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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2024

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu205763
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
Esc ( )

Leia trecho do Conto de Raul Pompeia para responder à questão.

A andorinha da torre

 

Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio...

 

Era aquele homem de barbas longas e brancas, espécie dessas figuras com que se costuma fazer a imagem mítica dos grandes rios, era aquele velho que via-se de tarde, à janela da torre sob a cúpula enorme do sino grande, olhando vagamente para o espaço, sem dar atenção ao burburinho da cidade, que circulava nas ruas lá embaixo...

 

Os mais antigos moradores do lugar lembravam-se de que Emílio fora sempre o mesmo homem de barbas longas e brancas, o mesmo, como a ruína consagrada pelo tempo, que nunca fica mais velha. Respeitava-se muito ao velho sineiro. Era o mais honrado dos homens e, além disso, era o avô da mais galante criança que se tem visto.

 

Por aqueles cinco quarteirões em volta não havia quem não gostasse da andorinha da torre. Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos que não havia mãos a medir; sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre com o avô e esquecesse pelos velhos amigos de bronze que moravam lá no alto as pessoas da cidade que tanto a queriam.

 

Mas como havia de ser se ela amava perdidamente os seus sinos e o seu avô?... Achava os sinos frios demais e pachorrentos como uns homens de idade, mas, em compensação, admirava- os, quando vovô Emílio despertava-lhes a sanha e os fazia pularem, voltearem como clowns*, precipitarem-se no espaço como se fossem desabar e ressurgirem para o alto, com a boca largamente aberta, como um sorriso de gigante satisfeito.

 

A pequena Rita admirava os sinos. Esta admiração transformava-se em amorosa simpatia. Estranhava no fundo do espírito aqueles monstros boquiabertos que sabiam ser igualmente a imobilidade e o turbilhão, o silêncio e a trovoada; ajudava o avô a tratá-los, limpar-lhes o bojo profundo e escuro, clarear-lhes os dourados de fora, esgravatar-lhes os interstícios dos relevos que os enfeitavam...

 

Havia amor de família naquele pequeno mundo que vivia na torre.

 

(Raul Pompeia, A andorinha da torre. Em: https://www.biblio.com.br. Adaptado. Acesso em 12.09.2024) * palhaços

 

Predominam, no texto, as formas verbais do

  1. APretérito Perfeito do Modo Indicativo, em função do relato de ações frequentemente realizadas pelo sineiro, sua neta e seus vizinhos.
  2. BPresente do Modo Indicativo, em função das reflexões desenvolvidas pelo narrador sobre a relação do sineiro, da neta e dos sinos da igreja.
  3. CPretérito Imperfeito do Modo Indicativo, em função dos aspectos descritivos que contextualizam a rotina do sineiro e de sua neta.
  4. DPretérito Imperfeito do Modo Subjuntivo, em função das hipóteses levantadas ao longo do texto sobre os interesses do sineiro e de sua neta.
  5. EFuturo do Modo Subjuntivo, em função da perspectiva de curiosidade que o narrador propõe em razão da relação da neta do sineiro com os sinos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Pretérito Imperfeito do Modo Indicativo, em função dos aspectos descritivos que contextualizam a rotina do sineiro e de sua neta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Predominância do Pretérito Imperfeito do Indicativo

Gabarito: letra C. A questão pede que se identifique o tempo verbal predominante no texto — e ele é o Pretérito Imperfeito do Modo Indicativo, usado para descrever ações habituais, rotineiras e estados permanentes no passado, exatamente o que o narrador faz ao apresentar a rotina do sineiro Emílio e de sua neta Rita. Como se lê já no primeiro parágrafo: "Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio" — o verbo estava (imperfeito) instaura o cenário de uma situação que se prolongava no tempo. A alternativa C é a única que associa corretamente a forma verbal ao seu valor semântico: aspectos descritivos que contextualizam a rotina.

O comando

O enunciado pergunta: "Predominam, no texto, as formas verbais do..." — ou seja, não basta reconhecer um tempo verbal isolado; é preciso contar e comparar as ocorrências e, principalmente, perceber a função que elas exercem no texto. Isso é típico de questão de emprego e reconhecimento de tempos e modos verbais: a banca quer que você relacione a forma à intenção comunicativa do narrador.

O texto

O conto de Raul Pompeia é uma narrativa com forte carga descritiva: o narrador apresenta o velho sineiro, sua neta e a relação deles com os sinos. Para isso, usa o pretérito imperfeito como tempo-base, pois ele é o tempo da descrição no passado e das ações habituais:

"Era aquele homem de barbas longas e brancas..."

