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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205756
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
Esc ( )

Leia trecho do Conto de Raul Pompeia para responder à questão.

A andorinha da torre

 

Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio...

 

Era aquele homem de barbas longas e brancas, espécie dessas figuras com que se costuma fazer a imagem mítica dos grandes rios, era aquele velho que via-se de tarde, à janela da torre sob a cúpula enorme do sino grande, olhando vagamente para o espaço, sem dar atenção ao burburinho da cidade, que circulava nas ruas lá embaixo...

 

Os mais antigos moradores do lugar lembravam-se de que Emílio fora sempre o mesmo homem de barbas longas e brancas, o mesmo, como a ruína consagrada pelo tempo, que nunca fica mais velha. Respeitava-se muito ao velho sineiro. Era o mais honrado dos homens e, além disso, era o avô da mais galante criança que se tem visto.

 

Por aqueles cinco quarteirões em volta não havia quem não gostasse da andorinha da torre. Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos que não havia mãos a medir; sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre com o avô e esquecesse pelos velhos amigos de bronze que moravam lá no alto as pessoas da cidade que tanto a queriam.

 

Mas como havia de ser se ela amava perdidamente os seus sinos e o seu avô?... Achava os sinos frios demais e pachorrentos como uns homens de idade, mas, em compensação, admirava- os, quando vovô Emílio despertava-lhes a sanha e os fazia pularem, voltearem como clowns*, precipitarem-se no espaço como se fossem desabar e ressurgirem para o alto, com a boca largamente aberta, como um sorriso de gigante satisfeito.

 

A pequena Rita admirava os sinos. Esta admiração transformava-se em amorosa simpatia. Estranhava no fundo do espírito aqueles monstros boquiabertos que sabiam ser igualmente a imobilidade e o turbilhão, o silêncio e a trovoada; ajudava o avô a tratá-los, limpar-lhes o bojo profundo e escuro, clarear-lhes os dourados de fora, esgravatar-lhes os interstícios dos relevos que os enfeitavam...

 

Havia amor de família naquele pequeno mundo que vivia na torre.

 

(Raul Pompeia, A andorinha da torre. Em: https://www.biblio.com.br. Adaptado. Acesso em 12.09.2024) * palhaços

 

O narrador da história deixa claro que

  1. Ao sentimento que a pequena Rita nutria pelos sinos da igreja era motivo para ela estar nos cuidados deles junto de seu amado avô.
  2. Bo velho sineiro era indiferente às pessoas e à cidade, mas interessado na companhia da neta, a quem destinava os cuidados com os sinos.
  3. Co velho Emílio desprezava o trabalho com os sinos da igreja, situação que se transformou depois que Rita passou a acompanhá-lo.
  4. Da pequena Rita e seu avô tinham como distração subir na torre da igreja, ficando lá desligados da cidade para aproveitar o silêncio.
  5. Eas pessoas da cidade se incomodavam com o sumiço da pequena Rita, sem saber que ela acompanhava o avô até a torre da igreja.
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GabaritoA — o sentimento que a pequena Rita nutria pelos sinos da igreja era motivo para ela estar nos cuidados deles junto de seu amado avô.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A andorinha da torre: o amor de Rita pelos sinos e pelo avô

Gabarito: letra A. O narrador deixa claro que o sentimento de Rita pelos sinos era o motivo de ela estar nos cuidados deles junto do avô. A passagem que sustenta isso está no 5º parágrafo: "ajudava o avô a tratá-los, limpar-lhes o bojo profundo e escuro, clarear-lhes os dourados de fora" — a relação entre a admiração de Rita e sua ajuda ao avô é explícita. As demais alternativas ou extrapolam o texto ou contradizem o que está escrito.

O comando pede compreensão ("O narrador... deixa claro que"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma informação explícita, sem deduções. Não se trata de inferir nada: basta localizar a passagem que corresponde à alternativa. Vamos ao texto.

