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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205919
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2024
Cargo
Tec ( )

Como um material radioativo é usado para dissuadir
caçadores de rinocerontes na África do Sul


A África do Sul abriga cerca de 80% da população mundial de rinocerontes brancos, estimada em cerca de 13 000 espécies. No entanto, o país tornou-se um foco de caça furtiva, impulsionado pela procura na Ásia, onde os chifres são utilizados na medicina tradicional pelos seus supostos efeitos terapêuticos ou afrodisíacos.


James Larkin, pesquisador da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, colocou “dois pequenos chips radioativos no chifre” de filhotes de rinocerontes brancos, que com um ano de idade pesam quase meia tonelada. O material radioativo “torna o chifre inútil e essencialmente tóxico para consumo humano”, explicou Nithaya Chetty, reitora de Ciências da mesma universidade. O pesquisador acrescentou que a dose de material radioativo é fraca o suficiente para não impactar a saúde do animal ou o meio ambiente.


Além disso, a dose recebida de material radioativo por cada animal é “forte o suficiente para ativar detectores instalados em todo o mundo”, inicialmente “para prevenir o terrorismo nuclear”, explicou Larkin. Os agentes de fronteira muitas vezes carregam detectores de radiação portáteis, além dos milhares de detectores instalados em portos e aeroportos, segundo os cientistas. No mercado clandestino, o preço dos chifres por peso compete com o do ouro ou o da cocaína.


(Redação. O Estado de S.Paulo. 06.07.2024. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Com base na leitura do texto, é correto concluir que a introdução de material radioativo em chifres de rinocerontes brancos

  1. Apõe em risco a saúde desses animais, razão pela qual a África do Sul, país com maior número de rinocerontes brancos do mundo, solicitou que suas universidades ajudassem a colocar um fim a essa prática.
  2. Bpode ajudar a diminuir a caça desses animais, diminuindo a demanda por chifres, os quais estariam contaminados, e facilitando a identificação de caçadores ou traficantes em posse dos chifres nas fronteiras do país.
  3. Cé uma iniciativa de uma universidade sul-africana que visa aproveitar os chifres dos animais abatidos, para fins terapêuticos e afrodisíacos, de modo a impulsionar a economia do país.
  4. Dprejudica o combate ao chamado “terrorismo nuclear”, na medida em que promove um uso indiscriminado de radiação em todo o território sul-africano, dificultando assim qualquer iniciativa de fiscalização.
  5. Etorna os chifres desse animal mais valiosos do que o ouro ou a cocaína, motivando a chamada “caça furtiva”, que afeta enormemente as chances de sobrevivência dessa espécie na África do Sul.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — pode ajudar a diminuir a caça desses animais, diminuindo a demanda por chifres, os quais estariam contaminados, e facilitando a identificação de caçadores ou traficantes em posse dos chifres nas fronteiras do país.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: a radioatividade como estratégia contra a caça furtiva

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única inteiramente sustentada pelo texto: a introdução de material radioativo nos chifres "torna o chifre inútil e essencialmente tóxico para consumo humano" e a dose é "forte o suficiente para ativar detectores instalados em todo o mundo" — ou seja, desestimula o consumo (diminui a demanda) e permite flagrar quem transporta os chifres (facilita a identificação nas fronteiras). As demais alternativas ou extrapolam o texto (A, C, E) ou o contradizem (D).

O comando pede uma conclusão a partir da leitura — tarefa de compreensão com leve inferência: a resposta não está literalmente escrita em uma única frase, mas é a paráfrase fiel do que o texto afirma, sem acrescentar nada de fora. O método é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige que eu traga informação que ele não menciona?

O texto apresenta uma tese (a radioatividade é uma estratégia viável contra a caça furtiva) e a sustenta com dois argumentos: (1) o chifre contaminado perde valor de consumo — "torna o chifre inútil e essencialmente tóxico para consumo humano"; (2) a radiação permite rastreamento — "forte o suficiente para ativar detectores instalados em todo o mundo". A alternativa B combina exatamente esses dois efeitos: diminuir a demanda (porque o chifre fica contaminado) e facilitar a identificação de quem o transporta (porque os detectores disparam).

