Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2024
- Código
- vu205740
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Pref Peruíbe
- Ano
- 2024
- Cargo
- Biom ( )

- ATenho-nas na cabeça.
- BTenho elas na cabeça.
- CTenho-as na cabeça.
- DTenho-lhes na cabeça.
- EAs tenho na cabeça.

GabaritoC — Tenho-as na cabeça.
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que respeita, ao mesmo tempo, a regência do verbo (o pronome as retoma "pedras", objeto direto) e a colocação pronominal (ênclise após verbo no presente do indicativo, sem palavra atrativa). A forma "Tenho-as" está correta porque o verbo "ter" é transitivo direto e o pronome oblíquo átono "as" exerce função de objeto direto, como se lê na frase original: "Não tenho pedras na vesícula ou no rim".
O enunciado pede que você assinale a alternativa que apresenta a sequência correta para a frase, considerando o emprego e/ou a colocação de pronomes, de acordo com a norma-padrão. Isso significa que a questão testa dois conhecimentos simultaneamente: (1) qual pronome deve ser usado para retomar o termo "pedras" (função sintática) e (2) onde esse pronome deve ficar em relação ao verbo (colocação pronominal).
A frase original é: "Não tenho pedras na vesícula ou no rim." O termo "pedras" é o objeto direto do verbo "ter" (quem tem, tem algo). Para retomá-lo sem repeti-lo, usamos o pronome oblíquo átono as (feminino plural), que funciona como objeto direto. A forma correta com o verbo "tenho" é tenho-as (ênclise), pois não há palavra atrativa antes do verbo que justifique a próclise. A alternativa C apresenta exatamente isso: "Tenho-as na cabeça."
Identifique a função sintática do termo retomado: "pedras" é objeto direto de "ter". Portanto, o pronome deve ser o, a, os, as (e suas variações -lo, -la, -no, -na etc.), nunca lhe/lhes (que são para objeto indireto).
Verifique a colocação: com verbo no presente do indicativo e sem palavra atrativa (advérbio, pronome relativo, conjunção subordinativa, palavra negativa etc.) antes do verbo, usa-se ênclise (pronome depois do verbo). Como a frase começa com o verbo "Tenho", não há atrativo, então o pronome deve vir após o verbo: Tenho-as.
Cuidado com a próclise: a próclise (pronome antes do verbo) só é obrigatória quando há palavra atrativa. Na alternativa E, "As tenho na cabeça" seria aceitável apenas se houvesse um atrativo (ex.: "Não as tenho"), o que não ocorre na frase isolada.
Erro: troca de pronome (regência). "Tenho-nas" usa a forma -nas, que é a variante de as após verbo terminado em ditongo nasal (ex.: "amam-na"). No entanto, o verbo "tenho" termina em -o (vogal oral), não em ditongo nasal, portanto a forma correta seria tenho-as, não tenho-nas. A banca explora a confusão entre as variantes fonéticas dos pronomes oblíquos.
Erro: uso de pronome reto como objeto. "Tenho elas na cabeça" emprega o pronome pessoal reto elas com função de objeto direto, o que é inaceitável na norma-padrão. O correto é usar o pronome oblíquo átono as. Essa é uma construção típica da fala coloquial, mas não da escrita formal.
Correta. "Tenho-as na cabeça" está de acordo com a norma-padrão: o pronome as é objeto direto (retoma "pedras") e está em ênclise, posição correta após verbo no presente do indicativo sem palavra atrativa. A forma "tenho-as" é a única que combina regência e colocação adequadas.
Erro: troca de pronome (regência). "Tenho-lhes" usa o pronome lhes, que é objeto indireto (equivale a "a eles/elas"). Como "pedras" é objeto direto, o pronome correto é as. Além disso, "lhes" não se flexiona em gênero, o que reforça o erro.
Erro: colocação pronominal (próclise indevida). "As tenho na cabeça" usa a próclise, mas não há palavra atrativa antes do verbo que a justifique. Na norma-padrão, sem atrativo, a posição correta é a ênclise: "Tenho-as". A próclise seria aceitável apenas se houvesse um advérbio, pronome relativo, conjunção subordinativa ou palavra negativa antes (ex.: "Não as tenho").
A banca mistura dois erros clássicos: trocar o pronome oblíquo átono de objeto direto (o/a) pelo de objeto indireto (lhe/lhes) e confundir a posição do pronome (ênclise vs. próclise). A alternativa E parece correta por usar "as", mas erra a colocação, pois não há palavra atrativa que justifique a próclise.
Para resolver questões de colocação pronominal, primeiro identifique a função sintática do termo retomado (objeto direto ou indireto) e depois verifique se há palavra atrativa antes do verbo. Se não houver, use ênclise; se houver, use próclise.
Gabarito: letra C.
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