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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205835
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
OJ ( )

O verdadeiro sentido da vida

 

Na estúpida corrida para bater recordes de acumulação de riquezas, o verdadeiro sentido da vida tende a ficar para trás. Continua gozando de maior respeito um homem rico do que um sábio. O primeiro é mais visível, possui acessórios caros; impõe-se pela capacidade de comprar soluções; o segundo, por evitar comprá-las, pois não gera problemas. Um mede seu êxito pelo tamanho da inveja que suscita; o outro, pela arte de insuflar satisfação, pois ele compreendeu que não é feliz quem mais tem, mas quem mais se satisfaz com o que tem.

O novo milênio deverá promover o resgate da sabedoria entre os seres humanos e, portanto, a capacidade de viver de forma harmoniosa em relação tanto aos semelhantes quanto à natureza. Sinais dessa mudança se notam pela preocupação ainda tímida, mas já evidente, da “responsabilidade social”, algo humano e ambientalmente correto que começa a ser compreendido como fator fundamental e indissociável das atividades econômicas.

Embora o lucro continue a ser condição básica, pois sem ele nenhuma empresa consegue permanecer em atividade, surge com vigor nas grandes corporações, e até nas pequenas empresas, a necessidade da ação correta, aquela que distribui não apenas dividendos, mas ajudas ao desenvolvimento humano.

O desempenho de uma empresa passou a ser avaliado, com intensidade crescente nos meios mais atentos, por um conjunto de valores não apenas econômicos e não necessariamente materiais. Hoje, e ainda mais no futuro, a importância e as perspectivas de longevidade da empresa se atrelam ao respeito de interesses difusos e à superação de sofrimentos humanos.

Mais vale uma empresa com um lucro modesto, mas com papel definido de utilidade social, do que uma empresa com um monumental lucro sem méritos sociais. A primeira terá vida mais fácil que a outra, gozando de simpatia, de apoio, de gratidão – valores imateriais que conspiram hoje, e conspirarão ainda mais no futuro, para o sucesso.

Quem compreender isso é um afortunado que distribuirá meios para uma vida melhor.

(Vittorio Medioli. Em: https://www.otempo.com.br/opiniao, 28.09.2024. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   Ao discutir o verdadeiro sentido da vida, o autor assevera que
  1. Aa perspectiva de uma sociedade baseada na integração humana e alheia ao interesse financeiro, de modo que essa mudança social poderá estagnar economicamente empresas grandes e modestas, é uma nova realidade.
  2. Ba preocupação com a abastança financeira, se ela não está atrelada a uma visão de responsabilidade social, que implica a relação harmoniosa do ser humano com seus semelhantes e com a natureza, é uma falta de inteligência.
  3. Ca transformação da perspectiva social, uma vez que a superação de sofrimentos humanos está intimamente relacionada à questão financeira, o que requer empresas gerando mais lucros, é uma necessidade urgente.
  4. Da comparação de um homem rico a um sábio, esquecendo- se de que cada um tem uma função específica na vida social, já que a sociedade depende do dinheiro de um e da sabedoria de outro, é uma falta de bom senso.
  5. Ea proposição de um modelo de avaliação de empresas com base em valores imateriais, eliminando os elementos ligados a uma visão econômica, que não colaboram com a superação dos problemas humanos, é um avanço social.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — a preocupação com a abastança financeira, se ela não está atrelada a uma visão de responsabilidade social, que implica a relação harmoniosa do ser humano com seus semelhantes e com a natureza, é uma falta de inteligência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O verdadeiro sentido da vida: a tese do autor

Gabarito: letra B. O autor assevera que a preocupação com a riqueza financeira, quando não atrelada à responsabilidade social — que implica a relação harmoniosa com os semelhantes e com a natureza —, é uma falta de inteligência. Essa ideia está ancorada no 1º parágrafo, na contraposição entre o homem rico e o sábio, e no 2º parágrafo, que define a responsabilidade social como algo "humano e ambientalmente correto".

