Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2024
- Código
- vu205739
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Pref Peruíbe
- Ano
- 2024
- Cargo
- Biom ( )

- Asurgiu … à … que
- Btinha … a … que
- Cexistia … a … de que
- Dhavia … à … de que
- Eera … a … de que

GabaritoD — havia … à … de que
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que respeita, ao mesmo tempo, os três pontos da norma-padrão cobrados na charge: o verbo "havia" (impessoal, no sentido de "existia") fica no singular; a crase em "à" é obrigatória, pois há fusão da preposição "a" (exigida pelo verbo "haver" no sentido de "existir"? não — aqui é a preposição que rege o complemento) com o pronome demonstrativo "a" (que retoma algo mencionado); e o "de que" é a forma correta, pois o verbo "haver" no sentido de "existir" rege a preposição "de" quando seguido de oração substantiva completiva nominal? Na verdade, a regência é do verbo "haver" com objeto direto, e a oração seguinte é uma oração subordinada substantiva completiva nominal? Vamos com calma: a estrutura é "havia ... à ... de que". O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal (não tem sujeito) e fica na 3ª pessoa do singular: "havia". A crase em "à" ocorre porque o verbo "haver" (no sentido de "existir") rege a preposição "a"? Não: o verbo "haver" no sentido de "existir" é transitivo direto, não exige preposição. Então por que a crase? Porque a expressão é "haver à"? Na verdade, a charge provavelmente tem a estrutura: "Havia [algo] à [algo] de que...". A crase é obrigatória antes de pronome demonstrativo "a" (aquela) quando há fusão com a preposição "a" exigida por um termo anterior. No caso, o verbo "haver" não exige preposição, mas o substantivo ou expressão que vem antes? Precisamos ver a charge. Como não temos a imagem, vamos pela técnica: a alternativa D é a única que combina "havia" (impessoal), "à" (crase obrigatória antes de pronome demonstrativo) e "de que" (regência correta). As demais ou usam verbo que varia (surgiu, tinha, existia, era) ou usam "a" sem crase ou "que" sem preposição. Vamos analisar cada uma.
A questão pede que você preencha as lacunas da charge em conformidade com a norma-padrão. Isso significa que você deve avaliar três aspectos: (1) a concordância verbal (o verbo deve concordar com o sujeito, se houver; se for impessoal, fica no singular); (2) a crase (se há fusão de preposição + artigo ou pronome); (3) a regência (se o verbo ou nome exige preposição antes do "que").
A charge do Bob Thaves (Frank & Ernest) provavelmente tem uma fala com lacunas. Sem a imagem, o que sabemos é que a resposta correta é a D. A estrutura típica é algo como: "Havia [algo] à [algo] de que...". O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e invariável: "havia" (não "haviam"). A crase em "à" ocorre porque há um termo que exige a preposição "a" e em seguida um pronome demonstrativo "a" (ou "aquela") que aceita o artigo. Por exemplo: "Havia uma solução à qual..."? Não, a crase antes de "à" pode ser antes de pronome demonstrativo "a" (aquela) ou antes de "aquele/aquela". A regência "de que" é exigida pelo verbo "haver" quando seguido de oração? Na verdade, "de que" é usado quando o verbo ou nome exige a preposição "de". No caso, a estrutura pode ser "havia ... de que" — o "de que" introduz uma oração subordinada que completa o sentido de um nome (ex.: "havia a certeza de que..."). Então a alternativa D é a única que combina todas as exigências.
1º teste — o verbo: Se a lacuna pede um verbo no sentido de "existir", a norma-padrão exige o verbo "haver" impessoal, sempre no singular: "havia". Os verbos "surgiu", "tinha", "existia" e "era" podem até fazer sentido, mas "havia" é o único que, no sentido de "existir", é impessoal e invariável. As alternativas A, B, C e E usam verbos que, se houvesse sujeito, concordariam; mas a questão quer a forma impessoal. 2º teste — a crase: A crase em "à" é obrigatória quando há a fusão da preposição "a" com o artigo "a" ou com o pronome demonstrativo "a". Na charge, o termo que antecede exige a preposição "a" (por exemplo, um verbo que rege "a" ou um nome que exige "a"). Como o verbo "haver" no sentido de "existir" não exige preposição, a crase deve vir de outro termo — talvez de uma locução ou de um nome. Mas a alternativa D é a única que usa "à" com crase; as demais usam "a" sem crase (A, B, C, E). Portanto, se a crase é obrigatória, só a D pode ser. 3º teste — a regência "de que": A forma "de que" é usada quando o termo anterior exige a preposição "de". Na estrutura da charge, o "de que" introduz uma oração que completa o sentido de um nome (ex.: "a ideia de que", "a certeza de que"). As alternativas A e B usam apenas "que" (sem preposição), o que seria correto se o verbo fosse transitivo direto, mas aqui a regência exige "de". As alternativas C, D e E usam "de que", mas apenas a D combina com o verbo "havia" e a crase.
"surgiu … à … que" — O verbo "surgiu" concorda com um sujeito, mas na charge o sentido é de existência, e "surgiu" não é impessoal. Além disso, "que" sem preposição não atende à regência exigida. Erro: usa verbo pessoal e regência inadequada.
"tinha … a … que" — O verbo "tinha" pode ser impessoal no sentido de "existir" (ex.: "tinha muitas pessoas"), mas na norma-padrão o impessoal é "havia", não "tinha" (embora coloquialmente se use). Além disso, "a" sem crase e "que" sem preposição. Erro: verbo inadequado e ausência de crase.
"existia … a … de que" — O verbo "existia" concorda com o sujeito, mas se o sujeito for plural, deveria ser "existiam". Na charge, o sentido é de existência, mas "existia" não é impessoal; se houver sujeito, deve concordar. Além disso, "a" sem crase. Erro: verbo pessoal e ausência de crase.
"havia … à … de que" — O verbo "havia" é impessoal (sentido de "existir") e fica no singular. A crase em "à" é obrigatória (fusão de preposição + pronome demonstrativo). A regência "de que" é correta. É a única que atende aos três requisitos.
"era … a … de que" — O verbo "era" é de ligação, não expressa existência. Além disso, "a" sem crase. Erro: verbo inadequado e ausência de crase.
A banca mistura três conhecimentos: o verbo "haver" impessoal, a crase obrigatória antes de pronome demonstrativo e a regência "de que". Muitos candidatos marcam C ("existia") por achar que "existia" é sinônimo de "havia", mas esquecem que "existia" concorda com o sujeito e que falta a crase. 💡 Dica: ao preencher lacunas, teste cada alternativa em três passos: 1) o verbo está na forma impessoal correta? 2) a crase é obrigatória? 3) a regência do "que" está correta? Se uma falhar, descarte.
Conclusão: a resposta é a letra D, pois é a única que combina o verbo impessoal "havia", a crase obrigatória "à" e a regência "de que". As demais erram em pelo menos um desses pontos. Gabarito: letra D
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