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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu205772
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
Esc ( )
Sensações apocalíticas


   Na capa do jornal Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredões de fogo se levantam e marcham. A olho nu, a fuligem se derrama sobre a cidade; filamentos de carvão vindos no vento aterrissam como libélulas no capô do automóvel de um milhão de reais. O desastre climático é um desastre social, que castiga antes os de baixo, mas quando se impõe para valer não respeita a segregação entre as classes. Não respeita nada, cobre até os astros no céu. A Lua fica vermelha, como se obedecesse ao Apocalipse (6:12): “Inteira como sangue”.

   Sol prata, chuva preta (isso quando chove). Aumentam as internações nos hospitais. Sobem os óbitos por problemas respiratórios. O noticiário dá conta de que um território equivalente ao Estado de Roraima já virou cinza. A realidade se mostra pior do que as previsões da teoria.

   O livro A Terra Inabitável, do jornalista americano David Wallace-Wells, passava por pessimista ao ser lançado, em 2017, mas agora parece brando. Seu alerta de que o descongelamento do solo do Alasca e da Sibéria liberaria gases de efeito estufa e ressuscitaria micro-organismos capazes de desencadear epidemias desconhecidas foi superado por cenários ainda mais assustadores.

   O cientista Carlos Nobre se declarou “apavorado”. Num artigo publicado no UOL, ele retomou o adjetivo que deu título ao livro de Wallace-Wells e sentenciou: “Se a temperatura global aumentar em 4º C até 2100, grande parte do planeta, incluindo o Brasil, pode se tornar inabitável”. O Rio Solimões se reduziu a um riacho fantasma, inabitável para peixes. As metrópoles estrebucham entre dois extremos: no primeiro, inundações infectas alagam as casas com doenças e lama; no segundo, a seca ameaça matar de sede os moradores.

   Para onde quer que se olhe, proliferam os sinais de esfacelamento generalizado.


(Eugênio Bucci, Sensações Apocalíticas.
Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 19.09.2024. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.   Considere as passagens:   • ... uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa...   • ... que castiga antes os de baixo...    • Sobem os óbitos por problemas respiratórios.   • ... a seca ameaça matar de sede os moradores.   De acordo com a norma-padrão e o sentido original, a reescrita de Brasília submersa em fumaça densa, o sinônimo de antes e as relações estabelecidas pelas preposições por e de são, respectivamente:
  1. ABrasília ante fumaça densa; primeiramente; consequência; modo.
  2. BBrasília entre fumaça densa; preteritamente; consequência; modo.
  3. CBrasília com fumaça densa; provavelmente; modo; companhia.
  4. DBrasília sob fumaça densa; preferencialmente; causa; causa.
  5. EBrasília sobre fumaça densa; principalmente; causa; companhia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Brasília sob fumaça densa; preferencialmente; causa; causa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita e sentido: preposições, sinônimos e valores semânticos

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que, em cada um dos três itens, respeita simultaneamente a norma-padrão e o sentido original do texto: "Brasília sob fumaça densa" (preposição que indica posição inferior, com sentido de cobertura), "preferencialmente" como sinônimo de "antes" (no sentido de prioridade, e não de tempo), e as preposições "por" e "de" com valor de causa — como se lê no 1º e 2º parágrafos do texto.

O comando pede três operações distintas: (1) reescrever "submersa em" por uma preposição que mantenha o sentido de estar coberto por algo; (2) encontrar um sinônimo contextual para o advérbio "antes"; (3) identificar a relação semântica que as preposições "por" e "de" estabelecem nos trechos citados. Cada uma dessas tarefas exige atenção ao contexto, não apenas ao significado isolado das palavras.

No texto, a imagem é clara: Brasília está submersa em fumaça, ou seja, coberta por ela. A preposição que expressa essa relação de cobertura, com a ideia de algo que está por cima, é "sob" (do latim sub, posição inferior). "Sobre" indicaria posição superior (a fumaça estaria sobre Brasília, mas não a cobrindo), "entre" indicaria interposição, "ante" indicaria posição dianteira, e "com" indicaria companhia ou instrumento — nenhuma preserva o sentido de submersão.

O advérbio "antes" no trecho "castiga antes os de baixo" não tem valor temporal (não significa "anteriormente"), mas sim valor de prioridade: o desastre atinge primeiro, preferencialmente, os mais pobres. O sinônimo adequado é "preferencialmente". As demais opções — "primeiramente" (ordem), "preteritamente" (tempo passado), "provavelmente" (probabilidade), "principalmente" (ênfase) — não capturam a ideia de preferência/prioridade que o contexto exige.

Por fim, as preposições "por" e "de" nos trechos "óbitos por problemas respiratórios" e "morrer de sede" expressam, ambas, causa: os óbitos são causados por problemas respiratórios; a morte é causada pela sede. A alternativa D é a única que atribui corretamente o valor de causa às duas preposições.

1"Submersa em" → "sob"
Posição inferior
Sentido de cobertura
2"Antes" → "preferencialmente"
Valor de prioridade
Não é tempo
3Preposições "por" e "de"
Causa
Óbitos por problemas respiratórios
Morrer de sede
Reescrita e sentido
LEVELsoulevel.com.br
Reescrita e sentido: "Submersa em" → "sob" (Posição inferior, Sentido de cobertura); "Antes" → "preferencialmente" (Valor de prioridade, Não é tempo); Preposições "por" e "de" (Causa, Óbitos por problemas respiratórios, Morrer de sede)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Ante" significa "diante de", "perante", não expressa a ideia de cobertura/submersão. "Primeiramente" indica ordem sequencial, não prioridade. E "consequência" para "por" e "modo" para "de" estão invertidos: "por problemas respiratórios" é causa, não consequência; "de sede" é causa, não modo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Entre" indica posição intermediária, não cobertura. "Preteritamente" é um advérbio de tempo (no passado), não sinônimo de "antes" no sentido de prioridade. Os valores semânticos estão errados: "por" não é consequência, e "de" não é modo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Com" pode indicar companhia ou instrumento, mas não o sentido de submersão/cobertura. "Provavelmente" expressa dúvida, não prioridade. E "modo" para "por" e "companhia" para "de" estão incorretos: "por problemas respiratórios" é causa, e "de sede" é causa, não companhia.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Sob" indica posição inferior com sentido de cobertura, preservando a imagem de submersão. "Preferencialmente" é o sinônimo exato de "antes" no contexto de prioridade. E "por" e "de" expressam, ambas, causa, como se vê nos trechos: "óbitos por problemas respiratórios" (a causa dos óbitos) e "morrer de sede" (a causa da morte).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Sobre" indica posição superior, mas não o sentido de submersão (a fumaça não está apenas sobre Brasília, mas a cobrindo). "Principalmente" indica ênfase, não prioridade. E "companhia" para "de" está errado: "de sede" é causa, não companhia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre preposições de lugar (sob/sobre/entre) e o valor semântico das preposições "por" e "de" em contextos específicos. A alternativa E tenta seduzir com "sobre", que parece plausível, mas não expressa submersão.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever com preposições, pergunte-se: "qual relação espacial o texto descreve?" (cobertura, posição, interposição). E para sinônimos, sempre teste no contexto: "antes" aqui significa prioridade, não tempo.

Gabarito: letra D.

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