Questão de Português — Polissemia — VUNESP 2024
- Código
- vu206063
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2024
- Cargo
- Vest ( )

- Aintertextualidade.
- Bhipérbole.
- Ceufemismo.
- Dmetalinguagem.
- Eambiguidade.

GabaritoE — ambiguidade.
Gabarito: letra E. A tirinha de Snelse constrói seu efeito cômico na ambiguidade — a possibilidade de um mesmo enunciado admitir mais de uma leitura —, explorando o duplo sentido de uma palavra ou expressão no contexto. O humor nasce exatamente do choque entre o sentido que o personagem pretende e o sentido que o interlocutor (ou o leitor) capta, como se vê na fala final da tirinha.
"Para obter seu efeito de humor, a tirinha mobiliza essencialmente o seguinte recurso expressivo:"
O comando pede que você identifique o recurso expressivo que sustenta o humor. Isso não é uma questão de compreensão literal, mas de análise dos mecanismos de sentido — você precisa reconhecer qual figura ou fenômeno linguístico está em jogo. A banca não quer que você interprete o conteúdo da tirinha, mas que nomeie o recurso que a torna engraçada.
Na tirinha, o humor decorre de uma palavra ou expressão com dois sentidos possíveis — por exemplo, um termo que pode ser lido de forma literal ou figurada, ou que o contexto permite duas interpretações. Esse é o traço definidor da ambiguidade: um mesmo enunciado que comporta duas leituras igualmente plausíveis. O efeito cômico surge quando o leitor percebe que a interpretação esperada não é a que se confirma, ou quando dois personagens entendem a mesma fala de maneiras diferentes.
A ambiguidade é diferente da polissemia: esta é a propriedade de uma palavra ter vários sentidos (ex.: "manga" da camisa e "manga" fruta), enquanto aquela é o efeito de sentido que ocorre quando, em um contexto específico, o enunciado permite mais de uma interpretação. Na tirinha, não basta a palavra ter vários sentidos; é o uso contextual que gera a dupla leitura e, com ela, o humor.
A banca adora cobrar esse tipo de questão porque exige que o candidato distinga conceitos próximos: ambiguidade, polissemia, metalinguagem, intertextualidade, hipérbole, eufemismo. Cada um tem uma função específica, e a tirinha mobiliza essencialmente um deles. Vamos analisar cada alternativa.
Intertextualidade é o diálogo entre textos — quando uma obra faz referência a outra, seja por citação, paródia ou alusão. Na tirinha, não há referência a outro texto, obra ou discurso prévio. O humor não depende de o leitor conhecer um texto anterior. Portanto, a alternativa extrapola — atribui à tirinha uma característica que ela não apresenta.
Hipérbole é o exagero intencional para enfatizar uma ideia (ex.: "chorei rios de lágrimas"). Na tirinha, não há exagero deliberado; o efeito cômico não vem de uma amplificação desmedida, mas da dupla interpretação. A alternativa troca o conceito — confunde um recurso de intensificação com um de ambiguidade.
Eufemismo é a suavização de uma expressão desagradável ou chocante (ex.: "ele partiu" em vez de "morreu"). Na tirinha, não há qualquer tentativa de atenuar uma ideia; o humor não surge de um rodeio linguístico, mas da ambiguidade. A alternativa tangencia — fala de um recurso que não está presente no texto.
Metalinguagem é o uso da linguagem para falar dela mesma (ex.: um texto que explica o que é um texto). Na tirinha, a linguagem não é usada para refletir sobre si; ela é usada para construir uma situação cômica. A alternativa contradiz o que se observa — não há autorreferência linguística.
Ambiguidade é exatamente o recurso que a tirinha mobiliza: um mesmo enunciado que admite duas leituras possíveis, e o humor nasce do conflito entre elas. Como vimos, a tirinha explora o duplo sentido de uma palavra ou expressão no contexto, o que é a definição clássica de ambiguidade. O efeito cômico depende de o leitor perceber as duas interpretações e a surpresa de uma delas se confirmar.
Ao identificar recursos expressivos em tirinhas, pergunte-se: o humor vem de exagero? de suavização? de referência a outro texto? de linguagem falando de si? ou de duplo sentido? Se for duplo sentido, é ambiguidade.
Conclusão: A tirinha de Snelse constrói seu humor na ambiguidade, pois uma mesma fala pode ser entendida de duas maneiras, e é essa dupla leitura que gera o efeito cômico. As demais alternativas ou extrapolam, ou trocam o conceito, ou tangenciam o que o texto realmente faz. Gabarito: letra E.
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