Questão de Português — Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa) — VUNESP 2024
Português›Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Código
vu206066
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2024
Cargo
Vest ( )
Para responder a questão, leia o pequeno ensaio, intitulado “Variação sobre um tema de Diderot”, de Eduardo Giannetti.
Querem saber a história abreviada de quase todo o mal-estar na civilização? Ei-la: a evolução produziu o animal homem. No âmago desse homem, entretanto, foi se instalando um inquilino altivo, exigente e dado à hipocrisia e ao autoengano: o homem civilizado. As rusgas foram crescendo, o conflito escalou, mas nenhum dos dois é forte o bastante para aniquilar o outro. E assim brotou no interior da caverna uma guerra civil que se prolonga por toda a vida.
(Eduardo Giannetti. Trópicos utópicos, 2016.)
“Ei-la: a evolução produziu o animal homem.”
Ao se transpor esse trecho para a voz passiva, a forma verbal resultante será:
Ateria produzido.
Bfoi produzido.
Cseria produzido.
Dfora produzido.
Etinha produzido.
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GabaritoB — foi produzido.
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Transposição para a voz passiva: o tempo verbal é a chave
Gabarito: letra B. Ao passar “a evolução produziu o animal homem” para a voz passiva, o verbo produziu (pretérito perfeito do indicativo) vira a locução foi produzido — mesmo tempo, agora com o auxiliar ser + particípio. A passagem que ancora é o próprio trecho do enunciado: “Ei-la: a evolução produziu o animal homem.”
A questão não pede interpretação de sentido, e sim reescritura gramatical: transformar uma oração da voz ativa para a passiva analítica. O comando é direto — “Ao se transpor esse trecho para a voz passiva, a forma verbal resultante será” —, então o que decide é a regra de transposição, não o conteúdo do ensaio. O texto de Giannetti serve apenas de contexto; a resposta mora na morfologia verbal.
Na voz ativa, o sujeito pratica a ação: a evolução (sujeito agente) produziu (verbo transitivo direto) o animal homem (objeto direto). Na voz passiva analítica, o objeto direto vira sujeito paciente e o verbo ganha a forma ser + particípio do verbo principal. O ponto crítico — e a armadilha central da banca — é que o tempo verbal deve ser preservado: se o verbo ativo está no pretérito perfeito, o auxiliar “ser” também deve estar no pretérito perfeito.
“Ei-la: a evolução produziu o animal homem.”
O verbo produziu está no pretérito perfeito do indicativo (ação concluída no passado). A transposição correta é: “o animal homem foi produzido pela evolução”. O auxiliar foi é exatamente o pretérito perfeito de “ser”, e produzido é o particípio de “produzir”. Qualquer outro tempo (futuro do pretérito, pretérito mais-que-perfeito, etc.) alteraria o sentido temporal da frase — e é isso que as distratoras fazem.
1Identificar o tempo do verbo ativo
2Objeto direto vira sujeito paciente
3Auxiliar ser no mesmo tempo
4Verbo principal no particípio
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Alternativa A — ❌ Incorreta
“teria produzido” está no futuro do pretérito composto — um tempo que expressa hipótese ou condição (“teria produzido se...”). Além disso, mantém a voz ativa (não há particípio com auxiliar “ser”), então nem sequer é uma forma passiva. A banca troca o tempo e a voz ao mesmo tempo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“foi produzido” é a voz passiva analítica no pretérito perfeito do indicativo: auxiliar ser (foi) + particípio (produzido). Preserva exatamente o tempo do verbo original “produziu”. É a única alternativa que mantém o tempo e converte corretamente a voz.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“seria produzido” está no futuro do pretérito do indicativo — indica um fato futuro condicionado a algo (“seria produzido se...”). O texto fala de um fato passado e concluído; trocar para o futuro do pretérito muda o tempo verbal e, com ele, o sentido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“fora produzido” está no pretérito mais-que-perfeito do indicativo — expressa um fato passado anterior a outro fato passado. O texto não estabelece essa anterioridade; o verbo original é pretérito perfeito simples. A banca oferece um tempo próximo, mas não idêntico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“tinha produzido” está no pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo — também indica anterioridade a outro fato passado. Além disso, mantém a voz ativa (auxiliar “ter” + particípio), não é passiva. Erra tanto no tempo quanto na voz.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece formas verbais em tempos diferentes (futuro do pretérito, pretérito mais-que-perfeito) e até formas ativas compostas para confundir. A regra de ouro: na transposição, o tempo verbal não muda — só a voz.
PEGA ESSA DICA!
Ao transpor para a passiva, identifique primeiro o tempo do verbo ativo (produziu = pretérito perfeito) e procure a alternativa com o auxiliar “ser” no mesmo tempo (foi). Desconfie de qualquer forma com “ter/haver” — essas são ativas compostas, não passivas.