Oração subordinada adverbial consecutiva: o efeito da novidade
Gabarito: letra B. O verso "Que o primeiro fugiu ao vê-lo" expressa consequência do fato de o camelo ser uma novidade: a fuga do primeiro homem é o efeito de nunca ter visto animal semelhante. A pista está na estrutura "Tal novidade era o Camelo, / Que o primeiro fugiu ao vê-lo": o "que" retoma a intensidade de "tal novidade" e introduz a consequência, como se lê no 1º e 2º versos.
"Tal novidade era o Camelo, / Que o primeiro fugiu ao vê-lo"
Aqui, "tal" funciona como intensificador (tamanha novidade) e o "que" é a conjunção consecutiva clássica, equivalente a "de tal modo que". A fuga não é a causa da novidade; é o resultado dela. A banca quer que você perceba a direção da relação: causa → consequência.
O comando e a técnica
O enunciado pergunta "em relação à oração que o antecede, o verso sublinhado expressa ideia de". Isso é uma questão de classificação da oração subordinada adverbial — você deve identificar o valor semântico do conectivo "que" no contexto. Não é interpretação livre: é gramática aplicada ao texto.
A técnica é testar cada valor trocando o conectivo por um equivalente:
Consequência: "Tal novidade era o Camelo, de tal modo que o primeiro fugiu ao vê-lo." → faz sentido.
Causa: "Tal novidade era o Camelo, porque o primeiro fugiu ao vê-lo." → inverte a lógica: a fuga não explica a novidade.
Condição: "Se o primeiro fugiu ao vê-lo" → não há hipótese, é fato.
Concessão: "Embora o primeiro fugisse ao vê-lo" → contraria a expectativa, o que não ocorre.
Comparação: "como o primeiro fugiu ao vê-lo" → não há termo de comparação.
A armadilha central: causa × consequência
A pegadinha da banca é confundir causa com consequência. Veja o esquema:
Oração | Papel |
|---|
"Tal novidade era o Camelo" | Causa (o fato de ser novidade) |
"Que o primeiro fugiu ao vê-lo" | Consequência (o efeito: a fuga) |
A fuga é o resultado da novidade. Se você inverter, diz que a fuga é o motivo da novidade — o que não faz sentido. A conjunção "que" aqui é consecutiva, e não causal. As conjunções causais típicas são "porque", "já que", "visto que" — nenhuma delas cabe no trecho.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Condição exigiria uma hipótese: "se o primeiro fugisse". No texto, a fuga é um fato narrado, não uma condição para algo. A conjunção condicional típica é "se", "caso" — ausente aqui. A alternativa extrapola ao imaginar uma relação hipotética que o texto não autoriza.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O "que" é conjunção consecutiva, introduzindo a consequência de "tal novidade". A estrutura "tal... que" é clássica: "tão grande era a novidade que o primeiro fugiu". A fuga é o efeito direto da novidade. A passagem prova:
"Tal novidade era o Camelo, / Que o primeiro fugiu ao vê-lo"
O "tal" intensifica a novidade e o "que" anuncia o resultado. É a única leitura que preserva a lógica do texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Causa inverteria a relação: diria que a fuga é o motivo da novidade. Mas a novidade é o fato de o camelo ser desconhecido; a fuga é a reação a isso. A alternativa contradiz a direção lógica do período. Se fosse causa, o verso seria "porque o primeiro fugiu" — o que não faz sentido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Concessão expressaria uma quebra de expectativa: "embora o primeiro fugisse, a novidade continuava". No texto, não há oposição; há uma relação direta de causa e efeito. A alternativa tangencia ao propor um valor que não se sustenta no contexto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Comparação exigiria um termo de comparação explícito, como "como", "tal qual", "mais... que". O verso apenas narra a reação do primeiro homem; não há dois elementos sendo comparados. A alternativa extrapola ao inserir uma relação que o texto não estabelece.
Fechamento
A regra de ouro: identifique a direção da relação. Pergunte: o que é o fato gerador e o que é o efeito? No trecho, a novidade gera a fuga — logo, consequência. Guarde a estrutura "tal... que" como marca típica de oração consecutiva, e desconfie de alternativas que invertem causa e efeito.
Gabarito: letra B.