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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — VUNESP 2024

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
vu206062
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2024
Cargo
Vest ( )

Para responder a questão, leia a fábula “O camelo e os troncos boiando” de La Fontaine.

 

Tal novidade era o Camelo,

Que o primeiro fugiu ao vê-lo;

O segundo aproximou-se; o terceiro, presto,

Pôs no Dromedário um cabresto.

Tudo se torna assim familiar com o hábito.

O que antes parecia assustador e insólito

Se acomoda à nossa visão

Quando já é repetição.

Aliás este caso do qual estamos falando

Lembra o das pessoas que, olhando

Longe no mar algo impreciso balançando,

Garantiram ter pela frente

Um navio todo imponente.

Mas momentos depois tornou-se aquilo um bote,

Ora foi balsa, ora caixote,

Sendo por fim troncos boiando.

Bem sei que a muitos, circulando,

Convém no mundo esta tirada:

De longe é alguma coisa, de perto não é nada.

 

(Jean de La Fontaine. Fábulas selecionadas, 2013.)

“Tal novidade era o Camelo, / Que o primeiro fugiu ao vê-lo” (1º/2º versos)   Em relação à oração que o antecede, o verso sublinhado expressa ideia de
  1. Acondição.
  2. Bconsequência.
  3. Ccausa.
  4. Dconcessão.
  5. Ecomparação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — consequência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oração subordinada adverbial consecutiva: o efeito da novidade

Gabarito: letra B. O verso "Que o primeiro fugiu ao vê-lo" expressa consequência do fato de o camelo ser uma novidade: a fuga do primeiro homem é o efeito de nunca ter visto animal semelhante. A pista está na estrutura "Tal novidade era o Camelo, / Que o primeiro fugiu ao vê-lo": o "que" retoma a intensidade de "tal novidade" e introduz a consequência, como se lê no 1º e 2º versos.

"Tal novidade era o Camelo, / Que o primeiro fugiu ao vê-lo"

Aqui, "tal" funciona como intensificador (tamanha novidade) e o "que" é a conjunção consecutiva clássica, equivalente a "de tal modo que". A fuga não é a causa da novidade; é o resultado dela. A banca quer que você perceba a direção da relação: causa → consequência.

O comando e a técnica

O enunciado pergunta "em relação à oração que o antecede, o verso sublinhado expressa ideia de". Isso é uma questão de classificação da oração subordinada adverbial — você deve identificar o valor semântico do conectivo "que" no contexto. Não é interpretação livre: é gramática aplicada ao texto.

A técnica é testar cada valor trocando o conectivo por um equivalente:

  • Consequência: "Tal novidade era o Camelo, de tal modo que o primeiro fugiu ao vê-lo." → faz sentido.

  • Causa: "Tal novidade era o Camelo, porque o primeiro fugiu ao vê-lo." → inverte a lógica: a fuga não explica a novidade.

  • Condição: "Se o primeiro fugiu ao vê-lo" → não há hipótese, é fato.

  • Concessão: "Embora o primeiro fugisse ao vê-lo" → contraria a expectativa, o que não ocorre.

  • Comparação: "como o primeiro fugiu ao vê-lo" → não há termo de comparação.

A armadilha central: causa × consequência

A pegadinha da banca é confundir causa com consequência. Veja o esquema:

Oração

Papel

"Tal novidade era o Camelo"

Causa (o fato de ser novidade)

"Que o primeiro fugiu ao vê-lo"

Consequência (o efeito: a fuga)

A fuga é o resultado da novidade. Se você inverter, diz que a fuga é o motivo da novidade — o que não faz sentido. A conjunção "que" aqui é consecutiva, e não causal. As conjunções causais típicas são "porque", "já que", "visto que" — nenhuma delas cabe no trecho.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Condição exigiria uma hipótese: "se o primeiro fugisse". No texto, a fuga é um fato narrado, não uma condição para algo. A conjunção condicional típica é "se", "caso" — ausente aqui. A alternativa extrapola ao imaginar uma relação hipotética que o texto não autoriza.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O "que" é conjunção consecutiva, introduzindo a consequência de "tal novidade". A estrutura "tal... que" é clássica: "tão grande era a novidade que o primeiro fugiu". A fuga é o efeito direto da novidade. A passagem prova:

"Tal novidade era o Camelo, / Que o primeiro fugiu ao vê-lo"

O "tal" intensifica a novidade e o "que" anuncia o resultado. É a única leitura que preserva a lógica do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Causa inverteria a relação: diria que a fuga é o motivo da novidade. Mas a novidade é o fato de o camelo ser desconhecido; a fuga é a reação a isso. A alternativa contradiz a direção lógica do período. Se fosse causa, o verso seria "porque o primeiro fugiu" — o que não faz sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Concessão expressaria uma quebra de expectativa: "embora o primeiro fugisse, a novidade continuava". No texto, não há oposição; há uma relação direta de causa e efeito. A alternativa tangencia ao propor um valor que não se sustenta no contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Comparação exigiria um termo de comparação explícito, como "como", "tal qual", "mais... que". O verso apenas narra a reação do primeiro homem; não há dois elementos sendo comparados. A alternativa extrapola ao inserir uma relação que o texto não estabelece.

Fechamento

A regra de ouro: identifique a direção da relação. Pergunte: o que é o fato gerador e o que é o efeito? No trecho, a novidade gera a fuga — logo, consequência. Guarde a estrutura "tal... que" como marca típica de oração consecutiva, e desconfie de alternativas que invertem causa e efeito.

Gabarito: letra B.

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