Os caminhos da biomedicina não cessam de surpreender. Quem diria, décadas atrás, que partes dos animais mais identificados com sujidades viriam a salvar milhares de pessoas? Pois agora se convive com a era dos transplantes com órgãos de porcos, com notável avanço anunciado.
O Hospital Geral de Massachusetts em Boston divulgou operação bem-sucedida, comandada por um médico brasileiro, em que um homem de 62 anos com insuficiência renal grave recebeu um rim suíno geneticamente modificado. O paciente se recuperava bem.
Dá-se o nome de xenotransplante ao procedimento em que o doente recebe órgão de outra espécie, para contornar a escassez de doações humanas. A fila de brasileiros à espera de um rim, por exemplo, conta cerca de 39 mil pessoas.
Embora pouco se pareçam com humanos, suínos têm a parte central do corpo e os órgãos vitais nela contidos de tamanhos comparáveis. A desvantagem está no potencial aumentado para rejeição, dado o parentesco distante com a espécie Sus scrofa domesticus.
Recorreu-se a dezenas de manipulações de DNA para diminuir a rejeição, com a retirada de genes porcinos e inserção de genes humanos. Também se inativaram sequências genéticas correspondentes a vírus adormecidos, por assim dizer, no genoma de porcos.
Vida longa aos xenotransplantes. De uma perspectiva pragmática, é finalidade nobre destinar corpos de animais para salvar pessoas condenadas pela relutância de parentes, esta sim injustificável, a doar órgãos de entes queridos.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 22.03.2024. Adaptado)
As palavras do texto às quais se aplicam a mesma regra de acentuação gráfica são:
Asuíno e vírus.
Bdécadas e órgãos.
Cpragmática e injustificável.
Dsequências e espécie.
Eatrás e têm.
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GabaritoD — sequências e espécie.
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Acentuação gráfica: paroxítonas terminadas em ditongo
Gabarito: letra D. As palavras sequências e espécie são acentuadas pela mesma regra: são paroxítonas terminadas em ditongo (crescente), e toda paroxítona terminada em ditongo recebe acento. Como se vê no texto: "Também se inativaram sequências genéticas" e "a espécie Sus scrofa domesticus". As demais alternativas misturam palavras acentuadas por regras diferentes (hiato, proparoxítona, oxítona, monossílabo tônico).
O comando
A questão pede que você identifique duas palavras do texto que obedeçam à MESMA regra de acentuação. Não basta que ambas tenham acento: é preciso que a justificativa do acento seja idêntica. Isso exige classificar cada palavra quanto à posição da sílaba tônica (oxítona, paroxítona, proparoxítona) e, em seguida, verificar a terminação que autoriza o acento.
O texto e a regra que decide
O texto traz várias palavras acentuadas, mas a chave está em sequências e espécie. Vejamos a separação silábica e a tonicidade:
se-quên-cias → a sílaba tônica é quên (penúltima) → paroxítona. Termina em -ias (ditongo crescente).
es-pé-cie → a sílaba tônica é pé (penúltima) → paroxítona. Termina em -ie (ditongo crescente).
A regra: acentuam-se todas as paroxítonas terminadas em ditongo (oral, crescente ou decrescente). É exatamente o caso das duas. Essa é a regra que as une.
A técnica: classifique antes de comparar
Para resolver rápido, faça assim:
Separe as sílabas e localize a sílaba tônica (a mais forte).
Classifique a palavra: oxítona (última), paroxítona (penúltima), proparoxítona (antepenúltima).
Confira a terminação que justifica o acento (ex.: paroxítona terminada em -l, -r, -x, -i(s), -u(s), -ão, -ã(s), ditongo etc.).
Compare as duas palavras: só são da mesma regra se a classificação E a terminação forem equivalentes.
PEGA ESSA DICA!
Desconfie de pares como "suíno" e "vírus": ambos têm acento, mas um é hiato (su-í-no) e o outro é paroxítona terminada em -us. A banca adora juntar palavras com acentos de naturezas diferentes.
Análise das alternativas
Acentuação gráfica
1Oxítonas (última sílaba tônica)
Terminadas em a(s), e(s), o(s)
Ex.: atrás
2Paroxítonas (penúltima sílaba tônica)
Terminadas em ditongo
Ex.: sequências, espécie
Terminadas em -l, -r, -x, -i(s), -u(s), -ão, -ã(s)
Ex.: vírus, injustificável, órgãos
3Proparoxítonas (antepenúltima)
Todas são acentuadas
Ex.: décadas, pragmática
4Hiato
i/u tônico sozinho na sílaba
Ex.: suíno
5Acento diferencial
Ex.: têm (plural de tem)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
suíno e vírus não seguem a mesma regra. suíno é acentuado pela regra do hiato: o "i" tônico fica sozinho na sílaba (su-í-no). vírus é paroxítona terminada em -us (ví-rus), regra das paroxítonas terminadas em -u(s)/-i(s). São regras distintas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
décadas é proparoxítona (dé-ca-das) — toda proparoxítona é acentuada. órgãos é paroxítona terminada em -ãos (ór-gãos). Regras diferentes: uma é proparoxítona, a outra é paroxítona com terminação específica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
pragmática é proparoxítona (prag-má-ti-ca). injustificável é paroxítona terminada em -l (in-jus-ti-fi-cá-vel). Novamente, regras distintas: proparoxítona × paroxítona terminada em consoante.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
sequências e espécie são paroxítonas terminadas em ditongo (crescente). Ambas recebem acento pela mesma regra: acentuam-se as paroxítonas terminadas em ditongo. É a única alternativa em que as duas palavras compartilham exatamente a mesma justificativa de acentuação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
atrás é oxítona terminada em -as (a-trás) — acentuam-se as oxítonas terminadas em a(s), e(s), o(s). têm é acento diferencial (3ª pessoa do plural do verbo ter, para diferenciar de "tem"). São regras completamente diferentes.
Fechamento
A pegadinha da banca é juntar palavras que têm acento, mas por motivos diferentes. A regra de ouro: duas palavras só seguem a mesma regra se a classificação quanto à tonicidade e a terminação que justifica o acento forem as mesmas. Aplique isso a cada par e você elimina as distratoras com segurança.