Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205750
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2024
Cargo
Biom ( )
A velha
A velha era felicíssima. Pois não é verdade que tinha uma boa vida e nada lhe faltava?
Só nessa manhã tinha encontrado um lugar vago num banco de jardim, nem demasiado à sombra nem demasiado ao sol, o elétrico não vinha excessivamente cheio e também conseguiu lugar, o padeiro disse-lhe bom dia com um ar tão simpático, quando ela deixou em cima do balcão o dinheiro de três carcaças, e o empregado da mercearia ficou a conversar depois de lhe dar o troco e perguntou-lhe se gostava daquela nova marca de café.
O mal de muita gente era não saber dar o devido valor às coisas. A maioria esbanjava tempo e felicidade, da mesma forma que esbanjava dinheiro. Se se fosse a ver, poucos sabiam aproveitar o que tinham. Por exemplo, não aproveitavam a água quente, que ficava nos canos depois de se ligar o gás e de a água aquecer, não se lembravam de apagar logo as luzes do teto quando passavam de um quarto para outro, nem desligavam os queimadores do fogão um pouco antes de a comida estar pronta. Sim, quantos faziam isso? E depois admiravam-se de o dinheiro não chegar ao fim do mês. (Teolinda Gersão, “A velha”. Em: Massaud Moisés.
A Literatura Portuguesa Através Dos Textos. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão a seguir: Entende-se que contribuía para a felicidade da velha
Aa satisfação com o endividamento alheio.
Bo gasto com produtos de alto valor.
Ca economia contínua em seu cotidiano.
Do controle de gastos pessoais e alheios.
Ea admiração de pessoas esbanjadoras.
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GabaritoC — a economia contínua em seu cotidiano.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A felicidade da velha: economia como valor
Gabarito: letra C. A felicidade da velha se explica, segundo o texto, pela economia contínua em seu cotidiano — a capacidade de aproveitar pequenos recursos e evitar desperdícios, como se lê no trecho: "O mal de muita gente era não saber dar o devido valor às coisas. A maioria esbanjava tempo e felicidade, da mesma forma que esbanjava dinheiro." A alternativa C é a única que parafraseia fielmente essa ideia central, sem acrescentar nada que o texto não diga.
O comando pede uma inferência — "entende-se que contribuía para a felicidade da velha" —, ou seja, não se trata de localizar uma frase literal, mas de deduzir, a partir das pistas do texto, o que sustenta a felicidade da personagem. A resposta não está escrita palavra por palavra, mas é uma conclusão obrigatória diante do que o narrador afirma sobre a velha e sobre o comportamento das outras pessoas.
O texto apresenta a velha como "felicíssima" e, em seguida, explica o porquê: ela valoriza pequenas coisas — o lugar no banco, o elétrico com assento, a gentileza do padeiro — e, principalmente, critica quem "esbanja tempo e felicidade, da mesma forma que esbanjava dinheiro". A velha, ao contrário, aproveita o que tem e evita desperdícios, como mostra a sequência de exemplos: aproveitar a água quente dos canos, apagar as luzes ao sair do quarto, desligar o fogão antes do fim do cozimento. Tudo isso configura uma economia cotidiana — não apenas financeira, mas também de tempo e de recursos —, que é exatamente o que a alternativa C afirma.
A técnica que decide esta questão é a paráfrase com ancoragem: a alternativa correta reescreve, com outras palavras, uma ideia que o texto sustenta de forma explícita ou por dedução imediata. As demais alternativas ou extrapolam (acrescentam informações que o texto não traz), ou restringem indevidamente o alcance da ideia, ou contradizem o que está escrito. Ao testar cada uma, pergunte: "o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige que eu acrescente algo de fora?".
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a felicidade da velha vinha da "satisfação com o endividamento alheio". O texto não menciona endividamento em nenhum momento. A velha critica quem "esbanja dinheiro", mas não há qualquer referência a dívidas ou à satisfação com problemas financeiros de terceiros. Isso é uma extrapolação: a banca inventa uma motivação que não está no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "gasto com produtos de alto valor". O texto, ao contrário, valoriza a economia e o aproveitamento de coisas simples — o lugar no banco, o elétrico, a água quente dos canos. Não há nenhuma menção a produtos caros ou a gastos elevados. A alternativa contradiz a lógica do texto, que exalta a frugalidade, e ainda extrapola ao introduzir um tema (produtos de alto valor) que não aparece.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que contribuía para a felicidade da velha "a economia contínua em seu cotidiano". Isso é uma paráfrase fiel do texto. O narrador diz que a velha era "felicíssima" e, em seguida, contrasta seu comportamento com o da maioria, que "esbanjava tempo e felicidade, da mesma forma que esbanjava dinheiro". A velha, ao contrário, aproveita a água quente dos canos, apaga as luzes ao sair do quarto e desliga o fogão antes do fim do cozimento — tudo isso é economia contínua no dia a dia. A alternativa não acrescenta nada: apenas reescreve, com outras palavras, a ideia central do texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "controle de gastos pessoais e alheios". O texto mostra a velha controlando os próprios gastos e criticando o desperdício alheio, mas não há qualquer indicação de que ela controlasse as finanças de outras pessoas. A palavra "alheios" restringe e distorce o sentido: o texto apenas critica o comportamento dos outros, não diz que a velha os controlava. Isso é uma extrapolação com restrição indevida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "admiração de pessoas esbanjadoras". O texto faz exatamente o oposto: a velha critica quem esbanja, dizendo que "o mal de muita gente era não saber dar o devido valor às coisas". Não há nenhuma admiração pelos esbanjadores; há, sim, uma crítica implícita. A alternativa contradiz o texto ao inverter o sentimento da personagem.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação com temas que parecem relacionados (endividamento, gastos, controle) mas que o texto não aborda. A alternativa correta é a única que se limita a reescrever o que o texto diz, sem acrescentar nada.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de inferência, desconfie de alternativas que introduzem palavras como "endividamento", "produtos de alto valor" ou "admiração" — se o texto não as menciona, é sinal de extrapolação. A resposta certa quase sempre é a que parafraseia a ideia central com outras palavras.
Gabarito: letra C — a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto, que parafraseia a ideia de economia cotidiana sem extrapolar, restringir ou contradizer o que está escrito.