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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205990
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2024
Cargo
CFO/QC ( )

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Incentivo bem-vindo

 

Políticas de transferência de renda, quando bem desenhadas e focadas, já se provaram altamente positivas no Brasil e em outros países com grande desigualdade social. A eficácia aumenta quando são centradas em alvos específicos e exigem contrapartidas dos beneficiados. Essa premissa parece ter sido seguida no projeto de lei que cria a Poupança do Ensino Médio, mais conhecido como Pé de Meia, com o objetivo de estimular jovens de baixa renda a concluírem o ensino médio.

 

Como bem se sabe, os indicadores educacionais têm sido há décadas um dos principais gargalos para o crescimento econômico e a redução da desigualdade social no Brasil. Manter as crianças na escola foi uma contrapartida incluída pelos gestores públicos para as famílias beneficiadas pelo programa Bolsa Escola, no fim dos anos 1990. Com a ampliação desse programa de transferência de renda para o Bolsa Família, na década seguinte, essa e outras exigências foram sabiamente preservadas. O resultado foi o inegável salto nas estatísticas de conclusão do Ensino Fundamental 1 e menos crianças expostas à mendicância.

 

Aos quesitos básicos para manter-se no programa – assistir às aulas e obter a aprovação no ano letivo –, somam-se as obrigações de concluir o Ensino Médio e realizar os exames do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb) e do Enem. Ingressar em uma faculdade, obviamente, será decisão pessoal. Mas os elementos essenciais, em tese, estarão dados.

 

Todo esforço é válido para estimular o acesso de jovens de baixa renda ao mercado de trabalho e às universidades. Obviamente, não basta que os alunos sejam incentivados a ficar na escola. É preciso que a escola seja boa o bastante para fazer a diferença na vida desses estudantes.

 

(Opinião, 19.01.2024. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado)

Ao discutir a política pública voltada aos estudantes do Ensino Médio, o editorial deixa claro que ela
  1. Atende a manter os indicadores sociais de desigualdade no país, uma vez que foi desenhada sem pressupor a contrapartida dos jovens atendidos.
  2. Bpode ajudar os jovens a se manterem na escola e, até mesmo, ingressar no Ensino Superior, melhorando os indicadores educacionais do país.
  3. Ctem capacidade para garantir um salto expressivo na qualidade da educação, que vem sofrendo nas últimas décadas com crianças expostas à mendicância.
  4. Destá comprometida quanto às suas ideias fundamentais, considerando-se que seu objetivo único é garantir o ingresso nas universidades aos jovens.
  5. Esupera programas educacionais anteriores, porque articula não apenas o ingresso dos jovens em universidades como também lhes garante empregos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — pode ajudar os jovens a se manterem na escola e, até mesmo, ingressar no Ensino Superior, melhorando os indicadores educacionais do país.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: o editorial sobre o Pé de Meia

Gabarito: letra B. O editorial deixa claro que a política pública voltada aos estudantes do Ensino Médio pode ajudar os jovens a se manterem na escola e, até mesmo, ingressar no Ensino Superior, melhorando os indicadores educacionais do país. Essa é a leitura que o texto autoriza, como se vê no 1º parágrafo, ao afirmar que o programa tem "o objetivo de estimular jovens de baixa renda a concluírem o ensino médio", e no 3º parágrafo, ao dizer que "Ingressar em uma faculdade, obviamente, será decisão pessoal. Mas os elementos essenciais, em tese, estarão dados". A alternativa B é a única que parafraseia fielmente o que o texto afirma, sem acrescentar, restringir ou contradizer nada.

O comando da questão pede que se identifique o que o editorial "deixa claro" sobre a política pública. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, não exige inferência nem dedução. O candidato deve localizar a passagem que sustenta cada alternativa e verificar se ela é uma paráfrase fiel ou se contém algum desvio.

O texto é um editorial que defende o programa Pé de Meia. A tese central é que políticas de transferência de renda, quando bem desenhadas e focadas, são positivas, e que o Pé de Meia segue essa premissa. O autor argumenta que o programa estimula a conclusão do ensino médio, exige contrapartidas (assistir às aulas, obter aprovação, fazer Saeb e Enem) e, com isso, pode melhorar os indicadores educacionais. No 4º parágrafo, ele ressalva: "não basta que os alunos sejam incentivados a ficar na escola. É preciso que a escola seja boa o bastante para fazer a diferença na vida desses estudantes". Ou seja, o editorial vê o programa como um incentivo necessário, mas não suficiente — ele não promete garantias de qualidade ou de emprego.

