Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu206059
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2024
Cargo
Vest ( )
Para responder a questão, leia a fábula “O camelo e os troncos boiando” de La Fontaine.
Tal novidade era o Camelo,
Que o primeiro fugiu ao vê-lo;
O segundo aproximou-se; o terceiro, presto,
Pôs no Dromedário um cabresto.
Tudo se torna assim familiar com o hábito.
O que antes parecia assustador e insólito
Se acomoda à nossa visão
Quando já é repetição.
Aliás este caso do qual estamos falando
Lembra o das pessoas que, olhando
Longe no mar algo impreciso balançando,
Garantiram ter pela frente
Um navio todo imponente.
Mas momentos depois tornou-se aquilo um bote,
Ora foi balsa, ora caixote,
Sendo por fim troncos boiando.
Bem sei que a muitos, circulando,
Convém no mundo esta tirada:
De longe é alguma coisa, de perto não é nada.
(Jean de La Fontaine. Fábulas selecionadas, 2013.)
Implícita à “tirada” da fábula está a seguinte contraposição:
Asubmissão x liberdade.
Bação x reflexão.
Cconstância x volubilidade.
Daparência x essência.
Eoriginalidade x imitação.
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GabaritoD — aparência x essência.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A contraposição implícita na moral da fábula
Gabarito: letra D. A contraposição implícita na "tirada" final é aparência × essência: o texto mostra que algo visto de longe parece imponente (navio), mas de perto se revela simples troncos boiando. A passagem que ancora essa leitura é a moral explícita:
"De longe é alguma coisa, de perto não é nada."
Essa frase opõe o que parece (aparência) ao que é (essência), exatamente o par da alternativa D.
O comando: inferência a partir da moral
O enunciado pede a contraposição implícita à "tirada" — ou seja, não está escrita literalmente, mas é deduzida da moral. Isso classifica a questão como inferência: você precisa extrair a oposição que o autor deixa nas entrelinhas, ancorada nas pistas do texto. A moral "De longe é alguma coisa, de perto não é nada" é a chave: ela resume a história dos troncos que, vistos de longe, pareciam um navio imponente, mas de perto eram apenas madeira boiando.
O texto: da ilusão à realidade
A fábula narra a progressão das aparências: primeiro um navio todo imponente, depois um bote, uma balsa, um caixote e, por fim, troncos boiando. Essa sequência mostra como a percepção distante cria uma imagem grandiosa que a aproximação desfaz. A moral generaliza: o que parece grandioso de longe se revela insignificante de perto. A contraposição central, portanto, é entre o que se vê (aparência) e o que é (essência).
A técnica: identificar a oposição nuclear
Para resolver, pergunte: qual par de opostos a moral do texto realmente sustenta? A moral fala de percepção (longe/perto) e valor (alguma coisa/nada). Isso aponta diretamente para a relação entre aparência (o que parece) e essência (o que é). As demais alternativas apresentam oposições que não têm respaldo no texto — são extrapolações ou tangenciamentos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
submissão × liberdade — O texto não aborda relação de poder ou dominação. A fábula fala de percepção e hábito, não de submissão ou liberdade. Erro: fora do escopo (tangencia o tema).
Alternativa B — ❌ Incorreta
ação × reflexão — Não há contraposição entre agir e pensar. A narrativa descreve uma sequência de percepções, não de ações ou reflexões. Erro: fora do escopo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
constância × volubilidade — Embora o texto mencione a mudança de percepção (navio → bote → troncos), a oposição não é entre constância e volubilidade, mas entre o que parece e o que é. A moral não fala de estabilidade ou inconstância. Erro: troca de conceito (confunde a mudança de aparência com volubilidade).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
aparência × essência — A moral "De longe é alguma coisa, de perto não é nada" opõe o que parece (aparência) ao que é (essência). A sequência de transformações (navio → troncos) ilustra exatamente essa contraposição: a aparência imponente se desfaz quando se conhece a essência simples. É a única alternativa que a moral sustenta diretamente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
originalidade × imitação — O texto não discute criação ou cópia. A fábula trata de percepção e hábito, não de originalidade ou imitação. Erro: fora do escopo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece pares de oposição que parecem plausíveis (como constância × volubilidade, pela mudança de percepção), mas apenas a alternativa D é ancorada na moral explícita. Desconfie de oposições que não derivam diretamente da frase final.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de moral de fábula, a resposta está sempre na frase que generaliza a história. Grife-a e teste cada alternativa contra ela.