Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2024
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu205746
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2024
Cargo
Biom ( )
Com mais idosos, será preciso fortalecer o SUS
Dados recém-divulgados pelo IBGE mostram que os brasileiros têm destinado parcelas crescentes de sua renda a serviços de saúde e medicamentos nos últimos anos, uma tendência previsível com a transformação demográfica e o envelhecimento da população.
A despesa pública e privada do país com tal finalidade somou 9,7% do Produto Interno Bruto em 2021, ante 8% em 2010. A expansão deve continuar nos próximos anos, visto que em países mais desenvolvidos e com maior proporção de idosos entre os habitantes, como Alemanha, França e Reino Unido, o índice chega a 12% ou mais.
Por aqui, o aumento dos gastos no período se concentrou nas famílias – de 4,4% para 5,7% do PIB. Já os desembolsos dos governos federal, estaduais e municipais passaram de 3,6% para 4% do produto.
Os números refletem o sistema híbrido de financiamento da saúde que, na prática, desenvolveu-se no Brasil. Embora disponhamos de um sistema público universal de atendimento, o que sem dúvida é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder abrir mão dos recursos privados.
Será necessário fortalecer o SUS para fazer frente à alta esperada da participação de idosos na população. Hoje, homens e mulheres com idade acima dos 65 anos representam perto de 11% dos brasileiros; projeta-se que o patamar de 20% será ultrapassado em 2050, e o de 30% estará próximo em 2070.
No atual cenário de penúria orçamentária, não há como pensar em um aumento rápido e vigoroso dos recursos do SUS. A longo prazo, será preciso rever prioridades e conter outras despesas para viabilizar maior atenção ao setor.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 07.04.2024. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão a seguir: A reescrita da passagem do texto – Embora disponhamos de um sistema público universal de atendimento, o que sem dúvida é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder abrir mão dos recursos privados. – está de acordo com o sentido do texto e com a norma-padrão em:
AComo contamos com um sistema público universal de atendimento, o que provavelmente é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder renunciar dos recursos privados.
BAinda que contemos com um sistema público universal de atendimento, o que indubitavelmente é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder renunciar aos recursos privados.
CApesar de contarmos com um sistema público universal de atendimento, o que certamente é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder renunciar com os recursos privados.
DTanto contemos com um sistema público universal de atendimento, o que possivelmente é uma conquista civilizatória, que estamos longe de poder renunciar pelos recursos privados.
EUma vez que contamos com um sistema público universal de atendimento, o que consequentemente é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder renunciar os recursos privados.
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GabaritoB — Ainda que contemos com um sistema público universal de atendimento, o que indubitavelmente é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder renunciar aos recursos privados.
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Reescrita de frases: regência e conectivos em jogo
Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que preserva o sentido original e respeita a norma-padrão: troca "Embora" por "Ainda que" (ambos conectivos de concessão), "sem dúvida" por "indubitavelmente" (ambos advérbios de certeza absoluta) e usa corretamente a regência de "renunciar" com a preposição "a" — "renunciar aos recursos privados". Como se lê no trecho original:
"Embora disponhamos de um sistema público universal de atendimento, o que sem dúvida é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder abrir mão dos recursos privados."
A reescrita precisa manter a relação de oposição/concessão entre o fato de existir o SUS e a impossibilidade de dispensar o setor privado — e é exatamente isso que B faz.
O comando: reescrever sem perder o sentido
A questão pede uma reescrita da passagem que esteja "de acordo com o sentido do texto e com a norma-padrão". Isso significa que a alternativa correta deve:
Preservar a relação lógica entre as orações (concessão: "embora", "ainda que", "apesar de");
Manter o grau de certeza do autor ("sem dúvida" = certeza absoluta, não "provavelmente" ou "possivelmente");
Respeitar a regência do verbo "renunciar" (quem renuncia, renuncia a algo);
Não introduzir erros gramaticais (como "renunciar com" ou "renunciar pelos").
O texto: a tese e o trecho-chave
O editorial defende que, com o envelhecimento da população, será preciso fortalecer o SUS, mas reconhece que o Brasil ainda depende de recursos privados. O trecho reescrito está no 4º parágrafo e expressa uma concessão: mesmo tendo um sistema público universal (uma conquista), não se pode abrir mão do privado. A relação é de contraste, não de causa — por isso conectivos como "como" ou "uma vez que" (causais) estão errados.