A técnica decisiva aqui é o teste da paráfrase: a alternativa correta deve reescrever com outras palavras exatamente o que o texto diz, sem acrescentar informação nova (extrapolação), sem restringir o alcance (generalização indevida) e sem inverter o sentido (contradição). Palavras absolutas como "único", "garante", "supera" são alertas: quase sempre indicam que a alternativa foi além do texto. Vamos aplicar esse teste a cada alternativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com fatos verdadeiros que o texto não afirma. Aqui, as alternativas C e E usam ideias plausíveis (qualidade da educação, empregos) que o editorial não sustenta. Desconfie de qualquer alternativa que prometa mais do que o texto promete.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "deixa claro" pede compreensão, não inferência. A resposta tem que estar escrita no texto, não deduzida por você.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a política "tende a manter os indicadores sociais de desigualdade no país, uma vez que foi desenhada sem pressupor a contrapartida dos jovens atendidos". Isso contradiz o texto em dois pontos. Primeiro, o texto diz que o programa exige contrapartidas: "Aos quesitos básicos para manter-se no programa – assistir às aulas e obter a aprovação no ano letivo –, somam-se as obrigações de concluir o Ensino Médio e realizar os exames do Saeb e do Enem". Segundo, o texto afirma que políticas bem desenhadas "já se provaram altamente positivas" e que o programa tem "o objetivo de estimular jovens de baixa renda a concluírem o ensino médio" — ou seja, ele tende a reduzir a desigualdade, não a mantê-la. A alternativa inverte o sentido do texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é a única inteiramente sustentada pelo texto. Ela diz que a política "pode ajudar os jovens a se manterem na escola e, até mesmo, ingressar no Ensino Superior, melhorando os indicadores educacionais do país". Isso é uma paráfrase fiel de duas passagens: o 1º parágrafo, que afirma que o programa tem "o objetivo de estimular jovens de baixa renda a concluírem o ensino médio" (manter na escola), e o 3º parágrafo, que diz "Ingressar em uma faculdade, obviamente, será decisão pessoal. Mas os elementos essenciais, em tese, estarão dados" (possibilidade de ingresso no ensino superior). Além disso, o 2º parágrafo menciona que os indicadores educacionais são "um dos principais gargalos para o crescimento econômico e a redução da desigualdade social", e o programa ataca esse gargalo. O verbo "pode" é crucial: o texto não garante, apenas aponta a possibilidade, o que é exatamente o tom do editorial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a política "tem capacidade para garantir um salto expressivo na qualidade da educação, que vem sofrendo nas últimas décadas com crianças expostas à mendicância". Isso é uma extrapolação com um fato verdadeiro. O texto menciona que o Bolsa Família resultou em "menos crianças expostas à mendicância", mas isso se refere ao programa anterior, não ao Pé de Meia. Além disso, o texto não diz que o Pé de Meia garante "um salto expressivo na qualidade da educação"; pelo contrário, o 4º parágrafo ressalva: "não basta que os alunos sejam incentivados a ficar na escola. É preciso que a escola seja boa o bastante para fazer a diferença". Ou seja, o editorial não promete qualidade, apenas incentivo à permanência. A alternativa acrescenta uma promessa que o texto não faz.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a política "está comprometida quanto às suas ideias fundamentais, considerando-se que seu objetivo único é garantir o ingresso nas universidades aos jovens". Isso é uma restrição indevida com a palavra "único". O texto deixa claro que o objetivo é estimular a conclusão do ensino médio, e o ingresso na faculdade é apenas uma possibilidade: "Ingressar em uma faculdade, obviamente, será decisão pessoal". O programa não tem como objetivo único garantir o ingresso na universidade; ele também busca a permanência na escola e a realização de exames. A palavra "único" restringe o alcance do programa, tornando a alternativa falsa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a política "supera programas educacionais anteriores, porque articula não apenas o ingresso dos jovens em universidades como também lhes garante empregos". Isso é uma extrapolação dupla. Primeiro, o texto não compara o Pé de Meia com programas anteriores para dizer que ele os supera; ele apenas menciona o Bolsa Escola e o Bolsa Família como exemplos de políticas positivas. Segundo, o texto não diz que o programa garante empregos; ele diz que "Todo esforço é válido para estimular o acesso de jovens de baixa renda ao mercado de trabalho e às universidades", mas isso é um estímulo, não uma garantia. A palavra "garante" é um exagero que o texto não autoriza.

Conclusão: a alternativa B é a única que parafraseia fielmente o texto, sem extrapolar, restringir ou contradizer. As demais ou invertem o sentido (A), ou prometem mais do que o texto promete (C e E), ou restringem o alcance com "único" (D). Ao resolver questões de compreensão, pergunte-se sempre: "o texto autoriza esta afirmação, ou eu estou acrescentando algo de fora?".

Gabarito: letra B

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