A armadilha central da banca é a extrapolação com fato verdadeiro: A, C e E usam informações que existem no mundo real (radiação faz mal, chifre é valioso, caça furtiva ameaça a espécie) e que o texto até menciona de passagem, mas invertem ou distorcem a relação que o texto estabelece. D, por sua vez, contradiz o texto ao afirmar que a radiação atrapalha o combate ao terrorismo nuclear, quando o texto diz exatamente o oposto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora pegar um dado real ("radiação pode ser perigosa", "chifre vale ouro") e embuti-lo como se fosse a tese do texto. A pergunta decisiva é sempre: o texto diz isso, ou eu estou completando com o que sei do mundo?

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a introdução de material radioativo "põe em risco a saúde desses animais" e que a África do Sul "solicitou que suas universidades ajudassem a colocar um fim a essa prática". O texto diz o contrário: o pesquisador acrescentou que a dose é "fraca o suficiente para não impactar a saúde do animal ou o meio ambiente". Além disso, não há nenhuma menção a um pedido do governo sul-africano para acabar com a prática — pelo contrário, a iniciativa é apresentada como uma solução. Erro: contradiz o texto (inverte a informação sobre a saúde) e extrapola (inventa a solicitação).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é uma paráfrase exata dos dois efeitos descritos no texto. Veja a correspondência:

Texto

Alternativa B

"torna o chifre inútil e essencialmente tóxico para consumo humano"

"diminuindo a demanda por chifres, os quais estariam contaminados"

"forte o suficiente para ativar detectores instalados em todo o mundo"

"facilitando a identificação de caçadores ou traficantes em posse dos chifres nas fronteiras"

A alternativa usa o verbo "pode ajudar" — modalização adequada, pois o texto apresenta a estratégia como uma possibilidade, não como certeza. Nada é acrescentado: a ideia de "diminuir a caça" é a conclusão lógica de tornar o produto inútil e rastreável.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a iniciativa visa "aproveitar os chifres dos animais abatidos, para fins terapêuticos e afrodisíacos". O texto afirma exatamente o oposto: o objetivo é tornar o chifre inútil para consumo — "torna o chifre inútil e essencialmente tóxico para consumo humano". A menção a "fins terapêuticos e afrodisíacos" aparece no texto apenas como a motivação da demanda asiática ("supostos efeitos terapêuticos ou afrodisíacos"), não como objetivo da universidade. Erro: contradiz o texto (inverte a finalidade) e extrapola (inventa o aproveitamento econômico).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a radiação "prejudica o combate ao chamado 'terrorismo nuclear'". O texto diz o contrário: os detectores foram instalados "inicialmente 'para prevenir o terrorismo nuclear'" e agora servem também para flagrar chifres radioativos — ou seja, a radiação reforça o sistema de detecção, não o atrapalha. Erro: contradiz o texto (inverte a relação entre a radiação e o combate ao terrorismo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a radioatividade "torna os chifres desse animal mais valiosos do que o ouro ou a cocaína". O texto diz que no mercado clandestino o preço dos chifres "por peso compete com o do ouro ou o da cocaína" — ou seja, o valor já é alto antes da radioatividade, e a radioatividade serve justamente para desvalorizar o chifre (torná-lo inútil). A alternativa inverte a relação de causa e consequência: não é a radioatividade que aumenta o valor; é o valor que motiva a caça, e a radioatividade tenta reduzi-lo. Erro: contradiz o texto (inverte a relação) e extrapola (atribui à radioatividade um efeito que ela não tem).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que usam palavras absolutas ("põe em risco", "prejudica", "mais valiosos") — o texto costuma ser mais matizado. A correta geralmente usa modalizadores como "pode", "tende a", "contribui para".

Gabarito: letra B. A regra de ouro: a resposta certa é a que reescreve o texto sem acrescentar nem contradizer — teste cada alternativa perguntando: onde o texto autoriza isto? Se você precisou completar com conhecimento de mundo, é extrapolação; se inverteu uma relação, é contradição. A B é a única que se sustenta inteiramente no que está escrito.

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