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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu205819
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
OJ ( )

Descobrindo nosso planeta: os mistérios do oceano

 

Há alguns dias, o mundo soube de uma nova montanha na Terra. Com 3.109 metros de altura, ela é quase oito vezes mais alta que o icônico Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Mas não é tão fácil de ser vista, por estar escondida no nosso oceano. Seu cume fica quase mil metros abaixo da superfície do mar, de modo que toda a montanha fique em escuridão absoluta, e, mesmo assim, ela abriga vida marinha abundante, que está intacta durante séculos. A descoberta ocorreu durante uma expedição para explorar as águas internacionais da Cordilheira de Nazca, uma cadeia montanhosa no Sudeste do Pacífico, usando tecnologias sofisticadas de mapeamento do fundo do mar a partir de um navio de pesquisa.

Explorar as profundezas marítimas é tarefa difícil, por ser um lugar inóspito para humanos – com altas pressões, um ambiente corrosivo de água salgada e sem luz. Não à toa, mais pessoas estiveram por mais tempo na superfície lunar iluminada pelo sol do que no ponto mais profundo do oceano do nosso planeta.

Há 170 anos acreditava-se que não havia vida na profundeza oceânica em razão da ausência de luz solar. Hoje, sabemos que não só existe vida, como essa vida marinha existe nos ambientes mais extremos. As fontes hidrotermais habitadas por organismos a mais de três quilômetros de profundidade, descobertas em 1977 por cientistas, hospedam vida que obtém energia a partir de reações químicas, em vez da luz solar. No ano passado, foi descoberto um novo ecossistema animal prosperando em cavidades abaixo dessas fontes. Com tanto para explorar, não nos espanta que tantas novas espécies marinhas sejam encontradas com frequência. Neste ano, apenas nas Cordilheiras de Salas y Gomez e Nazca foram descobertas cerca de 170 novas espécies. Cientistas seguem a procurar outras para serem somadas às cerca de 240 mil espécies marinhas já identificadas, entre 2,2 milhões estimadas pelo Censo Oceânico.

(Janaína Bumbeer e Jyotika Virmani. Em: https://www.estadao.com.br, 16.09.2024. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   Garantindo-se o sentido original e o atendimento à norma- padrão, assinale a alternativa em que a expressão destacada pode ser substituída por “devido à”.
  1. AExplorar as profundezas marítimas é tarefa difícil, por ser um lugar inóspito para humanos...
  2. BHá 170 anos acreditava-se que não havia vida na profundeza oceânica em razão da ausência de luz solar.
  3. CCom 3.109 metros de altura, ela é quase oito vezes mais alta que o icônico Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.
  4. DAs fontes hidrotermais [...] hospedam vida que obtém energia a partir de reações químicas, em vez da luz solar.
  5. EA descoberta ocorreu durante uma expedição para explorar as águas internacionais...
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GabaritoB — Há 170 anos acreditava-se que não havia vida na profundeza oceânica em razão da ausência de luz solar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição por "devido à": relação de causa e norma-padrão

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que a expressão destacada — "em razão da" — pode ser substituída por "devido à" sem alterar o sentido original e sem ferir a norma-padrão, pois ambas introduzem uma relação de causa e são seguidas de um sintagma nominal ("ausência de luz solar"). Como se lê no texto: "não havia vida na profundeza oceânica em razão da ausência de luz solar" — a ausência de luz é a causa da inexistência de vida. As demais alternativas ou expressam outra relação semântica (finalidade, comparação, oposição) ou não podem ser substituídas por "devido à" por questões de regência e estrutura.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique a expressão que pode ser substituída por "devido à" garantindo o sentido original e a norma-padrão. Isso significa que a substituição deve:

  • Preservar a relação de causa — "devido à" é uma locução prepositiva que introduz causa.

  • Manter a estrutura sintática — "devido à" exige um substantivo (ou sintagma nominal) após a preposição, não uma oração desenvolvida.

  • Respeitar a regência — "devido a" pede a preposição "a", que se funde com o artigo "a" de "a ausência", formando "devido à".

A banca não quer que você apenas encontre uma expressão de causa; quer que você verifique se a troca é viável gramaticalmente e semanticamente.

A técnica que decide

A chave é reconhecer que "devido à" é uma locução prepositiva causal que se liga a um sintagma nominal. Portanto, a expressão substituível deve:

  1. Ter valor de causa (não de finalidade, comparação, oposição etc.).

  2. Ser seguida de um nome (substantivo), não de um verbo no infinitivo ou de uma oração.

No texto, a alternativa B apresenta "em razão da ausência de luz solar" — "em razão de" é sinônimo de "devido a", e "ausência" é um substantivo. A troca fica perfeita: "devido à ausência de luz solar".

As demais alternativas falham por um dos dois motivos:

  • A) "por ser um lugar inóspito" — "por" introduz causa, mas é seguido de verbo no infinitivo ("ser"), não de substantivo. "Devido a" não se liga a verbo; seria necessário "devido ao fato de ser...", o que altera a estrutura.

  • C) "quase oito vezes mais alta que" — expressa comparação, não causa.

  • D) "em vez da luz solar" — expressa substituição/alternância, não causa.

  • E) "para explorar" — expressa finalidade, não causa.

"Devido à" (locução causal)
  • 1Exige sintagma nominal
    • Substantivo após a preposição
    • "devido à ausência"
  • 2Relação de causa
    • Em razão de (B)
    • Por ser (verbo)
    • Mais que (comparação)
    • Em vez de (substituição)
    • Para (finalidade)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Explorar as profundezas marítimas é tarefa difícil, por ser um lugar inóspito para humanos..."

A expressão "por ser" introduz causa, mas é seguida de verbo no infinitivo ("ser"). "Devido à" exige um substantivo após a preposição. Para substituir, seria necessário reescrever: "devido ao fato de ser um lugar inóspito" — o que altera a estrutura e não atende ao comando. Erro: estrutura sintática incompatível.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Há 170 anos acreditava-se que não havia vida na profundeza oceânica em razão da ausência de luz solar."

"Em razão de" é locução prepositiva causal, sinônima de "devido a". O termo seguinte é o substantivo "ausência", formando "devido à ausência de luz solar". A troca preserva o sentido e a norma-padrão. Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Com 3.109 metros de altura, ela é quase oito vezes mais alta que o icônico Pão de Açúcar..."

A expressão "mais alta que" estabelece comparação de superioridade, não causa. "Devido à" não se aplica. Erro: relação semântica diferente (comparação).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"As fontes hidrotermais [...] hospedam vida que obtém energia a partir de reações químicas, em vez da luz solar."

"Em vez de" indica substituição (uma coisa no lugar de outra), não causa. "Devido à" mudaria o sentido. Erro: relação semântica diferente (substituição).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"A descoberta ocorreu durante uma expedição para explorar as águas internacionais..."

"Para explorar" expressa finalidade (objetivo da expedição), não causa. "Devido à" não se aplica. Erro: relação semântica diferente (finalidade).

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura expressões de causa com outras relações (comparação, substituição, finalidade) e ainda testa se você percebe que "devido à" exige substantivo, não verbo. Fique atento à classe da palavra que segue a expressão.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir por "devido à", verifique se a expressão original é causal e se o termo seguinte é um substantivo. Se for verbo, a troca não é direta.

Gabarito: letra B.

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