Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205952
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2024
Cargo
CF/CM ( )
Leia o texto para responder à questão.
Os corpos dos porcos
Os caminhos da biomedicina não cessam de surpreender. Quem diria, décadas atrás, que partes dos animais mais identificados com sujidades viriam a salvar milhares de pessoas? Pois agora se convive com a era dos transplantes com órgãos de porcos, com notável avanço anunciado.
O Hospital Geral de Massachusetts em Boston divulgou operação bem-sucedida, comandada por um médico brasileiro, em que um homem de 62 anos com insuficiência renal grave recebeu um rim suíno geneticamente modificado. O paciente se recuperava bem.
Dá-se o nome de xenotransplante ao procedimento em que o doente recebe órgão de outra espécie, para contornar a escassez de doações humanas. A fila de brasileiros à espera de um rim, por exemplo, conta cerca de 39 mil pessoas.
Embora pouco se pareçam com humanos, suínos têm a parte central do corpo e os órgãos vitais nela contidos de tamanhos comparáveis. A desvantagem está no potencial aumentado para rejeição, dado o parentesco distante com a espécie Sus scrofa domesticus.
Recorreu-se a dezenas de manipulações de DNA para diminuir a rejeição, com a retirada de genes porcinos e inserção de genes humanos. Também se inativaram sequências genéticas correspondentes a vírus adormecidos, por assim dizer, no genoma de porcos.
Vida longa aos xenotransplantes. De uma perspectiva pragmática, é finalidade nobre destinar corpos de animais para salvar pessoas condenadas pela relutância de parentes, esta sim injustificável, a doar órgãos de entes queridos.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 22.03.2024. Adaptado)
No editorial, a análise desenvolvida trata
Ados avanços da biomedicina, enfocando o uso de animais para o xenotransplante.
Bdas diferenças entre órgãos humanos e animais, o que que dificulta os transplantes.
Cdas manipulações do DNA humano, para permitir a prevenção de doenças nos rins.
Ddas dificuldades de transplantes em humanos, pelas limitações da medicina atual.
Edos corpos dos porcos, que estão sendo totalmente modificados para os transplantes.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — dos avanços da biomedicina, enfocando o uso de animais para o xenotransplante.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O tema central do editorial: avanços da biomedicina e o xenotransplante
Gabarito: letra A. A análise desenvolvida no editorial trata dos avanços da biomedicina, enfocando o uso de animais para o xenotransplante — como se lê já no primeiro parágrafo: "Os caminhos da biomedicina não cessam de surpreender" e "agora se convive com a era dos transplantes com órgãos de porcos". O texto inteiro desenvolve esse eixo: apresenta um caso concreto (o rim suíno transplantado), explica o que é xenotransplante, discute as dificuldades (rejeição) e as soluções (manipulação genética), e conclui com uma defesa ética da prática.
O comando: o que a questão pede
O enunciado pergunta "a análise desenvolvida trata" — ou seja, pede a ideia central do texto, o tema que organiza todos os parágrafos. Não se trata de localizar um detalhe, nem de inferir algo nas entrelinhas: é uma questão de compreensão global. A resposta certa precisa resumir o assunto de que o texto fala do começo ao fim, sem acrescentar nada que não esteja lá.
O texto: tema, tese e movimento argumentativo
O editorial abre com uma constatação: a biomedicina surpreende, e agora vivemos a era dos transplantes com órgãos de porcos. Em seguida, relata um caso real (o transplante de rim suíno em Boston), define o procedimento (xenotransplante), aponta a vantagem (tamanho dos órgãos) e a desvantagem (risco de rejeição), explica a solução (manipulação de DNA) e fecha com um juízo de valor: é nobre destinar corpos de animais para salvar pessoas.
Perceba o fio condutor: tudo gira em torno do uso de animais (porcos) em transplantes. O caso concreto, a definição, as dificuldades técnicas e a conclusão ética são todos desdobramentos desse núcleo. A alternativa A captura exatamente isso: "avanços da biomedicina" (a tese) + "uso de animais para o xenotransplante" (o objeto).