O comando pede que você identifique o que o autor assevera (afirma, sustenta) ao discutir o verdadeiro sentido da vida. Isso é uma questão de compreensão — a resposta está explícita no texto, ainda que parafraseada. Não se trata de inferir algo além do que está escrito, mas de reconhecer a tese central do autor.

O texto desenvolve uma oposição fundamental: de um lado, a "estúpida corrida para bater recordes de acumulação de riquezas"; de outro, a sabedoria, que ensina que "não é feliz quem mais tem, mas quem mais se satisfaz com o que tem". O autor não condena o lucro em si — ele diz que o lucro "continua a ser condição básica" —, mas defende que ele deve vir acompanhado de "responsabilidade social", de "ajudas ao desenvolvimento humano". A tese, portanto, é que a riqueza sem responsabilidade social é um erro, uma falta de inteligência.

A alternativa B captura exatamente essa tese: ela afirma que a preocupação com a abastança financeira, se não atrelada à responsabilidade social, é uma falta de inteligência. O texto sustenta isso ao contrapor o rico (que "impõe-se pela capacidade de comprar soluções") ao sábio (que "compreendeu que não é feliz quem mais tem, mas quem mais se satisfaz com o que tem") e ao defender que a responsabilidade social é "fator fundamental e indissociável das atividades econômicas".

A técnica para resolver: leia o texto procurando a tese (a ideia central que o autor defende) e teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora?". Alternativas que extrapolam, restringem ou contradizem o texto devem ser eliminadas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a sociedade baseada na integração humana e alheia ao interesse financeiro "poderá estagnar economicamente empresas grandes e modestas". O texto não diz isso. Pelo contrário, o autor afirma que a responsabilidade social é "fator fundamental e indissociável das atividades econômicas" e que empresas com "papel definido de utilidade social" terão "vida mais fácil". A ideia de estagnação econômica é uma extrapolação — o texto não menciona nenhum risco de estagnação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é uma paráfrase fiel da tese do autor. O texto diz que o homem rico "impõe-se pela capacidade de comprar soluções", enquanto o sábio "compreendeu que não é feliz quem mais tem, mas quem mais se satisfaz com o que tem". E, no 2º parágrafo, define a responsabilidade social como algo "humano e ambientalmente correto que começa a ser compreendido como fator fundamental e indissociável das atividades econômicas". A alternativa condensa essas ideias: a preocupação com a riqueza, sem responsabilidade social (que implica relação harmoniosa com semelhantes e natureza), é falta de inteligência. Tudo isso está no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a superação de sofrimentos humanos está "intimamente relacionada à questão financeira" e que isso "requer empresas gerando mais lucros". O texto diz o oposto: ele valoriza empresas com "lucro modesto, mas com papel definido de utilidade social" e critica o "monumental lucro sem méritos sociais". A ideia de que é preciso gerar mais lucros para superar sofrimentos humanos é uma contradição com a tese do autor, que defende justamente o contrário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que comparar um homem rico a um sábio é "falta de bom senso" porque cada um tem uma função específica na vida social. O texto não faz essa comparação para criticá-la; ele a faz para elogiar o sábio e criticar a valorização excessiva do rico. A ideia de que cada um tem uma função específica é uma extrapolação — o texto não discute funções sociais, apenas contrasta dois modos de vida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o modelo de avaliação de empresas com base em valores imateriais deve eliminar os elementos ligados à visão econômica. O texto não defende a eliminação do econômico; ele diz que o desempenho passou a ser avaliado por "um conjunto de valores não apenas econômicos e não necessariamente materiais" — ou seja, valores econômicos continuam presentes, apenas não são os únicos. A alternativa restringe indevidamente o alcance do texto, transformando "não apenas" em "eliminando".

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro que o texto não traz. Aqui, a alternativa E usa a palavra "eliminando" para distorcer o sentido de "não apenas". Fique atento a quantificadores e advérbios que mudam o alcance da afirmação.

PEGA ESSA DICA!

Ao ler o comando "o autor assevera que", procure a tese do texto, geralmente expressa na introdução ou na conclusão. Teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?".

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que reproduz fielmente a tese do autor, sem extrapolar, restringir ou contradizer o texto.

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