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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — VUNESP 2024

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
vu205991
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2024
Cargo
CFO/QC ( )

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Incentivo bem-vindo

 

Políticas de transferência de renda, quando bem desenhadas e focadas, já se provaram altamente positivas no Brasil e em outros países com grande desigualdade social. A eficácia aumenta quando são centradas em alvos específicos e exigem contrapartidas dos beneficiados. Essa premissa parece ter sido seguida no projeto de lei que cria a Poupança do Ensino Médio, mais conhecido como Pé de Meia, com o objetivo de estimular jovens de baixa renda a concluírem o ensino médio.

 

Como bem se sabe, os indicadores educacionais têm sido há décadas um dos principais gargalos para o crescimento econômico e a redução da desigualdade social no Brasil. Manter as crianças na escola foi uma contrapartida incluída pelos gestores públicos para as famílias beneficiadas pelo programa Bolsa Escola, no fim dos anos 1990. Com a ampliação desse programa de transferência de renda para o Bolsa Família, na década seguinte, essa e outras exigências foram sabiamente preservadas. O resultado foi o inegável salto nas estatísticas de conclusão do Ensino Fundamental 1 e menos crianças expostas à mendicância.

 

Aos quesitos básicos para manter-se no programa – assistir às aulas e obter a aprovação no ano letivo –, somam-se as obrigações de concluir o Ensino Médio e realizar os exames do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb) e do Enem. Ingressar em uma faculdade, obviamente, será decisão pessoal. Mas os elementos essenciais, em tese, estarão dados.

 

Todo esforço é válido para estimular o acesso de jovens de baixa renda ao mercado de trabalho e às universidades. Obviamente, não basta que os alunos sejam incentivados a ficar na escola. É preciso que a escola seja boa o bastante para fazer a diferença na vida desses estudantes.

 

(Opinião, 19.01.2024. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado)

Com base em Marcuschi (2008), é correto afirmar que predomina no texto o tipo textual conhecido como

  1. Adescrição.
  2. Bexposição.
  3. Cinjunção.
  4. Dargumentação.
  5. Enarração.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — argumentação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: argumentação no texto opinativo

Gabarito: letra D. O texto é predominantemente argumentativo porque o autor defende uma tese — a de que o programa Pé de Meia é um "incentivo bem-vindo" — e a sustenta com argumentos, como se vê no trecho: "Políticas de transferência de renda, quando bem desenhadas e focadas, já se provaram altamente positivas no Brasil e em outros países com grande desigualdade social." A intenção é convencer o leitor de que a medida é positiva, e não apenas informar, descrever, narrar ou instruir.

O comando: identificar o tipo textual predominante

A questão pede que se reconheça o tipo textual que predomina no texto, com base na classificação de Marcuschi (2008). Isso não é uma questão de compreensão literal, mas de classificação tipológica: é preciso identificar a intenção comunicativa dominante do autor. O conteúdo predomina sobre a forma — não basta olhar para palavras isoladas; é preciso perceber o objetivo global do texto.

O texto: tese e argumentos

O texto é um artigo de opinião (gênero textual), publicado na seção de opinião do jornal O Estado de S. Paulo. O autor:

  1. Apresenta uma tese: o programa Pé de Meia é um incentivo bem-vindo.

  2. Sustenta com argumentos: cita a eficácia de políticas de transferência de renda, o histórico do Bolsa Escola e do Bolsa Família, e os resultados positivos na conclusão do Ensino Fundamental.

  3. Refuta uma possível objeção: reconhece que "não basta que os alunos sejam incentivados a ficar na escola", mas que "é preciso que a escola seja boa o bastante".

Esse movimento — defender um ponto de vista com argumentos e refutar objeções — é a marca do texto dissertativo-argumentativo.

A técnica: como distinguir os tipos textuais

A tabela abaixo resume as diferenças essenciais:

Tipo

Intenção

Marcas típicas

Narração

Contar uma história

Personagens, enredo, tempo, verbos no pretérito

Descrição

Caracterizar algo

Adjetivos, verbos de estado, ausência de progressão temporal

Exposição

Informar, explicar

Neutralidade, dados, definições

Argumentação

Convencer, persuadir

Tese, argumentos, refutação, conectivos de causa/consequência

Injunção

Instruir, ordenar

Verbos no imperativo, sequência de passos

O texto em questão não narra fatos, não descreve pessoas ou lugares, não apenas informa com neutralidade e não dá instruções. Ele defende uma opinião — logo, é argumentativo.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Descrição caracteriza pessoas, objetos, ambientes ou situações, com riqueza de adjetivos e verbos de estado, sem progressão temporal. O texto não faz isso: ele discute uma política pública e defende um ponto de vista. Não há uma "fotografia" de algo; há uma linha de raciocínio. A alternativa tangencia o tema ao confundir a presença de alguns adjetivos (como "positivas", "bem-vindo") com a predominância do tipo descritivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A exposição tem finalidade informativa: explicar um assunto com neutralidade, sem defender uma tese. O texto, porém, é opinativo: o autor avalia o programa como "bem-vindo" e argumenta a favor. Veja o trecho: "Todo esforço é válido para estimular o acesso de jovens de baixa renda ao mercado de trabalho e às universidades." Isso é um juízo de valor, não uma informação neutra. A alternativa restringe o alcance do texto ao ignorar sua intenção persuasiva.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A injunção (ou instrução) tem o objetivo de orientar o leitor a fazer algo, com verbos no imperativo ("faça", "siga") e sequência de passos. O texto não dá ordens nem instruções; ele defende uma ideia. A presença de expressões como "é preciso que" (no último parágrafo) pode sugerir injunção, mas o contexto é de argumentação: o autor está defendendo a necessidade de boa escola, não prescrevendo um procedimento. A alternativa contradiz a intenção global do texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A argumentação é o tipo textual que predomina. O autor:

  • Apresenta uma tese: "Incentivo bem-vindo" (título).

  • Defende com argumentos: cita a eficácia de políticas de transferência de renda, o histórico do Bolsa Escola/Família e os resultados positivos.

  • Refuta objeção: "Obviamente, não basta que os alunos sejam incentivados a ficar na escola. É preciso que a escola seja boa o bastante para fazer a diferença na vida desses estudantes."

O texto é um artigo de opinião, gênero típico da argumentação. A intenção é persuadir o leitor de que o programa é positivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A narração conta uma história com personagens, enredo, tempo e espaço, geralmente com verbos no pretérito. O texto não narra; ele discute um tema. Não há personagens, não há sequência de eventos, não há clímax. A alternativa extrapola ao tentar encaixar o texto em um molde narrativo que não lhe corresponde.

Fechamento

A regra de ouro para questões de tipologia: identifique a intenção do autor. Se ele quer convencer, é argumentação; se quer informar, é exposição; se quer instruir, é injunção; se quer contar, é narração; se quer caracterizar, é descrição. Neste texto, o autor defende uma tese com argumentos — logo, argumentação.

Gabarito: letra D

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