíveis, mas que não estão no texto. Para cada alternativa, pergunte: "a autora disse isso?" Se a resposta for "não, mas poderia ser", a alternativa está errada. A correta é a única que se apoia em uma passagem concreta.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que "a avó lhe ensinara que comer muito poderia fazer mal". O texto não diz isso. A avó apenas diz que o pão de queijo "já está te esperando" — não há nenhuma lição sobre moderação ou saúde. A autora até menciona que aprendeu que "mesmo a paixão precisa ter uma dose, um limite", mas isso é uma reflexão pessoal dela, não um ensinamento da avó. A alternativa inventa uma informação que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que "sempre aconteciam brigas entre amigos por causa dele". O texto fala de "brigas" e "momentos separados" entre a autora e o pão de queijo, em sentido figurado — não entre amigos. Não há nenhuma menção a brigas entre amigos por causa do pão de queijo. A alternativa distorce o sentido figurado e acrescenta um elemento (amigos) que não aparece.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa correta. O texto afirma, no primeiro parágrafo:

"Desde pequena já era apaixonada por ele. Quando ia para a casa da minha avó, em Minas..."

A alternativa C diz: "sua paixão por ele começou bem cedo, na casa de sua avó". Isso é uma paráfrase fiel: "desde pequena" = "bem cedo"; "quando ia para a casa da minha avó" = "na casa de sua avó". Não há acréscimo nem omissão — é exatamente o que o texto declara.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que "é confortante comer alguns deles quentinhos no trânsito". O texto menciona o trânsito em uma passagem: "Quer chorar numa doceria depois de um trânsito horroroso? Pão de queijo." Mas isso não diz que comer pão de queijo no trânsito é confortante — diz que, depois de um trânsito horroroso, a autora recorre ao pão de queijo. A alternativa inverte a relação: o texto fala de comer após o trânsito, não durante; e acrescenta o adjetivo "confortante", que não está no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato que parece verdadeiro, mas que o texto não traz. A alternativa D é o exemplo clássico: mistura elementos do texto (pão de queijo, trânsito) e acrescenta uma ideia nova (conforto no trânsito).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, sublinhe no texto a passagem que corresponde a cada alternativa. Se não encontrar, a alternativa está errada. A correta sempre tem um trecho que a sustenta palavra por palavra.

Gabarito: letra C.

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