A técnica que decide: teste do "sobre o quê"
Para questões de tema central, aplique o teste do "sobre o quê": se alguém perguntasse "sobre o que é esse texto?", a resposta seria "sobre o xenotransplante com órgãos de porcos". As alternativas B, C, D e E falam de aspectos periféricos — detalhes que aparecem no texto, mas não resumem o todo. Elas cometem o erro clássico de tangenciar o tema: pegam um elemento secundário e o apresentam como se fosse o assunto principal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas que tangenciam o tema — falam de coisas que estão no texto (diferenças entre órgãos, manipulação de DNA, dificuldades de transplante), mas que são partes do assunto, não o assunto em si. A correta é a única que abrange o texto inteiro.
Análise das alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é a única que sintetiza o tema central. O texto começa com "Os caminhos da biomedicina não cessam de surpreender" e "agora se convive com a era dos transplantes com órgãos de porcos" — isso é exatamente "avanços da biomedicina" + "uso de animais para o xenotransplante". Todo o desenvolvimento (caso concreto, definição, desafios, manipulação genética, conclusão ética) é um desdobramento desse eixo. Não há nenhum trecho que fuja desse assunto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: tangenciar o tema. A alternativa fala em "diferenças entre órgãos humanos e animais, o que dificulta os transplantes". O texto menciona que os suínos têm órgãos de tamanhos comparáveis aos humanos e que há risco de rejeição, mas isso é um detalhe técnico dentro da discussão maior sobre o xenotransplante. O texto não se propõe a analisar diferenças entre órgãos; ele analisa o uso de animais no transplante. Além disso, a palavra "dificulta" é uma simplificação: o texto diz que a desvantagem está no potencial de rejeição, não que as diferenças em si dificultam o transplante.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito + tangenciar. A alternativa diz "manipulações do DNA humano, para permitir a prevenção de doenças nos rins". O texto fala de manipulações de DNA dos porcos ("Recorreu-se a dezenas de manipulações de DNA para diminuir a rejeição, com a retirada de genes porcinos e inserção de genes humanos"), não do DNA humano. E o objetivo não é "prevenção de doenças nos rins", mas diminuir a rejeição do órgão transplantado. A alternativa troca o sujeito da manipulação (porco → humano) e o objetivo (diminuir rejeição → prevenir doenças).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: tangenciar + extrapolar. A alternativa fala em "dificuldades de transplantes em humanos, pelas limitações da medicina atual". O texto menciona a escassez de doações humanas e a fila de espera, mas isso é um contexto para justificar o xenotransplante, não o tema central. Além disso, a expressão "limitações da medicina atual" é uma extrapolação: o texto não diz que a medicina tem limitações; ele diz que há escassez de doações, o que é diferente. O foco do texto é a solução (xenotransplante), não as dificuldades.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: generalização indevida (restringir com absoluto). A alternativa diz "corpos dos porcos, que estão sendo totalmente modificados para os transplantes". O texto diz que se recorreu a "dezenas de manipulações de DNA" para diminuir a rejeição — não que os corpos dos porcos estejam "totalmente modificados". A palavra "totalmente" é um absoluto que o texto não autoriza: as manipulações foram específicas (retirada de genes porcinos, inserção de genes humanos, inativação de vírus), não uma modificação total. Além disso, o tema não é "os corpos dos porcos" em si, mas o uso deles no xenotransplante.
Conclusão
A questão testa sua capacidade de identificar o tema central de um texto. A alternativa A é a única que abrange o texto inteiro, do título à conclusão. As demais ou tangenciam (falam de detalhes), ou trocam conceitos (DNA humano em vez de porcino), ou generalizam ("totalmente").
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "o texto trata", pergunte-se: "se eu tivesse que dar um título para esse texto, qual seria?" O título que resumir tudo é a resposta. Desconfie de alternativas que mencionam apenas um parágrafo ou um detalhe técnico.