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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu205826
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
OJ ( )

Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romance dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que a está da fronde próxima chamando: tanto sabe a primeira o que é amor intenso, como a segunda o que é voar para longe.

Teresa de Albuquerque devia ser, porventura, uma exceção no seu amor.

O magistrado e sua família eram odiosos ao pai de Teresa, por motivos de litígios, em que Domingos Botelho lhe deu sentença contra. Afora isso, ainda no ano anterior dois criados de Tadeu de Albuquerque tinham sido feridos na celebrada pancadaria da fonte. É, pois, evidente que o amor de Teresa, declinando de si o dever de obtemperar e sacrificar- se ao justo azedume do pai, era verdadeiro e forte.

E esse amor era singularmente discreto e cauteloso. Viram-se e falaram-se três meses, sem darem rebate à vizinhança, e nem sequer suspeitas às duas famílias. O destino que ambos se prometiam era o mais honesto: ele ia formar- -se para poder sustentá-la, se não tivessem outros recursos; ela esperava que seu velho pai falecesse para, senhora sua, lhe dar, com o coração, o seu grande patrimônio. Espanta discrição tamanha na índole de Simão Botelho, e na presumível ignorância de Teresa em coisas materiais da vida, como são um patrimônio!

(Camilo Castelo Branco. Amor de Perdição, 1994. Adaptado)

Leia o excerto a seguir para responder à questão.   A reescrita da passagem – É, pois, evidente que o amor de Teresa, declinando de si o dever de obtemperar e sacrificar-se ao justo azedume do pai, era verdadeiro e forte. (3o parágrafo) – mantém o sentido original e atende à norma-padrão em:
  1. AÉ, além disso, evidente que o amor de Teresa, recusando de si o dever de humilhar-se e sacrificar-se ao justo azedume do pai, era verdadeiro e forte.
  2. BÉ, não obstante, evidente que o amor de Teresa, desviando de si o dever de exaltar e sacrificar-se ao justo azedume do pai, era verdadeiro e forte.
  3. CÉ, no entanto, evidente que o amor de Teresa, aproximando de si o dever de acolher e sacrificar-se ao justo azedume do pai, era verdadeiro e forte.
  4. DÉ, portanto, evidente que o amor de Teresa, afastando de si o dever de ponderar e sacrificar-se ao justo azedume do pai, era verdadeiro e forte.
  5. EÉ, por causa disso, evidente que o amor de Teresa, aumentando de si o dever de submeter-se e sacrificar- se ao justo azedume do pai, era verdadeiro e forte.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — É, portanto, evidente que o amor de Teresa, afastando de si o dever de ponderar e sacrificar-se ao justo azedume do pai, era verdadeiro e forte.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de Frases: sentido e norma-padrão

Gabarito: letra D. A reescrita correta é a que preserva o sentido original da passagem, trocando "declinando de si" por "afastando de si" e "obtemperar" por "ponderar", mantendo o conectivo "pois" (conclusão) por "portanto". A alternativa D é a única que mantém a relação de conclusão e o sentido de recusa/afastamento do dever, sem alterar a norma-padrão.

A questão pede uma reescrita que mantenha o sentido original e atenda à norma-padrão. Isso significa que precisamos avaliar dois aspectos em cada alternativa: (1) o sentido — as palavras e conectivos devem ser equivalentes aos do texto original; (2) a gramática — a frase deve estar correta segundo a norma culta.

No trecho original, temos:

"É, pois, evidente que o amor de Teresa, declinando de si o dever de obtemperar e sacrificar-se ao justo azedume do pai, era verdadeiro e forte."

O conectivo "pois" indica conclusão (equivale a "portanto"). O verbo "declinar" significa recusar, afastar algo de si. "Obtemperar" significa ceder, concordar, ponderar — no contexto, é o ato de submeter-se à vontade do pai. A ideia é que Teresa afasta de si o dever de ceder/ponderar ao azedume do pai, o que prova que seu amor é verdadeiro.