A técnica: teste cada alternativa com três filtros
Para resolver, aplique três filtros em cada alternativa:
Filtro 1 — Conectivo: "embora" pede um conectivo concessivo (ainda que, apesar de, conquanto). Causais (como, uma vez que) e correlativos (tanto... que) mudam o sentido.
Filtro 2 — Advérbio: "sem dúvida" expressa certeza total. "Provavelmente", "possivelmente" e "consequentemente" enfraquecem ou alteram o valor.
Filtro 3 — Regência: "renunciar" exige a preposição "a". "Renunciar dos", "renunciar com", "renunciar pelos" e "renunciar os" são inadequados.
A única que passa nos três é a B.
Reescrita de frases
1Filtro 1: Conectivo
Concessão (embora, ainda que, apesar de)
Causa (como, uma vez que)
Consequência (tanto... que)
2Filtro 2: Advérbio
Certeza absoluta (sem dúvida, indubitavelmente)
Incerteza (provavelmente, possivelmente)
Consequência (consequentemente)
3Filtro 3: Regência de "renunciar"
Renunciar a (aos)
Renunciar dos/com/pelos/os
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"Como contamos com um sistema público universal de atendimento, o que provavelmente é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder renunciar dos recursos privados."
Erro duplo: "Como" introduz causa, não concessão — inverte a relação lógica (o texto diz que, apesar de termos o SUS, não podemos abrir mão do privado; aqui parece que porque temos o SUS, não podemos abrir mão). Além disso, "provavelmente" enfraquece a certeza de "sem dúvida", e "renunciar dos" viola a regência (o correto é "renunciar aos"). Erros: troca de conectivo (causa por concessão), advérbio de incerteza e regência inadequada.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Ainda que contemos com um sistema público universal de atendimento, o que indubitavelmente é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder renunciar aos recursos privados."
Perfeita em todos os aspectos: "Ainda que" é conectivo concessivo equivalente a "embora"; "indubitavelmente" mantém a certeza absoluta; "renunciar aos" respeita a regência (renunciar a + artigo os = aos). A reescrita é uma paráfrase fiel — mesmo sentido, mesma estrutura lógica, norma-padrão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Apesar de contarmos com um sistema público universal de atendimento, o que certamente é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder renunciar com os recursos privados."
O conectivo "Apesar de" é concessivo e "certamente" mantém a certeza — até aqui, ok. O problema está na regência: "renunciar com" não existe; o correto é "renunciar a". Erro: regência verbal inadequada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Tanto contemos com um sistema público universal de atendimento, o que possivelmente é uma conquista civilizatória, que estamos longe de poder renunciar pelos recursos privados."
"Tanto... que" estabelece relação de consequência (tanto temos o SUS que não podemos abrir mão), não de concessão — muda o sentido. "Possivelmente" enfraquece a certeza. "Renunciar pelos" também viola a regência. Erros: conectivo de consequência, advérbio de incerteza e regência inadequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Uma vez que contamos com um sistema público universal de atendimento, o que consequentemente é uma conquista civilizatória, estamos longe de poder renunciar os recursos privados."
"Uma vez que" é conectivo causal — inverte a relação (o texto diz que, apesar de termos o SUS, não podemos abrir mão; aqui parece que porque temos o SUS, não podemos). "Consequentemente" também altera o valor (indica consequência, não certeza). "Renunciar os" sem preposição é erro de regência. Erros: conectivo causal, advérbio de consequência e regência inadequada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura três armadilhas em cada distratora: troca o conectivo concessivo por causal/consecutivo (mudando a lógica), enfraquece a certeza com "provavelmente"/"possivelmente" e erra a regência de "renunciar" (dos, com, pelos, os). A letra B é a única que acerta as três de uma vez.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de reescrita, grife no original o conectivo e o advérbio — eles são os pontos que a banca mais altera. Depois, teste a regência do verbo trocado. Se qualquer um dos três falhar, a alternativa está errada.