"Os mais antigos moradores do lugar lembravam-se de que Emílio fora sempre o mesmo homem..."

"Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos..."

"A pequena Rita admirava os sinos."

Todos esses verbos (era, lembravam-se, festejavam, davam, admirava) estão no pretérito imperfeito do indicativo e expressam ações contínuas, repetidas ou estados que se prolongavam — exatamente o que a alternativa C afirma: aspectos descritivos que contextualizam a rotina.

A técnica que decide

O pretérito imperfeito do indicativo é o tempo da descrição no passado: indica ações habituais, frequentes, contínuas ou estados permanentes que servem de pano de fundo para outras ações. É o tempo do "cenário" narrativo. Já o pretérito perfeito indica ações pontuais e concluídas (ex.: chegou, saiu, terminou). O presente do indicativo indica fatos atuais ou verdades permanentes. O subjuntivo (pretérito imperfeito ou futuro) expressa dúvida, hipótese, desejo — não é o caso do texto, que narra fatos como certos.

No texto, o narrador descreve a rotina do sineiro e da neta, não relata eventos pontuais. Por isso, o imperfeito predomina. A alternativa C é a única que une forma (imperfeito) e função (descrição de rotina).

Tempos verbais (valor semântico)
  • 1Pretérito Imperfeito do Indicativo
    • Ações habituais/contínuas
    • Estados permanentes no passado
    • Descrição de rotina (cenário)
  • 2Pretérito Perfeito do Indicativo
    • Ações pontuais e concluídas
  • 3Presente do Indicativo
    • Fatos atuais/verdades permanentes
  • 4Subjuntivo (imperfeito/futuro)
    • Dúvida, hipótese, desejo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de tempo. A alternativa afirma que predominam formas do pretérito perfeito do indicativo, mas o texto está repleto de formas do imperfeito (era, estava, lembravam-se, festejavam, davam, admirava). O pretérito perfeito indicaria ações pontuais e concluídas (ex.: chegou, saiu), o que não ocorre aqui. Além disso, a justificativa "ações frequentemente realizadas" é típica do imperfeito, não do perfeito — a banca trocou o tempo e manteve a função, criando uma armadilha.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de tempo. A alternativa afirma que predominam formas do presente do indicativo, mas o texto é narrado no passado (imperfeito). O presente seria usado para fatos atuais ou verdades permanentes, o que não se aplica à narrativa. A justificativa "reflexões desenvolvidas pelo narrador" não encontra respaldo: o narrador descreve a rotina, não faz reflexões atemporais.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O texto é construído com o pretérito imperfeito do indicativo, que expressa ações habituais, contínuas e estados permanentes no passado — exatamente o que o narrador faz ao descrever a rotina do sineiro e da neta. Como se vê em:

"Era aquele homem de barbas longas e brancas..."

"Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos..."

"A pequena Rita admirava os sinos."

Todos esses verbos indicam ações que se repetiam ou estados que se prolongavam, caracterizando o aspecto descritivo e a rotina — exatamente o que a alternativa afirma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de modo. A alternativa afirma que predominam formas do pretérito imperfeito do subjuntivo, mas o texto não apresenta hipóteses ou dúvidas — ele narra fatos como certos. O subjuntivo seria usado em orações como "se ele fosse..." ou "espero que ele viesse...", o que não ocorre. Além disso, as formas verbais do texto estão no indicativo, não no subjuntivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de tempo e modo. A alternativa afirma que predominam formas do futuro do subjuntivo, mas o texto não apresenta perspectiva de curiosidade nem fatos futuros. O futuro do subjuntivo seria usado em orações como "quando ele vier..." ou "se ele puder...", o que não ocorre. O texto é uma narrativa no passado, não uma projeção futura.

Conclusão

A questão testa a capacidade de reconhecer o tempo verbal predominante e seu valor semântico. A alternativa C é a única que une forma (pretérito imperfeito) e função (descrição de rotina). As demais ou trocam o tempo (A, B) ou o modo (D, E), criando distratores que parecem plausíveis, mas não se sustentam no texto.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o tempo verbal predominante, conte as ocorrências e observe a função: se o texto descreve hábitos e estados no passado, é imperfeito; se relata eventos pontuais, é perfeito; se expressa dúvida, é subjuntivo.

Gabarito: letra C

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