A técnica para resolver: teste cada alternativa substituindo os termos e verificando se o sentido e a gramática se mantêm. A pegadinha central é a troca de vocábulos que inverte o sentido (ex.: "humilhar-se" em vez de "obtemperar") ou que quebra a norma (ex.: "recusando de si" — regência inadequada).

1Critérios de avaliação
Sentido (sinônimos no contexto)
Norma-padrão (regência)
Conectivo (relação lógica)
2Conectivos
Conclusão: pois, portanto
Adversativos: não obstante, no entanto
Causais: por causa disso
3Verbos
Obtemperar = ponderar, ceder
Antônimos: exaltar, acolher, submeter-se
Declinar = afastar, recusar
Reescrita de frases
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Reescrita de frases: Critérios de avaliação (Sentido (sinônimos no contexto), Norma-padrão (regência), Conectivo (relação lógica)); Conectivos (Conclusão: pois, portanto, Adversativos: não obstante, no entanto, Causais: por causa disso); Verbos (Obtemperar = ponderar, ceder, Antônimos: exaltar, acolher, submeter-se, Declinar = afastar, recusar)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de vocábulo que altera o sentido. "Recusando de si" é uma construção agramatical — o verbo "recusar" não pede a preposição "de" nesse contexto (o correto seria "recusando o dever"). Além disso, "humilhar-se" não é sinônimo de "obtemperar": obtemperar é ceder/ponderar, não se humilhar. A alternativa contradiz o sentido ao trocar o termo por outro de significado diverso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de vocábulo que inverte o sentido. "Desviando de si" até se aproxima de "afastando", mas "exaltar" é antônimo de "obtemperar" — exaltar é enaltecer, louvar, não ceder. A troca inverte completamente o sentido da passagem. Além disso, "não obstante" é conectivo de concessão/oposição, não de conclusão, o que também quebra a relação lógica original.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de vocábulo que inverte o sentido. "Aproximando de si" é o oposto de "declinando de si" — declinar é afastar, aproximar é trazer para perto. "Acolher" também é antônimo de "obtemperar" no contexto (acolher é aceitar, não ceder). O conectivo "no entanto" é adversativo, não conclusivo. A alternativa contradiz o texto em todos os pontos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Mantém o sentido e a norma-padrão. "Portanto" é conectivo de conclusão, equivalente a "pois". "Afastando de si" é paráfrase fiel de "declinando de si" (afastar = declinar, recusar). "Ponderar" é sinônimo de "obtemperar" no sentido de considerar, ceder com reflexão. A construção "afastando de si o dever de ponderar" está gramaticalmente correta e preserva a ideia original: Teresa não cede ao azedume do pai, o que evidencia a força de seu amor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de vocábulo que inverte o sentido. "Aumentando de si" é sem sentido no contexto — não se "aumenta" um dever de si. "Submeter-se" é o oposto de "obtemperar" no sentido usado: obtemperar é ceder, mas a frase original diz que Teresa declina (recusa) esse dever; "submeter-se" significaria aceitar o dever, invertendo a lógica. O conectivo "por causa disso" é causal, não conclusivo, o que também altera a relação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de vocábulos que invertem o sentido — "humilhar-se", "exaltar", "acolher", "submeter-se" parecem plausíveis, mas são antônimos ou desvios de "obtemperar". Além disso, troca os conectivos conclusivos (pois/portanto) por adversativos (não obstante/no entanto) ou causais (por causa disso), quebrando a lógica.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, grife o conectivo e o verbo principal do trecho original. Depois, teste cada alternativa: o conectivo deve manter a mesma relação lógica (conclusão, causa, oposição) e o verbo deve ser sinônimo no contexto, não apenas parecido.

Conclusão: a reescrita correta é a que preserva o sentido (afastar/ponderar) e a relação lógica (conclusão). A letra D é a única que atende aos dois critérios, sem violar a norma-padrão.

Gabarito: letra D

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