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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2024

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu205842
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
OJ ( )

Cuidado com o livro

 

Sabem do que tenho mais saudades? Do livro aberto. Sim, isso mesmo, tenho saudade de ver um livro escancarado na mão de um leitor. Já não me lembro da última vez que vi um livro a ser devorado em público. Ler em público, ou até carregar um livro debaixo do braço, passou à história, é hoje praticamente figura de museu, alimento da nostalgia de poetas, romancistas e cronistas, para se empanturrarem até arrotarem os seus desvarios e estórias, que por vaidade ou capricho masoquista se dão ao trabalho de publicar em livros, que ficarão para sempre calados.

Nutrimos pelos livros o mesmo que sentimos por certos cães: medo. As casas comerciais, cada vez mais escassas, que carregam na fachada a palavra “Livraria”, são encaradas com o mesmo respeitinho que nutrimos por aquelas habitações onde nos portões se lê “Cuidado com o cão”. As nossas bibliotecas estão para nós como os canis municipais: nunca pomos lá os pés. Ninguém quer ver, ninguém está para se comover com aquela quantidade de livros abandonados, engaiolados nas prateleiras numa agonia sem fim.

Quando kandengues*, nossos pais, para incutir sentido de responsabilidade, nos davam de presente livros, e com eles as mesmas recomendações que forneciam quando nos ofereciam o nosso primeiro cachorrinho: “Cuida bem dele, leva-o a passear, é o teu melhor amigo”. Nós, na emoção inicial, brincávamos com eles envoltos naquela alegria infantil.

* crianças

 

(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa [Crônicas], 2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   Se alguém _ um leitor com um livro aberto, avise-me. Não posso me privar dessa cena. Porém, não convém que eu _ na leitura, posso atrapalhar. Quero vida longa aos livros. Mas fato é que, quando nós crescemos, abandonamos todos eles com a sua prateleira num canto qualquer, até que _ de velhice. De acordo com a norma-padrão, as lacunas da frase devem ser preenchidas, com:
  1. Aver ... interviria ... morram
  2. Bver ... intervenho ... morrem
  3. Cvê ... intervenha ... morrem
  4. Dvir ... intervisse ... morrerão
  5. Evir ... intervenha ... morram
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — vir ... intervenha ... morram

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjugação verbal: futuro e presente do subjuntivo na norma-padrão

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que preenche as três lacunas com as formas corretas: vir (futuro do subjuntivo do verbo ver), intervenha (presente do subjuntivo do verbo intervir) e morram (presente do subjuntivo do verbo morrer). A decisão vem da correlação temporal e da conjugação dos verbos derivados de *vir*, como se vê na análise de cada lacuna.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você complete as lacunas de acordo com a norma-padrão, ou seja, com as formas verbais que respeitam a conjugação correta e a relação de tempo entre as orações. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar regras de morfologia verbal — especificamente o modo subjuntivo (presente e futuro) e a correlação temporal entre orações.

O texto: o contexto que orienta a escolha

O texto-base fala da saudade de ver livros abertos e da constatação de que, ao crescer, abandonamos os livros. A frase a ser completada é uma hipótese ("Se alguém vir um leitor com um livro aberto") e uma recomendação/possibilidade ("não convém que eu intervenha na leitura"), seguidas de uma consequência ("até que morram de velhice"). Esses contextos exigem o subjuntivo, modo da dúvida, da hipótese e da possibilidade.

A técnica: como decidir cada lacuna

1ª lacuna — "Se alguém ___ um leitor..."

A conjunção "Se" introduz uma condição, e, em orações condicionais que expressam hipótese futura, o verbo deve ficar no futuro do subjuntivo. O verbo é ver (ver alguém com um livro), e o futuro do subjuntivo de ver é vir (quando eu vir, quando tu vires, quando ele vir). Cuidado para não confundir com o verbo vir (de movimento), cujo futuro do subjuntivo é vier (quando eu vier). A forma "vê" é presente do indicativo, não serve para condição futura. Portanto, a 1ª lacuna é vir.

