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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205687
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Lins
Ano
2024
Cargo
Pad ( )

Pão de queijo: minha confissão

 

Nossa história de amor é longa. Desde pequena já era apaixonada por ele. Quando ia para a casa da minha avó, em Minas, ela me dizia “ele já está te esperando”, eu entrava na cozinha e lá estava ele, quentinho, na cesta. Ele, o pão de queijo. Meu amor.

 

No começo era uma loucura. Não me contentava apenas com um – mas, como em tudo nesta vida, aprendi que mesmo a paixão precisa ter uma dose, um limite. E que ter tudo sempre, em excesso, não é saudável. A verdade é que o pão de queijo nunca me abandonou. Tivemos nossas brigas, nossos momentos separados, mas eu descobri que não vivo sem ele. Se tem uma coisa à qual sou fiel é ao pão de queijo. Morro de saudades dele em viagens. “Cadê meu amor?”, penso. Porque, convenhamos, ele é insubstituível.

 

O que se iguala a um pão de queijo? Nada. Ele é único, perfeito. Em nenhum lugar do mundo existe um quitute parecido. Para um lanche da tarde, há algo melhor do que um pão de queijo? E para a ressaca? Café de trabalho com quem você não tem intimidade, café da manhã com quem você tem muita intimidade... Ele é para todos os momentos. Vai receber amigos em uma tarde de sábado, com risadas? Pãozinho de queijo. Quer chorar numa doceria depois de um trânsito horroroso? Pão de queijo. Vai assistir ao jogo de futebol com amigos? Fornada pronta e quentinha.

 

Ele até pode parecer fácil, afinal, está em todos os cantos. Das padocas mais pé sujo, passando pelos cafés de livrarias, chegando às “boulangeries boutiques” e até... em postos de gasolina. No entanto, vocês sabem. Amores sem contradições não existem. Há pães de queijo e pães de queijo. E, como em todo romance, existem altos e baixos. Às vezes, a gente enjoa dele, se irrita. Alguns são muito gordurosos, massudos. Outros não têm a dose certinha de polvilho. Não é algo fácil de fazer. Mas não adianta. É amor. Eu não consigo viver sem ele. Por isso, encerro esta crônica com um cartaz que vi uma vez, numa cidadezinha mineira. Confesso que fiquei com ciúme, mas entendi perfeitamente o que ele quis dizer.

 

“Temos pão de queijo

Tão bão, mas tão bão,

Que dá até dó de vendê.”

 

(Marilia Neustein. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em 22.3.2024. Adaptado)

Para responder à questão     Na crônica, a autora reconhece que seu amor pelo pão de queijo é tão grande que pouco importa se
  1. Ao preço está justo ou está caro.
  2. Ba porção é pequena ou grande.
  3. Cvai saboreá-lo sozinha ou acompanhada.
  4. Dé originário de Minas ou de outro local.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — vai saboreá-lo sozinha ou acompanhada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pão de queijo: o amor que independe da companhia

Gabarito: letra C. A crônica de Marilia Neustein é uma declaração de amor ao pão de queijo, e a alternativa C — "vai saboreá-lo sozinha ou acompanhada" — é a única que captura a essência desse amor: ele é "para todos os momentos", independentemente da companhia. A passagem que ancora essa leitura está no 3º parágrafo, quando a autora enumera situações diversas — de receber amigos a chorar numa doceria — e conclui que o pão de queijo serve para todas elas.

"Ele é para todos os momentos. Vai receber amigos em uma tarde de sábado, com risadas? Pãozinho de queijo. Quer chorar numa doceria depois de um trânsito horroroso? Pão de queijo. Vai assistir ao jogo de futebol com amigos? Fornada pronta e quentinha."

Aqui está a chave: a autora não condiciona o consumo do pão de queijo a uma situação específica. Ele está presente tanto em momentos de companhia (receber amigos, assistir a jogo com amigos) quanto em momentos de solidão (chorar numa doceria). A alternativa C parafraseia exatamente essa ideia de que o amor independe de estar acompanhada ou sozinha.

O comando e o método

O enunciado pede que se identifique o que "pouco importa" para a autora, dado seu amor pelo pão de queijo. Isso é uma questão de compreensão — a resposta está explícita no texto, não exige inferência. A técnica é buscar a passagem que fala da universalidade do pão de queijo e testar cada alternativa contra ela. A banca quer que você perceba que o amor da autora é incondicional: não depende de circunstâncias externas, como preço, tamanho ou origem.

A técnica que decide

Em questões de compreensão, a resposta correta é sempre uma paráfrase — uma reescritura fiel — de uma passagem do texto. As alternativas erradas, por sua vez, cometem o erro clássico da extrapolação: acrescentam informações que não estão no texto, preenchendo lacunas com o conhecimento de mundo do candidato. Por exemplo, o texto não fala em preço, porção ou origem; logo, qualquer alternativa que mencione esses elementos está fora do escopo do que foi dito.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona preço em nenhum momento. A autora fala da onipresença do pão de queijo ("está em todos os cantos"), mas não discute se é caro ou barato. A alternativa introduz uma preocupação econômica que não existe na crônica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não fala em tamanho de porção. A autora menciona que "não me contentava apenas com um" no início, mas isso se refere à quantidade que ela consumia, não a uma reflexão sobre porções pequenas ou grandes. A alternativa inventa uma oposição que não está no texto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque parafraseia o texto. A passagem "Ele é para todos os momentos" é a prova direta. A autora lista situações de companhia (receber amigos, assistir a jogo) e de solidão (chorar numa doceria), mostrando que o amor independe da companhia. A alternativa C captura exatamente essa ideia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto menciona que o pão de queijo é de Minas ("Quando ia para a casa da minha avó, em Minas"), mas não discute se a origem importa ou não. A alternativa sugere uma preocupação com a procedência que não está no texto. Além disso, a autora afirma que "em nenhum lugar do mundo existe um quitute parecido", o que valoriza a singularidade, não a origem.

Fechamento

A regra de ouro: em compreensão, a resposta está no texto, não na sua cabeça. Teste cada alternativa perguntando: "O texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". A única que se sustenta é a C, porque ela apenas reescreve com outras palavras o que a autora disse.

Gabarito: letra C

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