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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205840
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
OJ ( )

Cuidado com o livro

 

Sabem do que tenho mais saudades? Do livro aberto. Sim, isso mesmo, tenho saudade de ver um livro escancarado na mão de um leitor. Já não me lembro da última vez que vi um livro a ser devorado em público. Ler em público, ou até carregar um livro debaixo do braço, passou à história, é hoje praticamente figura de museu, alimento da nostalgia de poetas, romancistas e cronistas, para se empanturrarem até arrotarem os seus desvarios e estórias, que por vaidade ou capricho masoquista se dão ao trabalho de publicar em livros, que ficarão para sempre calados.

Nutrimos pelos livros o mesmo que sentimos por certos cães: medo. As casas comerciais, cada vez mais escassas, que carregam na fachada a palavra “Livraria”, são encaradas com o mesmo respeitinho que nutrimos por aquelas habitações onde nos portões se lê “Cuidado com o cão”. As nossas bibliotecas estão para nós como os canis municipais: nunca pomos lá os pés. Ninguém quer ver, ninguém está para se comover com aquela quantidade de livros abandonados, engaiolados nas prateleiras numa agonia sem fim.

Quando kandengues*, nossos pais, para incutir sentido de responsabilidade, nos davam de presente livros, e com eles as mesmas recomendações que forneciam quando nos ofereciam o nosso primeiro cachorrinho: “Cuida bem dele, leva-o a passear, é o teu melhor amigo”. Nós, na emoção inicial, brincávamos com eles envoltos naquela alegria infantil.

* crianças

 

(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa [Crônicas], 2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   Na crônica, o autor ressalta
  1. Aum novo padrão de comportamento social, em que leitores raramente são vistos desfrutando da leitura, tanto em livrarias e bibliotecas quanto em outros locais públicos.
  2. Bum perfil contemporâneo de sujeito leitor contumaz e emergente, que vem combatendo o abandono, cada vez mais precoce e generalizado, aos livros.
  3. Ca transformação paulatina no perfil do sujeito leitor, que deixou de ler livros em público, para que deixem de ser comercializados para figurarem como peças de museu.
  4. Da mudança de paradigma na produção de livros, de modo a acompanhar a vaidade e o capricho de poetas, romancistas e cronistas de não produzirem em larga escala.
  5. Eo medo que domina o sujeito leitor de perder espaços específicos de leitura, como livrarias e bibliotecas, já que lhes rende críticas ofensivas o hábito de ler em qualquer lugar público.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — um novo padrão de comportamento social, em que leitores raramente são vistos desfrutando da leitura, tanto em livrarias e bibliotecas quanto em outros locais públicos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A crônica e o novo padrão de comportamento social

Gabarito: letra A. O autor ressalta um novo padrão de comportamento social em que os leitores raramente são vistos desfrutando da leitura em público, tanto em livrarias e bibliotecas quanto em outros locais. Essa é a tese central da crônica, anunciada já no primeiro parágrafo com a saudade do "livro aberto" e a constatação de que "Ler em público, ou até carregar um livro debaixo do braço, passou à história".

O comando pede que identifiquemos o que o autor ressalta — ou seja, o ponto central que ele destaca ao longo de todo o texto. Não se trata de uma inferência sutil, mas da ideia principal que organiza a crônica: a constatação de que a leitura em público desapareceu do cotidiano. O autor desenvolve essa tese com imagens fortes: o livro como "figura de museu", o medo que sentimos de livrarias (comparadas a casas com "Cuidado com o cão") e o abandono das bibliotecas (comparadas a "canis municipais").

A técnica para resolver é simples: a resposta correta é uma paráfrase fiel da tese central, sem acrescentar nada que o texto não diga. Vamos testar cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?".

"Ler em público, ou até carregar um livro debaixo do braço, passou à história, é hoje praticamente figura de museu"

Essa passagem prova a alternativa A: o autor afirma que a leitura em público passou à história, ou seja, tornou-se rara — exatamente o que a alternativa diz com "leitores raramente são vistos desfrutando da leitura". E o texto confirma que isso vale tanto para livrarias e bibliotecas ("As casas comerciais... são encaradas com o mesmo respeitinho... As nossas bibliotecas estão para nós como os canis municipais: nunca pomos lá os pés") quanto para outros locais públicos ("ver um livro escancarado na mão de um leitor" em público).

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é uma paráfrase fiel da tese central. O texto afirma que "Ler em público, ou até carregar um livro debaixo do braço, passou à história" — ou seja, os leitores raramente são vistos lendo. E o texto estende essa constatação a todos os espaços: livrarias ("cada vez mais escassas"), bibliotecas ("nunca pomos lá os pés") e outros locais públicos (a saudade de "ver um livro escancarado na mão de um leitor"). A alternativa não acrescenta nada: apenas reorganiza o que o autor diz.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa fala em "sujeito leitor contumaz e emergente, que vem combatendo o abandono" — mas o texto diz exatamente o oposto: os leitores abandonaram a leitura em público. Não há nenhum "combate" ou perfil "emergente" na crônica; há nostalgia e crítica. O autor lamenta o abandono, não celebra um movimento de resistência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa distorce a relação de causa e efeito. O texto diz que os livros viraram "figura de museu" como consequência do abandono da leitura em público. A alternativa inverte: diz que o leitor deixou de ler "para que deixem de ser comercializados para figurarem como peças de museu" — como se houvesse uma intenção deliberada. O texto não afirma isso; é uma invenção da alternativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: fuga ao tema. A alternativa fala de "mudança de paradigma na produção de livros" e da "vaidade e capricho" dos autores. O texto menciona a vaidade dos escritores apenas de passagem, mas o foco da crônica não é a produção de livros, e sim o comportamento dos leitores. A alternativa tangencia o texto ao trocar o objeto central da reflexão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que o leitor tem "medo de perder espaços específicos de leitura" e que o hábito de ler em público "rende críticas ofensivas". O texto diz o contrário: o medo é dos livros ("Nutrimos pelos livros o mesmo que sentimos por certos cães: medo"), e não há nenhuma menção a "críticas ofensivas" contra quem lê em público. A alternativa inverte o objeto do medo e inventa uma perseguição que não existe no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter a relação — trocar o objeto do medo (alternativa E), inverter causa e consequência (alternativa C) ou inventar um movimento de resistência que o texto não menciona (alternativa B). A correta é sempre a que parafraseia a tese sem acrescentar nada.

PEGA ESSA DICA!

Ao ler o comando "o autor ressalta", procure a tese central — geralmente anunciada no primeiro parágrafo ou na conclusão. Depois, teste cada alternativa perguntando: "isto está escrito, ou é uma dedução minha?".

Gabarito: letra A. A crônica de Kalaf Epalanga é uma crítica nostálgica ao desaparecimento da leitura em público. A alternativa A é a única que captura essa tese sem extrapolar, contradizer ou fugir ao tema — ela apenas diz, com outras palavras, o que o autor afirma desde a primeira linha.

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