2ª lacuna — "não convém que eu ___ na leitura"

A expressão "não convém que" exige o presente do subjuntivo (modo da dúvida/possibilidade). O verbo é intervir, que é derivado de vir e, por isso, conjuga-se como vir: no presente do subjuntivo, temos que eu intervenha, que tu intervenhas, que ele intervenha. A forma "intervisse" não existe (o pretérito imperfeito do subjuntivo seria interviesse), e "intervenho" é presente do indicativo. Portanto, a 2ª lacuna é intervenha.

3ª lacuna — "até que ___ de velhice"

A locução "até que" introduz uma oração com sentido de finalidade/consequência e exige o presente do subjuntivo. O verbo é morrer, cujo presente do subjuntivo é morra, morras, morra, morramos, morrais, morram. Como o sujeito é "eles" (os livros), a forma é morram. As formas "morrem" (presente do indicativo) e "morrerão" (futuro do pretérito) não se encaixam na correlação com "até que". Portanto, a 3ª lacuna é morram.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"ver ... interviria ... morram" — A 1ª lacuna está errada: "ver" é infinitivo, não futuro do subjuntivo. Em "Se alguém ver um leitor", a forma correta seria vir. A 2ª lacuna "interviria" é futuro do pretérito do indicativo, mas a expressão "não convém que" exige subjuntivo (intervenha). A 3ª lacuna "morram" está correta, mas as duas primeiras já invalidam a alternativa. Erro: troca de tempo/modo verbal (infinitivo no lugar de futuro do subjuntivo; indicativo no lugar de subjuntivo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"ver ... intervenho ... morrem" — A 1ª lacuna "ver" (infinitivo) está errada, como na A. A 2ª lacuna "intervenho" é presente do indicativo, mas "não convém que" exige subjuntivo (intervenha). A 3ª lacuna "morrem" é presente do indicativo, mas "até que" exige subjuntivo (morram). Erro: uso de formas do indicativo onde o subjuntivo é obrigatório.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"vê ... intervenha ... morrem" — A 1ª lacuna "vê" é presente do indicativo (3ª pessoa), mas a oração condicional com "Se" exige futuro do subjuntivo (vir). A 2ª lacuna "intervenha" está correta. A 3ª lacuna "morrem" está errada, pois "até que" exige subjuntivo (morram). Erro: presente do indicativo no lugar de futuro do subjuntivo e de presente do subjuntivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"vir ... intervisse ... morrerão" — A 1ª lacuna "vir" está correta (futuro do subjuntivo de ver). A 2ª lacuna "intervisse" não existe na norma-padrão; o pretérito imperfeito do subjuntivo de intervir é interviesse. A 3ª lacuna "morrerão" é futuro do presente do indicativo, mas "até que" exige subjuntivo (morram). Erro: forma inexistente (intervisse) e tempo inadequado (futuro do indicativo).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"vir ... intervenha ... morram" — As três formas estão corretas e adequadas ao contexto: vir (futuro do subjuntivo de ver), intervenha (presente do subjuntivo de intervir) e morram (presente do subjuntivo de morrer). A correlação temporal é perfeita: condição futura (vir) + recomendação no presente (intervenha) + consequência até o fim (morram). É a única alternativa que respeita a norma-padrão em todas as lacunas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre ver e vir (futuro do subjuntivo) e entre intervir e interver (forma inexistente). Além disso, testa a correlação temporal com "até que", que exige subjuntivo, não indicativo.

PEGA ESSA DICA!

Em orações com "Se" + ideia de futuro, use sempre o futuro do subjuntivo (vir, puser, fizer). Em expressões como "convém que", "é preciso que", "até que", use o presente do subjuntivo. Decore a conjugação dos verbos derivados de vir (intervir, provir, convir) e de ter (manter, obter, conter).

Gabarito: letra E — a única que conjuga corretamente os três verbos no modo e tempo exigidos pelo contexto.

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