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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205943
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2024
Cargo
CF/CM ( )

Leia o texto para responder à questão.

 

O descobridor das coisas

 

A gente vinha de mãos dadas, sem pressa de nada pela rua. Totoca vinha me ensinando a vida. E eu estava muito contente porque meu irmão mais velho estava me dando a mão e ensinando as coisas. Mas ensinando as coisas fora de casa. Porque em casa eu aprendia descobrindo sozinho e fazendo sozinho, fazia errado e fazendo errado acabava sempre tomando umas palmadas. Até bem pouco tempo ninguém me batia. Mas depois descobriram as coisas e vivem dizendo que eu era o cão, que eu era capeta, gato ruço de mau pelo. Não queria saber disso. Se não estivesse na rua eu começava a cantar. Cantar era bonito. Totoca sabia fazer outra coisa além de cantar, assobiar. Mas eu por mais que imitasse, não saía nada. Ele me animou dizendo que era assim mesmo, que eu ainda não tinha boca de soprador. Mas como eu não podia cantar por fora, fui cantando por dentro. Aquilo era esquisito, mas se tornava muito gostoso. E eu estava me lembrando de uma música que Mamãe cantava quando eu era bem pequenininho. Ela ficava no tanque, com um pano amarrado na cabeça para tapar o sol. Tinha um avental amarrado na barriga e ficava horas e horas, metendo a mão na água, fazendo sabão virar muita espuma. Depois torcia a roupa e ia até a corda. Prendia tudo na corda e suspendia o bambu. Ela fazia igualzinho com todas as roupas. Estava lavando a roupa da casa do Dr. Faulhaber para ajudar nas despesas da casa. Mamãe era alta, magra, mas muito bonita. Tinha uma cor bem queimada e os cabelos pretos e lisos. Quando ela deixava os cabelos sem prender, davam até na cintura. Mas bonito era quando ela cantava e eu ficava junto aprendendo.

 

(José Mauro de Vasconcelos. O meu pé de laranja lima, 1975. Adaptado)

Na rua com Totoca, o narrador sente-se
  1. Aextasiado com a vida fora de casa, onde poderia fazer o que quisesse.
  2. Bacolhido para viver uma realidade diversa daquela vivida em casa.
  3. Capreensivo com a possibilidade de o irmão dar-lhe umas palmadas.
  4. Dtriste porque o irmão tinha o mesmo comportamento que em casa.
  5. Eansioso por achar difícil aprender os ensinamentos de seu irmão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — acolhido para viver uma realidade diversa daquela vivida em casa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentimento do narrador na rua com Totoca

Gabarito: letra B. O narrador sente-se acolhido para viver uma realidade diversa daquela vivida em casa, pois, na rua, Totoca o ensina "as coisas fora de casa", enquanto em casa ele "aprendia descobrindo sozinho" e, ao errar, "acabava sempre tomando umas palmadas". A alternativa B é a única que sintetiza essa oposição entre o acolhimento da rua e a punição doméstica, sem acrescentar informações que o texto não traz.

O comando pede uma compreensão do texto: "Na rua com Totoca, o narrador sente-se". Trata-se de localizar o estado emocional do narrador a partir das pistas textuais, não de inferir algo além do que está escrito. A resposta deve ser uma paráfrase — uma reescritura fiel — do que o texto afirma, sem deduções externas.

O texto estabelece um contraste claro entre dois ambientes. Em casa, o narrador "aprendia descobrindo sozinho e fazendo sozinho, fazia errado e fazendo errado acabava sempre tomando umas palmadas". Na rua, porém, Totoca "vinha me ensinando a vida" e "me dando a mão", e o narrador estava "muito contente porque meu irmão mais velho estava me dando a mão e ensinando as coisas". A palavra "contento" e a imagem da mão dada são as pistas centrais: o narrador se sente seguro e amparado na rua, em uma experiência oposta à da casa, marcada por palmadas.

A técnica que decide a questão é o contraste entre os dois espaços. A alternativa correta precisa capturar essa oposição: na rua, o narrador é acolhido; em casa, é punido. As demais alternativas ou extrapolam (A, C, E) ou contradizem o texto (D).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — oferece alternativas que soam plausíveis, mas acrescentam informações que o texto não autoriza. A letra A, por exemplo, fala em "fazer o que quisesse", mas o texto não diz que o narrador tinha liberdade total; ele apenas recebia ensinamentos do irmão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Extrapolação. O texto diz que Totoca "estava me ensinando as coisas", mas não afirma que o narrador podia "fazer o que quisesse". A ideia de liberdade irrestrita é uma invenção — o texto mostra o narrador sendo guiado, não solto. A palavra "extasiado" também é exagerada: o narrador está "contente", não em êxtase.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel. O texto opõe a rua à casa: na rua, Totoca "me dando a mão e ensinando as coisas"; em casa, o narrador "fazia errado e fazendo errado acabava sempre tomando umas palmadas". A palavra "acolhido" traduz exatamente o sentimento de quem recebe a mão e o ensinamento do irmão, em uma "realidade diversa" daquela marcada por palmadas. Nada aqui é acrescentado — tudo está ancorado no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Contradiz o texto. O narrador não está "apreensivo" com palmadas na rua; pelo contrário, está "muito contente". As palmadas são lembradas como algo que acontecia em casa, não na rua. A alternativa inverte o sentimento e o local.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Contradiz o texto. O texto estabelece uma oposição entre o comportamento de Totoca na rua e o que acontecia em casa. Não há qualquer indicação de que o irmão tivesse "o mesmo comportamento que em casa". A alternativa nega o contraste que estrutura o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Extrapolação. O narrador não demonstra "ansiedade" nem acha "difícil aprender" os ensinamentos. Pelo contrário, ele está "muito contente" e, quando não consegue assobiar, Totoca o anima dizendo que "era assim mesmo". A dificuldade momentânea com o assobio não gera ansiedade — é tratada com naturalidade.

Conclusão: a questão se resolve pelo contraste entre a rua (acolhimento, mão dada, contentamento) e a casa (palmadas, aprendizado solitário). A letra B é a única que traduz esse contraste sem extrapolar. Ao resolver questões de compreensão, pergunte-se: o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora?

Gabarito: letra B

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