O conto apresenta a pequena Rita, chamada de "andorinha da torre", que vive com o avô Emílio, o sineiro. O narrador descreve a admiração da menina pelos sinos e como essa admiração a aproxima do avô. O trecho-chave é o 5º parágrafo:

"A pequena Rita admirava os sinos. Esta admiração transformava-se em amorosa simpatia... ajudava o avô a tratá-los, limpar-lhes o bojo profundo e escuro, clarear-lhes os dourados de fora, esgravatar-lhes os interstícios dos relevos que os enfeitavam..."

A alternativa A parafraseia exatamente isso: o sentimento de Rita pelos sinos (a admiração) era o motivo de ela estar nos cuidados deles (ajudar a tratá-los) junto do avô. A relação de causa e consequência está no texto: a admiração "transformava-se em amorosa simpatia" e, por isso, ela ajudava o avô.

Agora, vejamos por que as outras falham.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. O 5º parágrafo estabelece a sequência: Rita admira os sinos → essa admiração vira amorosa simpatia → ela ajuda o avô a cuidar deles. A expressão "junto de seu amado avô" também encontra apoio no 4º parágrafo: "ela amava perdidamente os seus sinos e o seu avô". Não há acréscimo nem restrição: tudo o que a alternativa afirma está escrito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que o velho sineiro era "indiferente às pessoas e à cidade". O texto, porém, diz que ele olhava "vagamente para o espaço, sem dar atenção ao burburinho da cidade" — isso descreve um momento de contemplação, não uma indiferença como traço de caráter. Além disso, a alternativa afirma que ele destinava os cuidados com os sinos à neta, mas o texto mostra que Rita ajudava o avô, não que o avô destinava algo a ela. Há uma inversão da relação: no texto, é Rita quem se dedica aos sinos junto do avô. A alternativa extrapola ao transformar uma cena em um traço permanente e contradiz ao inverter quem cuida de quem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que Emílio "desprezava o trabalho com os sinos". O texto não diz isso em nenhum momento. Pelo contrário, o narrador diz que "havia amor de família naquele pequeno mundo que vivia na torre" e descreve o avô despertando a "sanha" dos sinos com admiração. A ideia de desprezo é uma extrapolação completa: o texto não autoriza essa leitura. Além disso, a alternativa diz que isso "se transformou depois que Rita passou a acompanhá-lo", o que também não tem base textual.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que Rita e o avô subiam na torre "para aproveitar o silêncio". O texto, porém, descreve o oposto: Rita admirava os sinos justamente quando eles faziam barulho — "a imobilidade e o turbilhão, o silêncio e a trovoada". A menina não buscava silêncio; ela se encantava com o contraste, inclusive com o som dos sinos. A alternativa contradiz o texto ao trocar o objeto da admiração (o movimento e o som) por seu oposto (o silêncio).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E diz que as pessoas "se incomodavam com o sumiço" de Rita. O texto, no 4º parágrafo, diz que os vizinhos "sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre" — "sentir" aqui tem sentido de lamentar, não de se incomodar. Além disso, a alternativa diz que as pessoas "sem saber que ela acompanhava o avô", mas o texto deixa claro que todos sabiam: "sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre com o avô". A alternativa contradiz o texto ao afirmar que as pessoas não sabiam o que todos sabiam.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação e a troca de vocábulo. A alternativa E troca "sentir" (lamentar) por "incomodar" e inverte o conhecimento dos vizinhos; a B inverte a relação de cuidado; a D troca o objeto da admiração (som/movimento) por silêncio. A única que se limita a parafrasear o texto é a A.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que corresponde à alternativa antes de marcar. Se a alternativa exigir que você "complete" o sentido com algo que não está escrito, ela está errada. Desconfie de palavras como "indiferente", "desprezava", "aproveitar o silêncio" — elas quase sempre sinalizam extrapolação ou contradição.

Gabarito: letra A. A regra de ouro: a resposta de compreensão mora no texto, palavra por palavra. Se a alternativa não encontra eco literal em uma passagem, ela é distratora.

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