Questão de Português — Crase — VUNESP 2024
- Código
- vu205718
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Pref Peruíbe
- Ano
- 2024
- Cargo
- Eng ( )
- Adado ... à ... à
- Bdada ... a ... à
- Cdada ... à ... a
- Ddado ... a ... à
- Edada ... à ... à
GabaritoC — dada ... à ... a
Gabarito: letra C. A alternativa correta é C) dada ... à ... a, pois: (1) o particípio "dada" concorda com o sujeito paciente "a possibilidade" (feminino singular) na voz passiva; (2) "à medicina" recebe crase porque o verbo "produzir" exige a preposição a e o substantivo "medicina" admite o artigo a; (3) "a todas" NÃO recebe crase, pois "todas" é pronome indefinido que não admite artigo. A banca explora exatamente a confusão entre esses três casos.
O enunciado pede que você preencha as lacunas "de acordo com a norma-padrão de concordância nominal e de emprego do sinal indicativo de crase". São, portanto, dois conhecimentos distintos aplicados ao mesmo trecho: a concordância do particípio (dado/dada) e a presença ou ausência de crase (à/a). Perceba que o comando não pede interpretação de texto — é uma questão de gramática normativa aplicada, e a resposta se prova pela análise sintática e semântica de cada termo.
O trecho é:
"Já foi ____ aos brasileiros a possibilidade de conhecer a Inteligência Artificial, presente em muitos cenários: da produção de textos ____ medicina, essa tecnologia importa ______ todas as pessoas antenadas na atualidade."
A primeira lacuna está em uma voz passiva sintética ("foi dada"). O sujeito é "a possibilidade" (núcleo feminino singular), que recebe a ação de "dar". Por isso, o particípio deve concordar com ele: "dada". A segunda lacuna está na expressão "da produção de textos ______ medicina": o verbo "produzir" rege a preposição a (produzir algo a algo), e "medicina" é palavra feminina que aceita artigo — logo, crase (à). A terceira lacuna, "importa ______ todas as pessoas", o verbo "importar" (no sentido de interessar) rege a preposição a, mas "todas" é pronome indefinido que não admite artigo — portanto, sem crase (a).
1ª lacuna — concordância nominal: Na voz passiva, o particípio concorda com o sujeito paciente. Aqui, o sujeito é "a possibilidade" (feminino singular), então o particípio é "dada". Se o sujeito fosse "os direitos", seria "dados". A pegadinha é achar que "aos brasileiros" (masculino plural) influencia o particípio — mas ele é objeto indireto, não o sujeito.
2ª lacuna — crase obrigatória: A regra é: há crase quando há preposição "a" + artigo "a". O verbo "produzir" pede preposição a (produzir algo a algo), e "medicina" é substantivo feminino que admite artigo a. Logo: à medicina. Se trocássemos por palavra masculina, veríamos a preposição: "produção de textos ao jornal" — o "ao" revela a preposição.
3ª lacuna — crase proibida: O verbo "importar" (interessar) rege preposição a (importa a alguém). Mas "todas" é pronome indefinido — não admite artigo. Sem artigo, não há fusão, logo sem crase: "importa a todas". A regra geral: crase proibida antes de pronomes indefinidos (todas, todas as, alguém, ninguém). Se fosse "importa às pessoas" (artigo + substantivo), haveria crase.
"dado ... à ... à" — Erra na primeira lacuna: "dado" não concorda com "a possibilidade" (feminino). O particípio deve ser "dada". Além disso, erra na terceira: "à todas" é crase proibida antes de pronome indefinido. Duplo erro.
"dada ... a ... à" — Acerta a primeira ("dada"), mas erra a segunda: "a medicina" sem crase, pois o verbo "produzir" exige preposição a + artigo a = à. E erra a terceira: "à todas" com crase indevida. A banca inverte os casos de crase.
"dada ... à ... a" — Preenche corretamente as três lacunas: "dada" (concordância com "a possibilidade"), "à medicina" (preposição + artigo) e "a todas" (preposição sem artigo, pois "todas" é pronome indefinido). É a única alternativa que respeita a norma-padrão nos três pontos.
"dado ... a ... à" — Erra na primeira ("dado" em vez de "dada") e na terceira ("à todas" com crase proibida). A segunda está correta ("a medicina" sem crase? Não — deveria ser "à medicina"). Na verdade, erra também na segunda: o correto é "à medicina". Três erros.
"dada ... à ... à" — Acerta as duas primeiras ("dada" e "à medicina"), mas erra a terceira: "à todas" é crase proibida antes de pronome indefinido. O correto é "a todas".
A banca explora a confusão entre os casos de crase: coloca crase onde não há (antes de "todas") e omite onde há (antes de "medicina"). A dica é sempre testar: troque a palavra feminina por uma masculina — se aparecer "ao", há crase; se aparecer "ao" e a palavra for pronome indefinido, não há.
Para a concordância, identifique o sujeito da voz passiva: "foi dada a possibilidade" — o particípio concorda com "possibilidade", não com "brasileiros". Para a crase, pergunte: o verbo exige preposição a? A palavra seguinte admite artigo a? Se sim, crase; se não, sem crase.
Conclusão: A questão testa dois pilares da norma-padrão: concordância do particípio na voz passiva e crase (obrigatória e proibida). A alternativa C é a única que acerta os três pontos. Lembre-se: crase é fusão de preposição + artigo; sem artigo, não há crase.
Gabarito: letra C
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