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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205820
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
OJ ( )

Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romance dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que a está da fronde próxima chamando: tanto sabe a primeira o que é amor intenso, como a segunda o que é voar para longe.

Teresa de Albuquerque devia ser, porventura, uma exceção no seu amor.

O magistrado e sua família eram odiosos ao pai de Teresa, por motivos de litígios, em que Domingos Botelho lhe deu sentença contra. Afora isso, ainda no ano anterior dois criados de Tadeu de Albuquerque tinham sido feridos na celebrada pancadaria da fonte. É, pois, evidente que o amor de Teresa, declinando de si o dever de obtemperar e sacrificar- se ao justo azedume do pai, era verdadeiro e forte.

E esse amor era singularmente discreto e cauteloso. Viram-se e falaram-se três meses, sem darem rebate à vizinhança, e nem sequer suspeitas às duas famílias. O destino que ambos se prometiam era o mais honesto: ele ia formar- -se para poder sustentá-la, se não tivessem outros recursos; ela esperava que seu velho pai falecesse para, senhora sua, lhe dar, com o coração, o seu grande patrimônio. Espanta discrição tamanha na índole de Simão Botelho, e na presumível ignorância de Teresa em coisas materiais da vida, como são um patrimônio!

(Camilo Castelo Branco. Amor de Perdição, 1994. Adaptado)

Leia o excerto a seguir para responder à questão.   No texto, há uma crítica estabelecida
  1. Aà rispidez com que o pai de Teresa de Albuquerque conduz a educação da moça, exigindo-lhe recato e discrição nas relações sociais.
  2. Bàs jovens de quinze anos que se entregam a amores juvenis e se esquecem de manifestar seu último amor às brincadeiras pueris.
  3. Cà família de Simão Botelho, pelos impedimentos à relação deste com Teresa Albuquerque e pelas agressões aos criados do pai dela.
  4. Dà Teresa de Albuquerque, por sua leviandade e inconsequência, apesar da idade, em relação ao sentimento por Simão Botelho.
  5. Eaos poetas e a alguns prosadores que consideram o amor de uma mulher de quinze anos como um sentimento intenso e arrebatador.
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GabaritoE — aos poetas e a alguns prosadores que consideram o amor de uma mulher de quinze anos como um sentimento intenso e arrebatador.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crítica aos poetas e prosadores sobre o amor aos quinze anos

Gabarito: letra E. A crítica estabelecida no texto dirige-se aos poetas e a alguns prosadores que tratam o amor de uma mulher de quinze anos como paixão perigosa, única e inflexível. O narrador contesta essa visão logo no primeiro parágrafo, afirmando que "o amor dos quinze anos é uma brincadeira". A alternativa E é a única que parafraseia fielmente essa passagem.

O comando pede que se identifique contra quem o texto estabelece uma crítica. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita, basta localizar o trecho em que o autor manifesta discordância. Não se trata de inferir nada além do que está escrito — a crítica é declarada.

No primeiro parágrafo, o narrador abre o texto com uma queixa direta:

"Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romance dizem o mesmo. Enganam-se ambos."

A expressão "Enganam-se ambos" é o núcleo da crítica: o autor afirma que poetas e prosadores estão equivocados ao caracterizar o amor juvenil como algo intenso e definitivo. Em seguida, ele explica por quê: "O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho". Ou seja, para o narrador, esse amor é imaturo, passageiro, uma espécie de ensaio — não uma paixão arrebatadora.

A técnica para resolver: grife o verbo do comando ("há uma crítica estabelecida") e procure no texto o trecho em que o autor avalia negativamente algo. Aqui, a avaliação negativa recai sobre a visão romantizada dos poetas e prosadores. As demais alternativas ou extrapolam (trazem informações que o texto não sustenta) ou contradizem o que está escrito.

1Alvo
Poetas
Alguns prosadores
2O que dizem
Amor aos 15 anos
Paixão perigosa, única, inflexível
3Resposta do narrador
"Enganam-se ambos"
Amor é brincadeira
Última manifestação do amor às bonecas
Crítica do narrador
LEVELsoulevel.com.br
Crítica do narrador: Alvo (Poetas, Alguns prosadores); O que dizem (Amor aos 15 anos, Paixão perigosa, única, inflexível); Resposta do narrador ("Enganam-se ambos", Amor é brincadeira, Última manifestação do amor às bonecas)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a crítica é "à rispidez com que o pai de Teresa conduz a educação da moça, exigindo-lhe recato e discrição". O texto não menciona nenhuma conduta rígida do pai em relação à educação de Teresa. O que se lê é que o pai de Teresa odiava a família do magistrado por litígios e pela pancadaria — nada sobre exigências de recato. Erro: extrapolação (acrescenta informação ausente).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que a crítica é "às jovens de quinze anos que se entregam a amores juvenis e se esquecem de manifestar seu último amor às brincadeiras pueris". O texto não critica as jovens; critica quem fala do amor delas. Além disso, a expressão "último amor às brincadeiras" distorce a metáfora do autor, que diz que o amor aos quinze é "a última manifestação do amor às bonecas" — ou seja, uma fase natural, não algo a ser condenado. Erro: troca de referente (a crítica é aos poetas, não às jovens).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a crítica é "à família de Simão Botelho, pelos impedimentos à relação e pelas agressões aos criados". O texto narra que os criados de Tadeu de Albuquerque foram feridos na pancadaria, mas não há crítica à família de Simão por isso. A menção serve para explicar a inimizade entre as famílias, não para condenar ninguém. Erro: extrapolação (transforma um dado factual em alvo de crítica).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Diz que a crítica é "a Teresa de Albuquerque, por sua leviandade e inconsequência". O texto, ao contrário, elogia a discrição e a seriedade do amor de Teresa: "E esse amor era singularmente discreto e cauteloso". Não há qualquer juízo negativo sobre ela. Erro: contradiz o texto (inverte o valor atribuído à personagem).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia o primeiro parágrafo: a crítica é "aos poetas e a alguns prosadores que consideram o amor de uma mulher de quinze anos como um sentimento intenso e arrebatador". O texto diz exatamente isso: eles falam do amor "como paixão perigosa, única e inflexível" e o narrador responde "Enganam-se ambos". A paráfrase mantém o sentido: "intenso e arrebatador" corresponde a "paixão perigosa, única e inflexível". Correta porque é a única inteiramente sustentada pelo texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de buscar a crítica em elementos secundários (famílias, personagens) quando ela está explícita no primeiro parágrafo. A alternativa D é a mais sedutora porque inverte o elogio à discrição de Teresa em crítica — mas o texto a defende.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "crítica estabelecida", procure o trecho em que o autor avalia negativamente algo. Aqui, o verbo "enganam-se" é a pista decisiva.

Conclusão: a crítica do narrador é dirigida aos poetas e prosadores que romantizam o amor juvenil. As demais alternativas ou acrescentam dados que não estão no texto ou contradizem o que ele afirma. Gabarito: letra E.

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