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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2024

PortuguêsConjunção
Código
vu205947
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2024
Cargo
CF/CM ( )

Leia o texto para responder à questão.

 

O descobridor das coisas

 

A gente vinha de mãos dadas, sem pressa de nada pela rua. Totoca vinha me ensinando a vida. E eu estava muito contente porque meu irmão mais velho estava me dando a mão e ensinando as coisas. Mas ensinando as coisas fora de casa. Porque em casa eu aprendia descobrindo sozinho e fazendo sozinho, fazia errado e fazendo errado acabava sempre tomando umas palmadas. Até bem pouco tempo ninguém me batia. Mas depois descobriram as coisas e vivem dizendo que eu era o cão, que eu era capeta, gato ruço de mau pelo. Não queria saber disso. Se não estivesse na rua eu começava a cantar. Cantar era bonito. Totoca sabia fazer outra coisa além de cantar, assobiar. Mas eu por mais que imitasse, não saía nada. Ele me animou dizendo que era assim mesmo, que eu ainda não tinha boca de soprador. Mas como eu não podia cantar por fora, fui cantando por dentro. Aquilo era esquisito, mas se tornava muito gostoso. E eu estava me lembrando de uma música que Mamãe cantava quando eu era bem pequenininho. Ela ficava no tanque, com um pano amarrado na cabeça para tapar o sol. Tinha um avental amarrado na barriga e ficava horas e horas, metendo a mão na água, fazendo sabão virar muita espuma. Depois torcia a roupa e ia até a corda. Prendia tudo na corda e suspendia o bambu. Ela fazia igualzinho com todas as roupas. Estava lavando a roupa da casa do Dr. Faulhaber para ajudar nas despesas da casa. Mamãe era alta, magra, mas muito bonita. Tinha uma cor bem queimada e os cabelos pretos e lisos. Quando ela deixava os cabelos sem prender, davam até na cintura. Mas bonito era quando ela cantava e eu ficava junto aprendendo.

 

(José Mauro de Vasconcelos. O meu pé de laranja lima, 1975. Adaptado)

Nas passagens – Aquilo era esquisito, mas se tornava muito gostoso. – e – Prendia tudo na corda e suspendia o bambu. –, as orações destacadas expressam, correta e respectivamente, sentidos de

  1. Aoposição e adição.
  2. Bconclusão e alternância.
  3. Cadição e conclusão.
  4. Doposição e alternância.
  5. Econclusão e adição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — oposição e adição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunções coordenativas: oposição e adição no texto

Gabarito: letra A. A questão pede os sentidos das orações destacadas nas passagens “Aquilo era esquisito, mas se tornava muito gostoso.” e “Prendia tudo na corda e suspendia o bambu.”, respectivamente. A conjunção “mas” estabelece relação de oposição (adversativa), pois contrapõe a estranheza inicial à sensação agradável; a conjunção “e” estabelece relação de adição (aditiva), pois soma duas ações sequenciais da mãe. Como se lê no trecho: “Aquilo era esquisito, mas se tornava muito gostoso” e “Prendia tudo na corda e suspendia o bambu”.

O comando

O enunciado pede que se identifique o sentido das orações destacadas, ou seja, a relação semântica que as conjunções estabelecem entre as orações que conectam. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a classe da palavra, é preciso analisar o contexto para determinar se a conjunção expressa oposição, adição, conclusão, alternância etc. A banca VUNESP costuma cobrar exatamente essa habilidade: reconhecer o valor semântico da conjunção no uso concreto.

O texto

O trecho narra a memória do menino sobre a mãe lavando roupas. Na primeira passagem, o narrador descreve uma sensação interna: “Aquilo era esquisito, mas se tornava muito gostoso.” A conjunção “mas” liga duas ideias que se contrastam: algo que parecia estranho, porém revelou-se prazeroso. Na segunda passagem, descreve as ações da mãe: “Prendia tudo na corda e suspendia o bambu.” A conjunção “e” liga duas ações que se somam, uma após a outra, sem qualquer ideia de contraste ou conclusão.

A técnica que decide

Para resolver, é preciso dominar a classificação das conjunções coordenativas:

  • Aditivas (e, nem, mas também): somam ideias.

  • Adversativas (mas, porém, contudo, todavia): opõem ideias, quebram expectativa.

  • Alternativas (ou, ora...ora): indicam alternância ou exclusão.

  • Conclusivas (logo, portanto, pois): indicam conclusão.

  • Explicativas (porque, pois, que): indicam justificativa.

No primeiro caso, “mas” é o protótipo da adversativa: há uma quebra de expectativa — o que era esquisito torna-se gostoso. No segundo, “e” é o protótipo da aditiva: as ações de prender e suspender são somadas, sem oposição. A pegadinha da banca está em confundir “e” com conclusão ou alternância, mas o contexto não autoriza essas leituras.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os valores das conjunções coordenativas. “E” pode ter valor adversativo em alguns contextos (“Falou muito, e não disse nada”), mas aqui é claramente aditivo. Já “mas” nunca é conclusivo ou alternativo — é sempre adversativo.

1Aditivas (e, nem)
somam ideias
2Adversativas (mas, porém)
opõem ideias
quebram expectativa
3Alternativas (ou, ora...ora)
alternância
4Conclusivas (logo, portanto)
conclusão
5Explicativas (porque, pois)
justificativa
Conjunções coordenativas
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Conjunções coordenativas: Aditivas (e, nem) (somam ideias); Adversativas (mas, porém) (opõem ideias, quebram expectativa); Alternativas (ou, ora...ora) (alternância); Conclusivas (logo, portanto) (conclusão); Explicativas (porque, pois) (justificativa)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque identifica, respectivamente, oposição e adição. No trecho “Aquilo era esquisito, mas se tornava muito gostoso”, o “mas” contrapõe a estranheza ao prazer, estabelecendo oposição. No trecho “Prendia tudo na corda e suspendia o bambu”, o “e” soma duas ações da mãe, estabelecendo adição. A resposta está ancorada no sentido que as conjunções constroem no contexto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B erra ao afirmar que o primeiro sentido é conclusão. “Mas” não expressa conclusão; expressa oposição. Conclusão seria expressa por “logo”, “portanto”, “por isso”. O segundo sentido, alternância, também está errado: “e” não indica alternância, que seria expressa por “ou”, “ora...ora”. A alternativa troca os dois valores.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C erra ao afirmar que o primeiro sentido é adição. “Mas” não soma ideias; ele as opõe. O segundo sentido, conclusão, também está errado: “e” não conclui, apenas adiciona. A alternativa inverte o valor da primeira conjunção e troca o da segunda.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D acerta no primeiro sentido (oposição), mas erra no segundo ao afirmar alternância. “E” não expressa alternância; expressa adição. A alternativa mistura um acerto com um erro, o que a torna incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E erra ao afirmar que o primeiro sentido é conclusão. “Mas” não conclui; opõe. O segundo sentido, adição, está correto, mas como o primeiro está errado, a alternativa é inválida.

Conclusão: a questão testa o reconhecimento do valor semântico das conjunções coordenativas no contexto. A regra de ouro: “mas” é sempre adversativo (oposição); “e” é aditivo (soma), salvo raríssimos contextos em que “e” assume valor adversativo — o que não ocorre aqui. Gabarito: letra A.

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